Idiocracia, por Ricardo Mezavila

Sentado em uma poltrona, Bolsonaro me fez lembrar do filme “Idiocracy”, dirigido por Mike Judge, que narra a história de um militar medíocre recrutado para uma experiência de congelamento para o futuro.  

Idiocracia

por Ricardo Mezavila

Em entrevista concedida ao apresentador Sikêra Junior, da Rede TV, o presidente Jair Bolsonaro deu uma demonstração clara e cristalina do porquê de o país está afundado na maior crise generalizada da república. Um aluno do quinto ano teria se saído melhor 

Sentado em uma poltrona, Bolsonaro me fez lembrar do filme “Idiocracy”, dirigido por Mike Judge, que narra a história de um militar medíocre recrutado para uma experiência de congelamento para o futuro.  

Quinhentos anos depois ele acorda em um mundo caótico onde somente as pessoas de baixo QI reproduzem, dando origem a uma sociedade de idiotas, cujo presidente é um ex-ator pornô e campeão de luta livre. O militar medíocre passa a ser a pessoa mais inteligente daquele mundo. 

Bolsonaro se sente a pessoa mais inteligente do mundo quando está com a sua claque, por isso fica a vontade ao lado de apresentadores do nível de Sikêra, que tem sua audiência no universo das pessoas que encontram respaldo intelectual em Bolsonaro. 

Teorizando sobre pandemia, Bolsonaro disse ao interlocutor que o lockdown é o seu maior inimigo, que “quem gosta de máscara é gente feia e com bafo” e, para não perder a viagem, perguntou se o assistente de palco ‘queimava a rosca’. 

Entre risadas esquizofrênicas, piadinhas de pátio de presídio e cantando uma ode à bolsa de colostomia, Bolsonaro voltou a ameaçar a democracia com ‘exército nas ruas’, caso o artigo 5º da Constituição, que trata dos direitos e da liberdade, venha a ser violado por governadores e prefeitos que insistirem em decretar lockdown. 

Na idiocracia hierárquica de Bolsonaro, o presidente da república é o chefe dos governadores e prefeitos, do legislativo e do judiciário, mas que não consegue realizações no governo porque ‘todos’ estão contra ele. 

É assim que pensa esse militar congelado para o exercício de suas funções, que não conhece as determinações do cargo que ocupa, que excita seus seguidores dizendo ‘deus’ para o crente, e cu para a sociedade de idiotas. 

Ricardo Mezavila, cientista político 

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