Jornal GGN – A bolsa de valores fechou a semana com leve valorização, em um dia marcado pela volatilidade e a divulgação de uma série de balanços e indicadores econômicos. O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) encerrou a sexta-feira em alta de 0,19%, aos 47.380 pontos e um volume negociado de R$ 5,596 bilhões. As ações das Lojas Renner (LREN3), ALL (ALLL3) e Cyrela (CYRE3) foram as que mais subiram no dia, enquanto as maiores baixas ficaram por conta dos papéis da Metalúrgica Gerdau (GOAU4), Gerdau (GGBR4) e Braskem (BRKM5).
Apesar do terceiro avanço consecutivo, o índice encerrou a semana com uma retração acumulada de 1,7%. No mês, a Bolsa acumula perda de 0,54% e, no ano, de 8,01%
“O Ibovespa terminou o último pregão da semana em alta (…), com os investidores digerindo os dados do mercado imobiliário dos EUA e antes da reunião do G-20 neste final de semana em Sydney, onde os ministros das finanças e os presidentes dos bancos centrais dos países membros discutirão as preocupações com os mercados emergentes, após o anúncio da retirada gradual dos estímulos pelo Fed”, diz o BB Investimentos, em relatório assinado pelo economista Nataniel Cezimbra.
Entre os dados divulgados no dia, estão os números do setor externo brasileiro em janeiro. O déficit em transações correntes chegou a US$ 11,591 bilhões no mês, o maior em 34 anos, com o volume de investimento estrangeiro direto (IED) chegando a US$ 5,098 bilhões.
Ao mesmo tempo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, realizou uma teleconferência com analistas internacionais para falar a respeito da meta fiscal de 2014 e do corte do Orçamento federal, anunciado nesta quinta-feira (20). Para evitar uma frustração da meta fiscal, o ministro chegou a sinalizar com aumento de impostos este ano. “Não está previsto aumento de tributos, embora isso possa ocorrer. Vai ser uma espécie de reserva que temos, se for necessário, para melhorar a arrecadação”, declarou o ministro, segundo informações da Agência Brasil.
Em termos de indicadores econômicos, foram divulgadas nos Estados Unidos as vendas de casas existentes, que caíram 5,10% em janeiro, abaixo dos +0,8% de dezembro e do esperado de -4,1%. Contudo, as negociações brasileiras foram diretamente afetadas pelos comentários realizados pelo presidente do Federal Reserve de Dallas, Richard Fisher. Segundo informações do serviço Broadcast, da Agência Estado, Fisher afirmou que é difícil “argumentar que há grande eficácia derivada da expansão adicional do balanço patrimonial do Fed”, defendendo a redução das compras de ativos do país em larga escala. O representante de Dallas tem poder de voto no Fomc este ano.
No câmbio, a cotação do dólar à vista ante o real no mercado de balcão terminou em queda de 0,76%, a R$ 2,3560. A moeda norte-americana manteve o movimento de queda visto na quinta-feira, por conta da boa recepção do mercado à meta fiscal divulgada pelo governo federal, além dos dados do setor externo de janeiro. O aumento de outras moedas emergentes em relação ao dólar também influenciou o desempenho.
Para segunda-feira, os agentes vão acompanhar a divulgação do IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor Semanal) e de confiança do consumidor da Fundação Getúlio Vargas, além da balança comercial semanal e do relatório Focus. No exterior, destaque para o índice de atividade do Federal Reserve de Chicago, da atividade manufatureira do Fed de Dallas e o clima de negócios da Alemanha, além da repercussão da reunião do G-20.
Ale AR
22 de fevereiro de 2014 1:01 amUm monte de asneiras
A busca permanente nos comunicados dos economistas dos bancos de uma correlação (sempre ad-hoc) entre as notícias e os movimentos das bolsas é uma das coisas mais ridículas que existem no mercado financeiro. Segundo o analista mencionado, o mercado fez a Bolsa subir hoje 0,19% porque: 1) o mercado imobiliário nos EUA apresentou uma queda de 5%, 2) os presidentes dos BCs ainda não se reuniram para discutir suas preocupações sobre a economia mundial, 3) a conta corrente brasileira apresentou o pior déficit em 34 anos, 4) Mantega sinalizou provável aumento de impostos para melhorar a arrecadação e 5)o presidente do Fed de Dallas questionou a eficiência dos estímulos monetários, defendendo o arrefecimento dos mesmos iniciado no ano passado. Já o mercado de câmbio local, perante essa diminuição do afrouxamento monetário, vendeu dólares e a cotação caiu. Um non-sense total. Para que raios escrevem uma matéria dessas?
A análise técnica, que estuda apenas o movimento dos preços, isolada das notícias, é muito mais precisa no balizamento dos ventos que assopram nos mercados financeiros. A tendência primária, secundária e terciária do Índice Bovespa continua sendo de baixa, rumo aos 44.000 pontos. A média aponta pra baixo, e o movimento semanal, também. A Petrobrás, carro chefe do índice, fechou perto dos valores nominais (R$14,15) dos aciagos dias de Outubro de 2008, no meio a quebradeira estrondosa do Lehman Brothers, sem fazer muito barulho. Caso perca os R$13,56, acelerará a queda.
A tendência do dólar segue sendo de alta, porém a correção do topo formando em Agosto de 2013, com o movimento de queda dessa semana, tem maiores probabilidades, caso perca a mínima dessa semana, de ser mais pronunciada, rumo aos R$2,31 primeiro, podendo se extender até os R$2,22, sem perder a tendência primária de alta.
A Bolsa será notícia positiva caso vejamos um zigue-zague ascendente ao menos no gráfico semanal, superando a média dos últimos 50 pregões, e confirmará essa onda positiva quando opere acima dos 58.000 pontos.