Alfredo Dias Gomes mergulha fundo no universo jazzístico, por Carlos Motta

Com temas curtos, “Metrópole” traz em sua concepção o enfoque no improviso, que se desenvolve, especialmente, dentro da forma da composição, característica dos discos de jazz.

Alfredo Dias Gomes mergulha fundo no universo jazzístico

por Carlos Motta

Um ano depois de ter lançado “Jazz Standards”, o baterista carioca Alfredo Dias Gomes reaquece a cena instrumental brasileira com seu 13º disco solo,  “Metrópole”. Gravado em seu próprio estúdio, na Lagoa, Rio de Janeiro, com o engenheiro de som Thiago Kropf, o disco já está nas plataformas digitais. “No fim do ano passado comecei a compor para o novo disco e mantive o estilo jazzístico do último trabalho, sendo que em “Metrópole” também toco os teclados, além da bateria”, diz o baterista, que começou a gravar as bases do disco em fevereiro com o baixista Jefferson Lescowitch.

Com a piora da pandemia no Brasil, Alfredo optou por gravar os metais remotamente, convidando o trompetista Jessé Sadoc e o saxofonista Widor Santiago, que gravaram de suas casas e enviaram os áudios via internet. A masterização foi realizada no Abbey Road Studios – o icônico estúdio em Londres – e feita pelo engenheiro de som Andy Walter, que já masterizou discos de David Bowie, Jimmy Page, Coldplay, The Who e The Beatles, dentre outros.

Com temas curtos, “Metrópole” traz em sua concepção o enfoque no improviso, que se desenvolve, especialmente, dentro da forma da composição, característica dos discos de jazz.

Abrindo o disco, a faixa-título “Metrópole” é classicamente jazzística, com acordes peculiares esquentando os solos de trompete e sax, finaliza com a bateria, o baixo e o trompete em conversação mútua.

Em compasso 5/4, “Resedá” – uma homenagem à rua onde nasceu – tem uma melodia abrasileirada e tema em uníssono, com a bateria livre costurando a melodia.

Dedicada à memória do irmão Marcos (1965-1968), a balada jazzística “Saudade” ressalta uma melodia emotiva, com destaque para os solos de baixo e de flugelhorn.

Em compasso 6/4, “Andaluz” traz melodia espanholada em uníssono de baixo e teclado, com solo de Jessé Sadoc. Da surdina ao som aberto, o trompete entrega o solo para Widor Santiago, modulando para um melodioso solo de sax, em clima crescente, até o clímax reunindo todos os instrumentos na melodia final, terminando com intervenções vigorosas da bateria.

“Expresso do Oriente” é jazzística, com andamento rápido, melodia arábica e acordes característicos que instigam os solos de trompete e sax, com uma bateria condutiva e em diálogo com os solistas.

O jazz fusion “Cidade da Meia-Noite” faz prevalecer o suingue, com melodia incisiva de metais e solos de baixo, trompete e sax – este lembrando o lendário saxofonista Michael Brecker.

Já “Grand Prix”, outro jazz fusion, tem andamento rápido e solos vibrantes de trompete e sax, com bateria livre explorando os pratos.

Nascido no Rio de Janeiro, Alfredo Dias Gomes estreou profissionalmente na música instrumental aos 18 anos, tocando na banda de Hermeto Pascoal, com quem gravou o disco “Cérebro Magnético” e participou de inúmeros shows, com destaque para o “II Festival Internacional de Jazz de São Paulo”.

Também tocou e gravou com Márcio Montarroyos, Ricardo Silveira, Arthur Maia, Nico Assumpção, Ivan Lins e muitos outros, além de participar da primeira formação do grupo Heróis da Resistência.

Completam sua discografia o single “Vou Deitar e Rolar”, de 2020, e os álbuns “Jazz Standards” (2020), “Solar” (2019), “ECOS” (2018), “JAM” (2018), “Tributo a Don Alias” (2017), “Pulse” (2016), “Looking Back” (2015), “Corona Borealis” (2010), “Groove” (2005), “Atmosfera” (1996, com participações de Frank Gambale e Dominic Miller); “Alfredo Dias Gomes” (1991, com a participação especial de Ivan Lins) e “Serviço Secreto”, de 1985.

Para ouvir online:

https://alfredodiasgomes.hearnow.com

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