3 de julho de 2026

Alta dos juros e cenário externo derrubam bolsa de valores

Jornal GGN – Por conta do feriado de Corpus Christi, a bolsa brasileira não operou na quinta-feira (30) e acabou por repercutir os dados divulgados nos últimos dias nesta sexta-feira (31). A desconfiança gerada pelo aumento da Selic, aliada a dados ruins nos Estados Unidos, levou o Ibovespa (índice da Bolsa de Valores de são Paulo) a fechar em queda de 2,07%, aos 53.506 pontos – pior patamar desde o dia 18 de abril – e um volume negociado de R$ 12,677 bilhões.

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Logo na abertura do pregão, já se sabia que a queda era uma possibilidade, como explica o analista Elad Revi, da corretora Spinelli. “Ontem tivemos a divulgação do PIB dos Estados Unidos. Embora tenha conseguido um crescimento de 2,4%, ele ficou um pouco abaixo do dado anterior, e entendemos que alguns dos indicadores de hoje não foram tão bem, mostrando que a economia norte-americana não está tão firme como se supõe. Além disso, também refletimos as negociações na Europa, que não teve muitos indicadores relevantes, apenas as vendas de varejo na Alemanha, que não vieram boas”.

A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central em aumentar a taxa Selic de 7,50% para 8% ao ano também mexeu com o humor dos agentes, especialmente após a postura mais enfática adotada pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Segundo o analista, já se fala que o ajuste realizado na última quarta-feira (29) não será o único. “A utilização da expressão ‘tempestivamente’ foi um sinal de que o ciclo seria ampliado, e já se fala que não será apenas dessa vez. Boa parte do mercado não acreditava no aumento desse ciclo, mas ele ocorreu, é um fato, e podemos esperar mais ajustes daqui em diante”, diz Revi.

A próxima semana deve ser de movimentação igualmente intensa, por conta da divulgação de uma série de indicadores importantes. No Brasil, os agentes vão ficar de olho principalmente nos dados de produção industrial do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a serem divulgados na terça-feira (4), além do IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da ata do Copom na quinta-feira (05) e o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) fechado de maio na sexta-feira (07).

No exterior, destaque para os números da zona do euro, como balança comercial, dados preliminares do PIB (Produto Interno Bruto) e taxa de juros, além dos números do mercado de trabalho (relatório de emprego e taxa de desemprego) dos Estados Unidos, entre outros indicadores.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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