“Lula só diz besteira!”, disse o jumento ao asno, por Luis Nassif

Como diria Ortega y Gasset: o estadista tem uma dimensão tão maior do que o homem comum, que a única defesa deste é tentar trazer o estadista para o seu nível. Isto é, tratá-lo como trata o vizinho ou o colega do bar.

O sábio referencial enrola-se nos anéis de fumaça do seu cachimbo, e prolata a sentença definitiva:

– Lula só fala besteira, meu caro Watson!

Em todos os jornais, um coro de araras repete em uníssono:

– Lula só fala besteira!

Pululam por todos os lados declarações atribuídas a fontes genéricas do PT, sem que ao menos se revele sua dimensão, peso, influência no partido, repetindo:

– Lula só fala besteira!

“Fonte do PT” pode ser o Aloizio Mercadante ou qualquer outro militante ressentido ou qualquer fonte que diga o que o jornalista quer ouvir. E a declaração é atribuída a “fonte do PT”, como se fosse algum porta-voz escondido nos desvãos da alta burocracia.

Não existe luxo maior do que esse modo superior de analisar um brasileiro, capa da revista Times, opinando sobre o tema mais urgente do momento, e ter uma fonte do PT para chamar de sua, que repita:

– Ele só fala besteira!

São provincianos demais. Fora das fronteiras, sua vista não alcança para além de Miami. Se vivo fosse, o embaixador Walther Moreira Salles diria deles:

– Não são caipiras, porque caipira consegue entender o mundo a partir do seu canto. São provincianos.

Hoje em dia, o mundo caminha para uma nova era de conflitos, em pleno período das armas nucleares. Essa marcha da insensatez é liderada por governantes alucinados, e Lula mencionou todos eles: Vladimir Putin, na Rússia, Joe Biden, nos Estados Unidos, a União Europeia sem Angela Merkel, todos dando palco a um comediante irresponsável, Volodomyr Zelensky.

As mudanças ocorridas nos sistemas de informação e o fracasso da democracia ocidental provocaram fenômenos que colocam em risco a própria segurança mundial e a sobrevivência da humanidade.

De um lado, a desorganização do modelo de mídia tradicional e a radicalização das bolhas. Historicamente, a mídia sempre foi instrumento e refém dos movimentos de onda, da dificuldade de investir contra o sentimento do leitor, mesmo quando tomado da selvageria dos grandes linchamentos. Com o advento das redes sociais esse processo se agudizou. Hoje em dia, qualquer palavra ou gesto promove cancelamentos.

Em vista disso, a mídia – que nunca foi capaz de aprofundar temas – viu-se tolhida ainda mais. Qualquer tema de impacto tem que ser tratado como branco no preto, sem nuances para não provocar confusões na cabeça do leitor e abrir espaço para campanhas de cancelamento. É o movimento que transforma Putin no anticristo e Biden no arcanjo Gabriel.

O segundo efeito foi na política. A crise de 2008 escancarou a falência do modelo ocidental de democracia. E a eclosão de influenciadores por todos os poros das redes sociais eliminou a capacidade da mídia convencional de orquestrar explicações e desculpas para fracassos políticos e econômicos.

Esses dois fenômenos aceleraram, no Ocidente, o aparecimento da mais medíocre geração de políticos do pós-guerra. Praticamente todos eles enfrentam problemas enormes para manter coeso seu eleitorado e se pelam de medo de enfrentar as ondas.

É nesse quadro que se dá o clima de guerra que traz a maior ameaça à humanidade desde o episódio da baía dos Porcos. A invasão da Ucrânia cria uma comoção mundial e a mídia passa a estimular o “delenda Rússia”, sem a menor preocupação com os efeitos dessa política na economia e na segurança global. E os dirigentes ocidentais vão atrás.

A gênese da crise é óbvia.

A OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) foi criada para combater a União Soviética. Com o fim da URSS, o caminho normal seria integrar a Rússia à economia internacional e a OTAN ser enterrada no cemitério das organizações anacrônicas.

Isso não se deu. Boris Yeltsin loteou as estatais russas, entregou à oligarcas e ele, e seus aliados ocidentais, não cuidaram de preparar a Rússia para a democracia e, pior!, pretendeu-se submetê-la à mesma humilhação a que foi submetida a Alemanha, pós-Primeira Guerra. E os bancos ocidentais se esbaldaram em negócios com os oligarcas.

A Rússia viu-se despojada de seus territórios e, mais do que isso, submetida a um cerco da OTAN – que teria de manter vivo o espírito da guerra fria até para garantir sua própria sobrevivência. O risco maior, para a Rússia, seria a Ucrânia aderir à OTAN. Significaria ter armas nucleares a 15 minutos de Moscou.

Sabia-se que, na reorganização da Rússia, Putin era um governante autocrata, cuja sustentação política era trazer de volta o sonho do grande império russo – que vinha desde Pedro, o Grande. Mesmo assim, a OTAN continuou cercando a Rússia, apesar dos alertas de Henry Kissinger – o grande construtor da moderna geopolítica americana – que levaria a conflitos.

O estado profundo americano não se comoveu. Em 2014, ajudou na articulação do golpe de Estado que derrubou um presidente pró-Rússia da Ucrânia. Com os oligarcas ucranianos, ajudou na construção do “mito” Zelensky, que se tornou presidente. E o passo seguinte foi o anúncio de que a Ucrânia pretenderia se associar à OTAN.

Conhecia-se o perfil de Putin. Sabia-se que há décadas todo o esforço russo foi para reconstruir seu potencial bélico. Uma ameaça à Rússia não seria tratada diplomaticamente por Putin, mas belicamente. E Putin seguiu o roteiro previsto, promovendo uma das maiores catástrofes humanitárias da era moderna, o êxodo os ucranianos. (Atenção, idiotas da objetividade: a frase acima é uma crítica pesada a Putin! E essa crítica foi claramente formulada por Lula em sua entrevista ao Times.)

O que aconteceu? Em vez de pressões para se buscar a paz, todos os governantes ocidentais trataram de aproveitar a guerra como bengala para se garantir politicamente, a começar de Joe Biden e seu Secretário de Estado, Antony Blinken. Após o golpe de 2014, Biden teve negócios com a Ucrânia. E Blinken, um dos piores falcões da política americana, era sócio de uma empresa especializada em investir na indústria bélica.

O que está ocorrendo, agora, é os Estados Unidos enviando armas para a Ucrânia, com o intuito de infligir as maiores perdas possíveis à Rússia, e os maiores ganhos possíveis à indústria de armas, mesmo sabendo que a vitória é impossível. O mesmo ocorre com países europeus, que se meteram, agora, em uma corrida armamentista. Todos são cúmplices do massacre a que Putin está submetendo o povo ucraniano (atenção!, idiotas da objetividade: é outra crítica a Putin).

O mundo caminha inapelavelmente para uma marcha da insensatez. A única saída possível é a diplomática. Mas os apelos da ONU são sufocados pela atoarda da mídia e os shows de live de Zelensky. Os governantes ocidentais, em regra, temem qualquer declaração que não seja a destruição da Rússia, com medo de serem mal compreendidos por seus eleitores.

No Brasil, a tentativa do Itamaraty de condenar a Rússia, mas defender saídas diplomáticas, foi apedrejada pelo coral dos imbecis, refestelados em poltronas cômodas.

É nesse quadro, que surgem duas vozes – ainda solitárias – tentando trazer um mínimo de bom senso ao mundo: o Papa e, agora, Lula, fazendo sua reestreia no palco mundial.

Em um mundo essencialmente carente de lideranças, a voz de Lula repercutiu em uma das principais revistas do planeta, repondo o Brasil como liderança da paz, como foi na crise de 2008 ou na tentativa de conseguir o acordo com o Iraque; como foi com Lula visitando Israel e a Palestina.

Politicamente Lula é grande demais para ser compreendido por esse país de bocós midiáticos. De uma mídia que levou anos para entender as diferenças entre Lula e Bolsonaro, não se vá esperar compreensão sobre algo inimaginável para beócios: um político brasileiro de dimensão internacional falando para o mundo. Afinal, como comentou a brilhante apresentadora de TV, Lula fala ”adevogado”.

Como diria Ortega y Gasset: o estadista tem uma dimensão tão maior do que o homem comum, que a única defesa deste é tentar trazer o estadista para o seu nível. Isto é, tratá-lo como trata o vizinho ou o colega do bar. É isso que permite aos idiotas estufar o peito e sentenciar:

  • O Lula só diz besteiras!

41 Comentários

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Z

- 2022-05-09 10:54:33

Putin seguiu o roteiro, promovendo uma das maiores catástrofes humanitárias da era moderna? —— Essa afirmação não corresponde aos fatos. ———————————— Um roteiro existe sim mas foi encomendado pelo Pentágono ao RAND Corporation que o entregou no dia 5 de setembro de 2019: “Overextending and Unbalancing Russia. Assessing the Impact of Cost-Imposing Options” [*] O Ministro da Defesa Lloyd Austin foi obrigado a reconhecer oficialmenteo esse roteiro declarando a verdadeira finalidade dessa guerra: conter a China e aniquilar a Russia. —— Pra quem ainda não sabe, o QG central desse think tank fica em Washington, conta com 1.800 pesquisadores e especialistas recrutados em 50 países, falam 75 línguas, estão espalhados nos EUA, Europa, Australia e Golfo Persico; vivem e trabalham em 25 países, são financiados pelo Pentágono, pelo Exército, pela Aeronautica e pela CIA, (a maior e pior organização terrorística do mundo) e por ONGs potentes. [5] —— Seus especialistas desenvolveram uma técnica chamada mob “swarming” que move pessoas como fazem as abelhas, usando Facebook e os Social Media para direcionar protestos que assumem desfechos importantes (como verificou-se no Egito, na Siria, na Libia, em Taiwan, em Caracas, etc.). —— E’ dos tempos da guerra do Vietnam que o RAND Corp. planea as guerras estadunidenses. No estudo “War with China: Thinking Through the Unthinkable”, encomendado pelo Exército, os autores evocam no titulo o slogan do estrategista chefe na Guerra Fria, Hermann Kahn, “Pensar o Impensável”. No seu livro “On Thermonuclear War”, esse psicopata elaborava um plano para uma guerra neclear —> “vencível” [6] —— “… A ideia de que a guerra nuclear seja impensável é mito. Veja os bombardeios de Tóquio, Hiroshima e Nagasaki: morreram mais pessoas em Tóquio do que em Hiroshima e Nagasaki. Essas cidades foram reconstruídas. A radiação desaparece e a vida recomeça…”, quem diz isso é Zoltan Poszar, ex-guru do Fed de NY e do Tesouro dos EUA, atual grão-vizir do Credit Suisse. [7] —— A Russia disse BASTA e partiu pra cima: —— 1) Para terminar os sucessivos massacres e crimes contra a humanidade perpetrados pelo combo Kiev/OTAN ao longo dos últimos 8 anos, que já custou a vida de mais de 14 mil pessoas entre militares e civis no Donbass (que o Occidente fez que não viu porque tratavam-se de russófonos); —— 2) Para desfazer a concreta — real — ameaça de ataques da Ucrania à Crimea e ao Donbass; —— 3) Para impedir o ingresso da Ucrania na OTAN, que o escroto Jens Estultoenberg cansou de anunciar em sedes internacionais. Qualquer pessoa mediamente informada pode ter idéia dos crimes de Zé lensky e refletir sobre a difícil decisão tomada pelas autoridades russas. [8]-[8]-[8] —— “A última vez que os EUA enfrentaram antagonista tão calmo, imóvel, disciplinado e confiante de si mesmo foi o Ho Chi Minh. Blinken e sua vice Nuland tinham menos de oito anos, na época; o Conselheiro de Segurança Nacional Jake Sullivan nem havia nascido.” [9] — Vi Veri Veniversum Vivus Vici ——- [5] —— https://www.voltairenet.org/article215898.html [6] —— https://johnpilger.com/articles/another-hiroshima-is-coming-unless-we-stop-it-now [7] —— Pepe Escobar, https://thecradle.co/Article/columns/8853 [8] —— https://www.moonofalabama.org/2021/12/what-russia-says-about-its-not-an-ultimatum-to-the-us-and-nato-.html [8] —— https://translate.google.com/website?sl=en&tl=pt&u=https://thesaker.is/russias-ultimatum-to-the-west/ [8] —— https://www-moonofalabama-org.translate.goog/2021/12/russia-details-secruity-demands-to-us-and-nato.html?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=en [9] —— John Helmer, http://johnhelmer.net [*] https://www.rand.org/pubs/research_briefs/RB10014.html

Z

- 2022-05-09 10:51:36

(Atenção, idiotas da objetividade) —— O fundador da Stratfor, George Friedman, (é um lorpa e mesmo assim superior a qualquer jagunço brasileiro com patente de general, brigadeiro ou almirante. NdT), entendido de geopolítica, ex consultor do Pentágono e da CIA, declarou certa vez aos participantes do The Chicago Council on Global Affairs: “… os Estados Unidos acionaram uma série de revoluções coloridas em toda a periferia da Russia; uma dessas foi na Ucrania, a revolução laranja. Os russos perceberam nessa revolução laranja a intenção dos Estados Unidos de destruir a Federação Russa. Os Estados Unidos não teriam financiado grupos insurgentes se esse não fosse o motivo….” Friedman observou nessa ocasião que a prioridade da politica externa dos EUA por todo o século XX foi a de prevenir, a qualquer custo, a convergência de interesses entre Alemanha e Russia. O mundo atravessou duas guerras mundiais por esse maldito dogma geopolítico. Washington odeia e demoniza Putin pelo simples motivo que ele governa deliberadamente para dar estabilidade e status de grande nação à Russia. Friedman definiu o golpe da Praça Maidan de 2014 como “o golpe de Estado mais descarado da história dos EUA”. Aquele em que Victoria Nuland apareceu na praça distribuindo sanduiches. O famoso telefonema dela ao embaixador Pyatt, revelou que escolheram os dirigentes da Ucrania como se fosse um time de futebol, além do ostensivo desprezo pela Comunidade Europeia “Fuck the EU” [1] — Vi Veri Veniversum Vivus Vici [1] —— William Engdahl, http://ahtribune.com/in-depth/1789-william-engdahl-cia-ngos.html

Z

- 2022-05-09 10:50:24

(Atenção, idiotas da objetividade) —— Bruce Gragnon, importante e conceituado ativista contra a guerra, fundador de uma rede internacional contra a militarização do espaço, recorda que permanece a idéia de desmembrar a Russia em pequenas nações seguindo o exemplo na Iugoslavia. Uma da razões tem a ver com o descongelamento parcial na região ártica favorecendo a perfuração de poços petriolíferos. Gragnon recorda também que já no início dessa operação militar dos russos na Ucrania, os Estados Unidos deram inicio à manobra militar conjunta na Noruega Setentrional denominada “Resposta Fria”, próxima da costa ártica da Russia. O motivo é claro: os EUA querem porque querem os recursos naturais da Russia, sem combinar com os russos!. Os russos não curtem a idéia. Daí a necessidade de dividir a Russia em mil partes. Fora Putin! —— “Então pergunto eu” – disse Putin: – “O que é tudo isso? Para quê? OK, não nos querem como amigos ou aliados. Mas ganhariam o quê, com nos tornar inimigos?” Só há uma resposta: não é sobre nosso regime político, não é sobre qualquer outra coisa. Simplesmente, eles não podem admitir a existência de um país independente tão grande como a Rússia. Essa é a resposta para todas as perguntas. Essa é a fonte da política americana tradicional em relação à Rússia.” —— “Sempre encontrarão pretexto para outro ataque de sanções. Ou simplesmente o inventarão, independentemente da situação na Ucrânia. O objetivo é um só: conter o desenvolvimento da Rússia. E farão como antes, mesmo sem qualquer pretexto formal, só porque somos soberanos e nunca abriremos mão de nossa soberania, dos nossos interesses nacionais e dos nossos valores.” [2] —— Mesmo com uma midia (infestada pela CIA) gozando de pouca credibilidade, uma recente perquisa da Pew Surveys publicada no dia 6 de abril passado mostra o avançado estado de envenenamento da opinião pública: sete entre dez estadunidenses veem o russo como inimigo. E’ o remake do filme de horror “O Comitê Creel”, de 1918. A propaganda nazista é filha daquele “Comitê” como o Goebels reconhecera publicamente (E. Bernays era seu autor de cabeceira). A propaganda nazista nasceu nos EUA. E’ história. Não é opinião. Chomsky escreveu que o “Comitê Creel” convertera os EUA, então um país de agricultores simplórios, em um país de “odiadores de alemães”, inventando a Segunda Guerra para os EUA. —— Hoje, 72% dos Democratas e 69% dos Republicanos concordam que a Russia é INIMIGA; Matthew Ehret notou que essa sintonia não verificou-se para destruir e saquear o Irak e a Libia. O senador democratico do Delaware Chris “Dooms”, cupincha de Biden, foi claro: “tá na hora de enviar nossas tropas e não somente armas para a Ucrania; vamos parar o Putin”. A narrativa bem planificada da midia cria perene estado de medo, de histeria e repulsa do Putin. No passado as provas eram condições necessárias para formar-se um juízo, agora, sob atenta vigilância dos “gestores da percepção” dos “Five Eyes”, é suficiente planificar e espalhar merda ininterruptamente. [3] [4] — Vi Veri Veniversum Vivus Vici [2] —— Vladimir Putin, https://www.youtube.com/watch?v=GjMnTo85S4A [3] —— Matthew Ehret, canadianpatriot.org [4] —— https://caitlinjohnstone.com/2022/04/07/us-officials-admit-theyre-literally-just-lying-to-the-public-about-russia/

Z

- 2022-05-09 10:48:28

(Atenção, idiotas da objetividade) —— Um blogueiro progressista comentando a posição do Lula, escreveu: “Uma postura anti-imperialista para servir de exemplo à esquerda mundial”. —— Concordo com “postura anti-imperialista” mas não concordo na alusão à “esquerda mundial”. Essa vizinhança terminológica imprópria lembrou-me daqueles que declaram-se de esquerda e socialistas, que combatem pela igualdade justiça, mas pertencem transversalmente a circulos que entrelaçam-se com o mundo político oposto, neoliberal, como o Fabian Society, um circulo de boiolas influentes. A visão de poder dos Fabianos é coerente com a sua histórica dissimulação (o símbolo fundador do Fabian Society, grupo de matriz anglosaxonica, é o lobo coberto com pele de cordeiro: simbologia do engano como forma do agir político); os Fabianos são estreitamente ligados a todos os mais importantes circulos da direita e da extrema direita internacional. Esses circulos, independentemente da denominação oficial de liberal, progressista ou socialista, perseguem idênticos meios de controle e de governo das massas, superando até eventuais contraposições e dissensos internos, sem alterar a mesma visão elitária da sociedade. —— O jornal de boiolas é o New Statesman, radical chic, também no formato digital, pouco difuso mas muito influente entre os influentes; suas batalhas são as mesmas no âmbito da “esquerda mundial”: a favor do gender, a mudança climática, pela transição digital; flanqueia o Partido Trabalhista inglês e um dos seus membros que mais publica artigos com uma idéia fixa é o Gordon Brown: “problemas globais, soluções globais. Abaixo identidades e nacionalismos, abaixo Estados soberanos, a bandeira global é única e da mesma cor para todos”. Programas de justiça social como instrução pública, assistência médica universal, de mudança climática, de defesa do LGBT, são apenas estratagemas que miram o consenso das minorias, das classes trabalhadoras uberizadas e da grande maioria pobre. —— O jornalista e conferencista Matthew Ehret conduziu um estudo sobre sociedades elitárias angloamericanas demonstrando que o Fabian Society sempre agiu de comum acordo com outra associação denominada Round Table, de anglófonos da nova direita (Ehret, Matthew, As origens do Estado profundo na America do Norte, 2019, www.ossin.org). — Vi Veri Veniversum Vivus Vici

Z

- 2022-05-09 10:46:19

(Atenção, idiotas da objetividade) Muitos analistas concordam que se Putin fosse como um qualquer Presidente dos Estados Unidos (de Harding a Obama) conquistava a Ucrania em três dias depois de praticar bombardeio em massa e arrasar as cidades mais importantes. Enforcava Zé lensky e dizimava o batalhão Azov sem preocupar-se com efeitos colaterais. Se a Russia fosse como os EUA, um membro da Duma diria indignado à imprensa: “E’ mais fácil ver o edifício das Nações Unidas desmontado tijolo por tijolo, que um nosso piloto escoltado para um tribunal da ONU” (J. Cienski - H.D. Bellavance, “We will never hand NATO pilots to Arbour, U.S. official says”, National Post, 22 de maio de 1999, pagina A1) —— “Quantos de nós se preocupam em pensar na contribuição do bombardeio estratégico ao nosso way of life” ? (Mike Davis, na época professor de urbanismo na Southern California Istitute of Architecture) —— Sejamos sérios. Os angloamericanos iniciaram guerras e invadiram ilegalmente Iraq, Libia e Siria, Afganistão, alegando razões de liberdade e democracia, causando a morte e ferimento de milhões de seres humanos de todas as idades, provocando movimento migratório de proproções bíblicas na Europa, Asia e Oriente Medio, da Segunda Guerra Mundial até nossos dias, fomentando conflitos no centro e no sul do continente americano e erradicação sem retorno de milhões de vidas nativas. —— Os EUA lançaram zilhões de bombas no séulo XX, aniquilando mais de 20 milhões de vidas humanas (gatos, cães, aves, cavalos, galinhas, bois, ovelhas, peixes e muitos outros bichos, não contam). A maior parte foram vidas asiáticas, incluindo os mais de 500 mil japoneses incinerados num piscar de olhos com duas bombas atômicas e tempestades de fogo dos B-29 que cancelaram literalmente inteiras cidades japonesas. Milhões de indochineses mortos sob bombardeio a tapete e napalm. Centenas de milhares de coreanos mortos na Guerra da Corea. Milhões de mortos alemães, italianos, romenos, durante a Segunda Guerra Mundial. — Vi Veri Veniversum Vivus Vici

Z

- 2022-05-09 10:43:57

E por falar em catástrofes humanitárias da era moderna … A CIA, a maior e pior organização terrorística do mundo, bombardeou a Guatemala em 1954 e Cuba em 1962. Em 1989 os EUA celebraram o abatimento do Muro de Berlin e o início da era moderna invadindo o Panamá e matando milhares de civis inermes (target fácil), técnica implementada pelo Comando Sul dos EUA: a Nação mais covarde do mundo, a mais rica do mundo, a mais influente do mundo, a maior potência militar do mundo, usou naquela ocasião a mais sofisticada e cara arma aérea do mundo, o B-2A Stealth, para bombardear zonas rurais e urbanas da cidade de Panamá! Em 2011, a temível associação mafiosa internacional EUA-OTAN, atacou, saqueou e destruiu a Líbia. Em sete meses cumpriram 30 mil missões, dentre as quais 10 mil missões de ataque, nas quais lançaram mais de 40 mil bombas e mísseis contra o povo líbio. Assim destruíram o estado africano que – como o demonstram os dados do Banco Mundial para o ano de 2010: altos níveis de crescimento econômico - 7,5% de aumento anual do PIB - altos indicadores de desenvolvimento humano, como ‎acesso universal à escola primária e à instrução secundária e com mais de 40% dos cidadãos incorporados aos estudos universitários. Dois milhões de imigrantes, na maioria africanos, encontravam trabalho na Jamahiriya Árabe Socialista do Povo Líbio [República Popular]. A Líbia tinha investidos no exterior cerca de 150 bilhões de dólares. Mas já no início dos bombardeios, foram os bancos (os Capi Mafia) os primeiros a tomar posse daqueles 150 bilhões depositados no estrangeiro e que em sua maior parte “desapareceram”. No assalto do patrimônio líbio destaca-se o Goldman Sachs, banco de investimentos estadunidense. Na cidade líbia de Tauerga, as milícias islamistas de Misurata – as mesmas que assassinaram Gaddafi em 2011 –, sob cobertura da mafia EUA-OTAN, procederam a um genocídio, chamado “limpeza étnica”, que obrigou mais de 50 mil líbios a fugir das próprias terras, às quais nunca mais puderam retornar. Hoje a Líbia está convertida em principal via de trânsito, amplamente explorada por traficantes de seres (e orgãos) humanos, de um caótico fluxo migratório para a Europa, que já fez mais vítimas que a guerra de 2011. — Vi Veri Veniversum Vivus Vici

Sérgio

- 2022-05-07 11:30:59

A direita é cômica. Não é à toa que elevam um comediante a status de herói. Se vc consegue intercepta é um míssil que diferença faz se vc faz isto em 30 min , 40min ou 10s? Já que eles não entendem só desenhando. Até parece que um ataque é realizado com um único míssil para ver se ele atinge o alvo ou se é interceptado. Provavelmente o ataque é feito em massa para gerar estresse no sistema de defesa do inimigo é assim conseguir fazer com que parte dos mísseis atinja seus alvo. Então retornando a quem questiona se faz diferença a distância entre o lançamento e o alvo, não precisa ser muito esperto para ver que faz diferença. Só os burros e mal intencionamos não querem ver o que é óbvio. É tão óbvio que a pátria amada destes faz de tudo para manter o inimigo bem longe deles. Até utilizando a Europa como quintal para manter bem longe.

Arlérico

- 2022-05-06 15:04:59

Caro "um leitor", a esquerda é contra tudo que é supostamente "estadunidense" ou apoiado pelos "estadunidenses".. vc tem toda razão.

Maria Mary Ferreira

- 2022-05-06 14:32:20

Que texto soberbo. Espero que os imbecis entendam

Um Leitor

- 2022-05-06 13:22:03

"Essa marcha da insensatez é liderada por governantes alucinados, e Lula mencionou todos eles: Vladimir Putin, na Rússia, Joe Biden, nos Estados Unidos, a União Europeia sem Margaret Thatcher, todos dando palco a um comediante irresponsável, Volodomyr Zelensky." Um dos parágrafos mais sem pé na cabeça que já li. Como é que Biden é alucinado? Seria se tivesee mandado tropas para lutar na Ucrânia, ou tivesse bombardeado os Russos. Ao contrário, tem mostrado auto-controle admirável. E por que é Zelensky irresponsável? Por defender heroicamente o seu país do invasor imperalista Russo?

Edna Baker

- 2022-05-06 13:17:46

Elegeram um comediante para matá-los. Cruz credo😣

Arlérico

- 2022-05-06 12:11:41

A esquerda precisa estudar mais matemática.. será que faz diferença um míssil atingir um alvo em 30 min ou 40 min? Se a Russia for interceptar um missil, 30 min já é tempo suficiente.. valha-me deus..

Paulo Brum Ferreira

- 2022-05-06 11:32:43

Nassif, parabéns, excelente artigo, algo que muitos colegas seus desprenderam, ou por incompetência ou oportunismo para se darem bem no meio de comunicação que os contratou. Conheço alguns, amigos até, que mudaram completamente esquecendo até mesmo sua própria história. Mas o tempo dirá. O fato é que estamos à beira de um golpe de estado pelo atual mandatario e a sociedade sequer se dá conta disso. O momento é extremamente grave, só não vê quem não quiser.

Leviatan

- 2022-05-06 10:25:25

Foi rápido. Bolsonaristas tentaram cercar carro de Lula em Campinas. PF conseguiu fazer proteção, mas não foi a contento e os carros tiveram que passar por hostilidades. Tentativa explicita de confrontar esquerda e intimidar militância. O fiasco do 1o de Maio deu brecha para fascismo ir pra cima. O discurso pacifista não vai funcionar para barrar esses bandos violentos. Precisa ter massa nas ruas. Como animar nossa gente? Os sinais que o PT e sua direção passam são de desorientação. Lula precisa de proteção de seus apoiadores. O governador de SP e candidato Garcia está se bolsonarizando enquanto a classe pobre passa fome, não consegue procurar emprego e a classe média compra metade nos supermercados. Na Pça da República o R7 mostrou que bandos assaltam ... chinelos de quem fica de bobeira depois de escurecer. Walking dead in Sampa. O caos social efervescendo é a desculpa para o golpe e demonstração hobbesiana final. Acorda PT. Se liga esquerda. O Brasil é grande sem dúvida e o povo não vai fugir à luta. Estamos às vésperas do fascismo.

JOSE CARLOS GOMES SANTOS

- 2022-05-06 08:07:37

"União Europeia sem Margaret Thatcher, todos dando palco a um comediante irresponsável..." Nassif cometeu o mesmo lapso na Live. Angela Merkel.

Evandro Condé

- 2022-05-06 07:21:16

Estadão solta em editorial que Lula tem cota de besteiras a dizer até as eleições. Comento a eles que, por sorte, eles não possuem.

Elizabeth Nunes Maciel

- 2022-05-05 23:24:29

Análise brilhante sobre a entrevista de Lula na revista Time, do também maestro das palavras jornalista Luiz Nassif, afinal uma voz lúcida, inteligente, ética e verdadeira,

Maria Odete santos

- 2022-05-05 20:22:51

Toda a solidariedade a classe trabalhadora ucraniana. Mas Lula teve sabedoria e coragem para falar do presidente q deixou de fazer comédia para levar seu povo para a tragédia. Armas vão salvar Biden e depois Zelenski pega uma carona para fazer uma série na Fox.

Paulo Soares Augusto

- 2022-05-05 19:56:52

"Politicamente Lula é grande demais para ser compreendido por esse país de bocós midiáticos."

+almeida

- 2022-05-05 19:42:13

Imagino o já denominado Zé Lensky planejando a Coleção Inverno de moda e aparição by USA and The Others. Enquanto tenta manter e não perder simpatizantes; enquanto a guerra estica; enquanto muitas fortunas são investidas, enquanto fabulosos arsenais bélicos são negociados, a miséria e o poder do povo no mundo ficam cada vez mais escassos, mais fracos, mais pobres e mais dominados. Acredito que a população de Irmãos e irmãs na Ucrânia pagam pelos horrores de uma guerra que não causaram, não criaram e não foram consultados. Para eles reservaram o hino que induz, o brado que coopta, o peito que escuda, a emoção da dor e a certeza do grande erro.

Flics

- 2022-05-05 19:17:46

Margaret Thatcher? Não seria Angela Dorothea Merkel?

sergio

- 2022-05-05 19:06:35

Já que a direita acha que ela conhece geografia e os outros não. O que são dez minutos a mais ou a menos em um lançamento de um missil ... quase nada ..só que mais do que suficiente para identificar o alvo e tentar interceptá-lo, ainda mais se dispor de armas supersônicas ou hipersônicas ... Pelo jeito a direita não conhece nada de matemática, física e tudo o mais. Só sabem lamber as bostas dos EUA - Europa. Complexo de inferioridade é f.... Já qual a diferença para quem acessa a internet conhecer o estilo de vida na Polônia, na Ucrânia ou em qualquer lugar do mundo? Então o que Putin ganharia em atacar um país se no mundo globalizado e informatizado não existe mais fronteiras:

MÚCIO MEDEIROS

- 2022-05-05 18:17:12

Concordo plenamente, mas acho que por uma acomodação desse embate, o LULA poderia fazer uma crítica a INVASÃO DA UCRÂNIA por Putin, principalmente diantes do resultado cruel que tem sido mostrado.

Mauricio20

- 2022-05-05 16:57:03

Mais uma excelente análise do Nassif! Mas eu achei até bom a frase "polêmica" do Lula, assim a imprensa repercutiu a capa da Time, se não eles iriam ignorá-la - como fizeram com o encontro entre o Lula e o Papa, a viagem do Lula pela Europa etc

Maria Luísa

- 2022-05-05 16:41:56

Nassif vc me pacífica com sua lucidez. Exatamente o que penso.

Paulo Roberto da Silva Pinto

- 2022-05-05 15:12:14

Dentre todos os artigos até agora divulgados, este induvidosamente, é o que traduz de maneira inexorável a realidade atual. Parabéns à Luís Nassif.

Robson Santos Dias

- 2022-05-05 14:53:25

Lula é um gênio saído da massa de miseráveis retirantes. Um forte, como diria Euclides da Cunha (com o perdão do racismo de sua antropologia). Diria que é um ponto fora da curva, mas para ser isso, antes teria que haver uma curva. Ela já não existe mais. Nossa "elite" agora mal sabe as 4 operações.

AMBAR

- 2022-05-05 14:06:57

Er, fontes do PT? Quais? Em não sendo citadas são apenas boatos plantados para criar comentários ou, modernamente fakenews. É mesmo pra puxar assunto. Se não, que se indiquem as tais fontes para providências. Gentem!!!

Arlérico

- 2022-05-05 14:06:38

Será que o Nassif e a esquerda conhecem geografia? A Polônia é vizinha da Ucrânia e está na OTAN, uma bomba lançada da Polônia demora só 10 minutos a mais pra chegar em Moscow.. o que o Putin não quer perto dele é um estilo de vida com democracia, partidos de oposição e liberdades individuais.. seria "péssimo" para a Russia do ditador Putin. Entenderam? Precisa desenhar?

J.marcelo ou marcelo.j ou jota alguma coisa

- 2022-05-05 13:46:46

TODO MUNDO FALA BESTEIRA A COMEÇAR PELAS AUTORIDADE S GUEDIANAS ESTADUNIDENSES Q DIZEM SER NECESSÁRIO AUMENTAR A SELIC(+GRANA EM SEUS BOLSOS)P CONTER A INFLAÇÃO E ABICHINHA(INFLAÇÃO) SÓ DISPARA,INVERTERAM A LÓGICA DE GOVERNOS PETISTAS PERSEGUIDOS POR NAZISTAS MIDIÁTICOS Q AO TER INFLAÇÃO MAIS GRANA NO NOSSO BOLSÃO NOS TORNÁVAMOS "GASTÃO" E POR ISSO FICAVA MUITO BÃO !(regra de reposição salarial acima da inflação e não para banqueiros)

jose de mooraes gondim junior

- 2022-05-05 13:24:19

A bestialidade, a ignorância e falta de bom senso, faz do homem seu próprio verdugo.

Antônio

- 2022-05-05 13:22:20

Fonte do PT? Acho o esperto Mercadante está nessa. Mercadante e o Zé da Justiça formam uma dupla pra lá de perigosa. Lula, cuidado com essa dupla. O "Golpe" de 2016 acabou engolido dos dois espertos.

Rudi

- 2022-05-05 13:04:13

Ainda tem jornalistas no Brasil.

sergio

- 2022-05-05 12:53:23

Perfeito. Tratou os idiotas como devem ser tratados: como idiotas que são. Alienar-se automaticamente ao maior pais criminoso de guerra, na verdade o segundo ficando por enquanto atrás somente da Alemanha; ao país que bombardeou cidades civis com bombas incendiárias pois à época a maioria das construções eram de madeiras, carbonizando mais de 100 mil pessoas somente em Tóquio; detonando duas bombas atômicas sobre duas cidades civis sem a menor necessidade; utilizador contumaz de armas químicas; utilizador em mais de uma oportunidade de bombas de urânio empobrecido; interventor contumaz sem autorização da ONU em qualquer país que lhe desagrade; utilizador da sua moeda como arma; financiador de grupos terroristas; financiador e facilitador de traficantes ... somente sendo idiota demais, para não perceber o tamanho da sua idiotice.

Antonio Uchoa Neto

- 2022-05-05 12:36:17

Lula falou sobre a guerra; Jesus, que acontecimento. Bolsonaro fala bobagens em quantidades industriais, diariamente, e ninguém dá a mínima. Diz o Chico Pinheiro, vida que segue. Guerra é sinônimo de massacre, e, como dizia Kurt Vonnegut Jr., não há nada de inteligente a ser dito a respeito de massacres. Guerra dá lucro. Ponto. O lucro, como se sabe graças a Marx, tende a ter suas taxas reduzidas. A guerra e a paz, portanto, são a política anticíclica do mundo. Vontade de Deus, ou tirocínio dos homens, tanto faz. Muita produção, preços baixos, pouca produção, preços altos. Guerra, muitas mortes, poucos nascimentos. Paz, menos mortes, mais nascimentos. Mais nascimentos, mais bocas para alimentar, maior produção de alimentos. Mais mortes, menos bocas para alimentar, menor produção de alimentos. Claramente, a solução do problema não está nessa ponta. A outra ponta: os que auferem lucros, e os que sofrem prejuízos. Quem são? A guerra: Banqueiros emprestam dinheiros a Estados, Estados compram armamentos para si e para vender aos outros, a Indústria Bélica enche a pança enquanto morre a criança (ucranianas, desta vez; mas já foram, em tempos recentes, líbias, iraquianas, iemenitas...ufa! A lista é longa), a Empreiteira se apresenta para reconstruir o que foi destruído, Corporações se habilitam a explorar o que ainda houver a explorar, etc., etc., etc. Na paz, todo esse movimento arrefece, e essas dignas instituições públicas (sic) e privadas retornam à lei da queda tendencial da taxa de lucros, graças ao cruel e desumano demônio de Trier. Pobrezinhos. A guerra: todos os que não estão abrigados sob as asas dessas já mencionadas dignas instituições públicas começam a morrer às pencas. Velhos, mulheres, crianças, gatos, cachorros e papagaios (há uma exceção notável, quando um determinado Estado - protagonista assíduo dessas situações - só faz guerra e só destrói lugares bem distantes de seu próprio território, já que seus cidadãos nunca estão sujeitos à essa macabra estatística; mas, dada nossa situação geopolítica, como brasileiros, não é delicado mencionar isso). A paz: é um intervalo entre guerras. Simples questão matemática, façam a conta: anos vividos em guerra, anos vividos em paz. Há muito tempo, na História da Humanidade (a rigor, desde Adão e Eva), as guerras não são travadas entre bons e maus, ou, mais apropriadamente, entre o Bem e o Mal. As guerras são travadas entre o meu interesse, e o seu interesse (diálogo entreouvido, recentemente, entre Biden e Putin, e testemunhado por Scholz, Johnson, Xi Jinping, dentre outros). No mais, prezado Nassif (e desculpe o pessimismo, que não condiz, pelo sarcasmo, com a necessária agenda positiva de todo jornalismo sério e honesto; do outro tipo de “agenda positiva”, a da Mídia Corporativa, não nos ocupemos aqui, a depravação dela fala por si só), não entendi muito a “União Européia sem Margaret Thatcher”. Qualquer coisa no mundo, sem Margaret Thatcher é, no mínimo, suportável, quando não desejável. Ou você acha que ela era menos alucinada que Boris Johnson?

Joao Carlos Holanda Cardoso

- 2022-05-05 12:23:27

Nassif, não pretendo criticar teu texto até porque concordo com quase tudo o que ele diz. Quero fazer apenas um recorte de análise que ousa questionar o cerne da questão proposta: se Lula disse, ou não, uma besteira. No meu ponto de vista, não. De maneira alguma! Mas acrescento: Lula cometeu uma imprudência. E o acúmulo de imprudências em tão pouco tempo é o que me preocupa, pois pode refletir despreparo, não de Lula, mas de sua equipe de campanha. Meu recorte é o eleitoral. Lula foi entrevistado como estadista que pode voltar a presidir o Brasil. O contexto da entrevista, portanto, é o da eleição presidencial brasileira. Não há como dissociá-la disso. E, neste caso, não vejo vantagens em dizer o que disse da forma que disse. Reitero que concordo, em substância, com sua condenação à postura de Zelensky e a análise que você fez das posturas dos EUA e OTAN explica bem o que está por trás da tragédia ucraniana. Mas não cabe à Lula, enquanto estadista/candidato, apontar o dedo para a hipocrisia europeia e norte-americana, nesta hora. Mesmo que esteja coberto de razão. É ruim internamente, por dar munição aos seus desafetos políticos e midiáticos e é ruim externamente, pois pode comprometer apoios importantes na hora que precisar confrontar um possível golpismo bolsonarista pós eleição. Acredito que tentativa de explorar eleitoralmente sua crítica à Zelensky é limitada e inócua: é um tema por demais distante do cotidiano do eleitor brasileiro. Pode, no máximo, comprometer ou adiar a adesão do tradicional eleitor de Alckmin à chapa PT/PSB. Mas me preocupa que num ambiente controlado de uma entrevista previamente agendada a equipe do candidato/estadista não discuta uma forma de abordagem menos polêmica e sujeita a manipulações de temas como este. Era óbvio que o assunto seria objeto de questionamento e uma resposta que fugisse ao adesivo imediato, poderia ter sido pensada sem a recorrência à afirmação, no mínimo questionável aos olhos do cidadão comum de que Zelensky é tão culpado quanto Putin. Lula é um candidato a presidência em busca de votos e não um estadista aposentado e realizado politicamente que se dá ao direito de falar o que pensa. Aposto que boa parte dos líderes europeus e até mesmo o próprio Biden têm a mesma opinião de Lula sobre Zelenski. Mas, sinceramente, o que ganhariam, politicamente falando expondo isso de forma sincera? Nassif, em meu recorte de análise o problema não é Lula falar besteira, ou não, é não estar sendo preparado para escapar das armadilhas que se lhes apresentarão até outubro. Temo, sobretudo, quando as polêmicas envolverem a chamada pauta de costumes.

Vladir

- 2022-05-05 11:58:50

Perfeito: "(Atenção, idiotas da objetividade: a frase acima é uma crítica pesada a Putin! E essa crítica foi claramente formulada por Lula em sua entrevista ao Times.)"

celso elias zanelatto

- 2022-05-05 11:40:30

Parabéns, Luis Nassif, pelo artigo. excelente, e na medida.

Jicxjo

- 2022-05-05 11:33:59

Não conheço canal que tenha conseguido reunir maior plantel de imbecis, ignorantes, pistoleiros, viralatas, recalcados e lacaios, todos irremediavelmente presunçosos, do que a GloboNews. É o PIG em modo turbo.

Marcos

- 2022-05-05 11:10:43

Muito bom!

José de Almeida Bispo

- 2022-05-05 11:08:12

Lucidíssimo, o Nassif. Lucidíssimo. O bando de idiotas, supostamente empoderados só vai entender - se tiver tempo - quando for tarde demais. A Rússia não é Cartago. IDIOTAS!

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