Os militares vão colocar a mão na cumbuca?, por Rogério Maestri

Para se lançar um plano de investimento de obras públicas, nos dias atuais, se necessita no mínimo dois anos para elas começarem

Os militares vão colocar a mão na cumbuca?

por Rogério Maestri

Parece que o incompetente ministro da economia está sendo fritado para possibilitar que outro economista mais Keynesiano assuma a pasta e liberando o dinheiro consiga-se até 2022 brecar a imensa crise que se avizinha e permitir que o partido do Exército continue após as eleições com uma vitória legítima ou mesmo fraudada, porém todos devem conhecer o ditado que macaco velho não mete a mão em cumbuca, porém poucos entendem que o macaco sendo velho e tendo fome ele vai soltar o que tem na mão, pegar um pouco sem muita pressa e se alimentar aos poucos, ou seja, não é um problema da mão, é um problema da pressa. 

Como qualquer estudante de economia de segundo ano sabe, se não houver uma inversão na política econômica se o governo atual chegar em 2022 sem Bolsonaro, destituído ou mesmo na cadeia, parando com as fantasias de Guedes, mais cedo ou mais tarde a população brasileira vai entrar em ebulição. 

Vendo esse cenário, que já é diagnosticado até pelos órgãos de segurança norte-americanos, os milicos para garantirem a boquinha estão se preparando para colocar a mão na cumbuca sem tempo para tentarem mais de uma vez tirar o que está dentro dessa, isso seria feito para lhes dar cacife para o partido militar seguir no governo com Bolsonaro ou mesmo com o nome de outro general, ganhando as eleições legitimamente ou com fraude. Porém há tantos obstáculos nesse caminho que certamente chegarão em 2022 sem nada de importante para apresentar. 

Desde o governo Juscelino Kubitschek foi montado no país uma máquina para com ou sem propinas gerar rapidamente obras que absorvesse parte da mão de obra e colocasse a economia em movimento, toda essa expertise em todos os sentidos, de se locupletar ou não com obras públicas e construí-las foi desmanchada pela Lava-jato. Ou seja, as grandes empresas de engenharia de grandes obras brasileiras e não adianta chamar empresas estrangeiras que ainda será pior. 

Para se lançar um plano de investimento de obras públicas, nos dias atuais, se necessita no mínimo dois anos para elas começarem, existem uma série de obras paradas, porém essas obras ou estão já licitadas e as empresas que ganharam as licitações, ou simplesmente não existem mais, ou perderam por completo seus quadros técnicos e depois das prisões provisórias de quase um ano dos quadros técnicos dessas empresas poucos profissionais que mesmo estando vendendo pastéis, pensarão em assumir a responsabilidade num país em que um juiz qualquer manda prender que chefia as obras. 

Por outro lado, a burocracia estatal que é necessária mesmo só para assinar a liberação das verbas quando terminada uma fase qualquer da construção, ou foi aposentada, substituída por generais, coronéis, majores ou outros membros das forças armada, olhando o papelão do General Pazuello não assumirão a responsabilidade de exercer cargos desse tipo. Claro que sempre haverá um engenheiro ou uma firma de médio porte que assuma essa bomba, porém por falta de experiência com a burocracia de trabalhar com o Estado, errarão muito e se não forem corruptas passarão por serem. Em resumo, idiotas sempre existem, mas idiotas são idiotas e se eles não desviarem recursos das obras outros farão esse serviço. 

O pior de tudo é que nas últimas décadas, projetos executivos de obras públicas são jamais feitos, o que se tem são anteprojetos que para alguém assumi-los é necessário ou ter muito conhecimento de gerência de obras ou ser muito amigo do fiscal e do ministro que encomenda a obra. Se quisermos projetos executivos para termos segurança, não se iludam, empresas de engenharia com capacidade de fazer um projeto executivo que permita o construtor segui-lo sem precisar de aditivos e alterações isso não existe, as empresas de projetos são somente contratantes de um número substantivo de profissionais das mais diversas áreas resultando os chamados projetos elefantes, pés grandes de redondos, nariz mais cumprido do que o resto, um rabinho que só serve para espantar moscas e mais outras heterogeneidades. 

Em resumo, se qualquer governo no Brasil, tentar fazer um pequeno programa de obras públicas precisaria no mínimo dois ou três anos para apresentar alguns resultados. 

Este artigo não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN

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