A influência do homem mais perverso da história na cultura pop
por Rogério Faria
Aleister Crowley, considerado por muitos o maior mago do século XX, teve papel relevante na vida e obra de artistas que moldaram a cultura pop contemporânea. Alpinista, enxadrista premiado, ocultista, poeta, escritor, Crowley não foi uma pessoa só. Foi, entre tantas, uma figura polêmica que desperta fascínio ainda hoje, mais de 70 anos de sua morte.
Quem foi Aleister Crowley
Nascido na Inglaterra vitoriana em 1875, destacou-se ainda jovem por sua inteligência. Mas não só, seu comportamento contestador à fé de seus pais, religiosos fanáticos, levou sua própria mãe a apelidá-lo de “A Besta“. A partir daí, entre seus diversos interesses, vai se destacar o ocultismo.
Ainda jovem ele fundou seu próprio sistema de crença, a Thelema, que tem como escritura sagrada seminal o Livro da Lei, ditado a ele, no Egito, por um mensageiro do deus Hórus. Além disso, ele popularizou as práticas ocultas da Goetia do Rei Salomão, a evocação de espíritos a magia sexual e desenvolveu seu próprio tarô. Segundo biógrafos, também foi agente secreto dos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial, e, suspeita-se, agente duplo na Primeira Guerra.
Envolvido em diversos escândalos, em meio a sexo, drogas, suicídios e outras polêmicas que o mantinham em evidência, sempre sobre esse véu do oculto, autointitulava-se “A Grande Besta 666”. A respeito dele, o Ministro da Justiça da Grã-Bretanha foi categórico: “Aleister Crowley é o personagem mais imundo e mais perverso do Reino Unido”.
Chegou a tramar seu suposto suicídio com o auxílio do poeta portugês Fernando Pessoa, um de seus entusiastas, em 1930, na Boca do Inferno (Cascais, Portugal). Mas, por fim, morreu pra valer aos 72 anos, em 1 de dezembro de 1947, em decorrência de uma bronquite crônica. Porém, esse não foi o fim.
Aleister Crowley ressurge
Ele é visto na capa de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles. É tema de Mr. Crowley, de Ozzy Osbourne, e inspira diversas outras músicas como Quicksand, de David Bowie. Ainda foi venerado por astros como Jimmy Page, da Led Zeppelin, e Jim Morrison, da The Doors. No Brasil, dois dos seus mais destacados discípulos foram Raul Seixas, que compôs sucessos como Sociedade Alternativa, Novo Aeon e A Lei, com seu parceiro, o escritor, Paulo Coelho, autor de O Alquimista e O Diário de um Mago.
No cinema, Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden, levou a reencarnação de Aleister Crowley às telas em 2007 com Chemical Wedding. Mas, antes disso, o bruxo já tinha registrado sua influência sinistra em filmes como o clássico Bebê de Rosemary, de Roman Polanski, e o controverso De olhos bem fechados, de Stanley Kubrick. Isso entre muitos outros.
Mas o mago, como não poderia deixar de ser, também marcou presença, sutil ou não, nos quadrinhos, em obras reverenciadas, influenciando a criação de personagens e a mitologia, por exemplo, de Sandman, de Neil Gaiman, que tem uma série em fase de produção na Netflix. Alan Moore, o bruxo dos quadrinhos, tem vida e obra fortemente influenciada por Crowley, o qual faz um ponta em Do Inferno, uma graphic novel sobre Jack, o Estripador. Para Moore, ele é o Einstein das ciências ocultas. Grant Morrison, que traz o também conterrâneo inglês em sua obra clássica, Asilo Arkham, do universo do Batman, afirma que “ele é o Picasso da magia”, tendo diversas de suas HQs carregando essa inspiração.
Mas não para por aí. Mesmo ausente do mundo material há sete décadas, o ocultista ainda hoje inspira diversos artistas. E é possível especular que essa influência persistirá por diversos aeons.
Aleister Crowley no Brasil
É dentro desse imaginário que quadrinistas brasileiros se dedicaram para trazer à luz a coletânea Astrum Argentum de Aleister Crowley. São oito histórias originais de suspense e terror inspiradas na vida e obra do mago inglês em uma lindíssima edição em cores aos cuidados da editora Draco.
Também está sendo lançada Babalon – As mulheres escarlate, uma coletânea irmã guiada pela deusa sagrada da Thelema. São narrativas que abordam temas como a vida de Estrela Absinto, a descoberta da sexualidade, a ancestralidade feminina e o peso da maternidade.
Para quem quiser conhecer e adquirir essas obras, apoiando a campanha de financiamento coletivo no Catarse, dá para aproveitar o preço promocional que vai até esta sexta-feira, com frete incluso, no endereço catarse.me/besta666
A. Domingues
24 de julho de 2021 2:00 pmNo recém-lançado romance policial ‘Sangue revolto’ (Troubled Blood), de Robert Galbraith (pseudônimo de J. K. Rowling, autora da série Harry Potter), o tarô criado por Crowley tem presença importante. Babalon também aparece, referida como ‘a entidade consorte de Baphomet’.
Paulo Coelho, em diversas declarações, renegou a essa fase inicial de sua trajetória, mencionada acima, ainda antes de iniciar sua carreira de escritor, e desde então tem opinião semelhante à do citado ministro inglês.