Feminicídio – a outra pandemia
por Arnobio Rocha
A quantidade de mulheres mortas por seus ex-maridos, namorados, companheiros, se tornou explosiva e trouxe à luz, nesses últimos dias, uma realidade cruel que bestifica a sociedade brasileira.
O Feminicidio contém uma mensagem explícita de que o Machismo não aceita a libertação das mulheres, nenhuma mudança de comportamento e/ou empoderamento das mulheres será tolerado.
O feminicidio é amplo e plural, atinge as raças e as classes, é uma imposição de gênero, a força do patriacardo, que vai da periferia aos palácios, é força do macho, a crueldade passada de geração a geração, que cresce quando no poder existe uma clara ordem de que as mulheres devem se submeter aos homens, as mensagens religiosas retrógradas transformadas em política, por ação ou omissão.
O feminicidio é a expressão menos sutil do machismo, é a exposição última de um poder exercido pela força, no dia a dia, nas relações humanas, em que prevalece o homem, no trabalho, na escola, na política, e, por óbvio, nos lares.
Essa relação de força transforma muitas mulheres em sobreviventes, “mortas em vida”, pois esse poder é exercdo não apenas pelo companheiro, como também pelas instituições que revitimam as mulheres e não lhes dão a menor chance de defesa.
A baixa presença da mulheres na política, no judiciário, é uma das razões de menor resistência, mesmo quando chegam, muitas vezes, as imposições masculinas não lhes permitem mudar a realidade, algumas se adaptam ou se adequam às instituições, não produzindo mudanças estruturais tão urgentes e necessárias.
A reflexão é de um homem, pode ser desconsiderada,, não é nosso lugar de fala, não busca protagonismo algum, apenas se colocar como aliado, se acharem conveniente, e que busca dia a dia combater a praga genética do Machismo.
Felipe Silve
29 de dezembro de 2020 8:59 amNão dá para saber o que é pior.
O delito em si, horrível, ou a repercussão seletiva.
Milhares de mulheres são vítimas, mas parece que elas só ganharam alguma importância porque uma juíza morreu.
Pois é.
E de verdade, não ganharam, porque continuará assim:
A juíza morreu porque desprezou escolta de seis (repito) seis policiais que se revezavam na sua proteção.
As marias, joanas, jennifers, etc, morrem antes mesmo da primeira audiência.
Felipe Silve
29 de dezembro de 2020 9:01 amPS: e como é raríssimo que juízas (quase imortais) morram de feminicídio, acho que vai demorar até que as mulheres (simples mortais) tenham tanta atenção depois da poeira deste crime horrível assentar.
Paulo Dantas
29 de dezembro de 2020 10:17 amA visão não pode ser micro , mulheres , gays , negros , crianças etc.
Reduzir a questão da violência ao grave problema da morte de mulheres reduz o problema da violência geral no país.
Polícia que investiga pouco , Justiça lenta e uma esquerda que é contra punições.
Fora isto se discute o periferico , questão de classe ou cor.
Só poderia “dar ruim”.
Felipe
29 de dezembro de 2020 1:47 pmNada a ver, senão pelo aspecto didático do impedimento à narrativa de impunidade.
A letalidade violenta no país está ligada, majoritariamente, à proibição de venda de drogas (enquanto permite outras, hipocritamente), às milícias de extermínio e as disputas entre facções de varejo (drogas).
De forma residual, temos os crimes violentos de atrito de sociabilidade e /ou passionais, e os de ódio (trânsito, vizinhos, domésticos, étnicos, gênero, etc).
E mostre aonde a esquerda é contra punições. Onde?
A esquerda é contra a punição seletiva que recai sobre os mais pobres, enquanto abranda para os mais ricos.