21 de junho de 2026

“Ciclo de cortes dos juros vai começar e espaço para isso é considerável”, diz Haddad

Em entrevista exclusiva, ministro da Fazenda afirma que quadro permite harmonizar política monetária e fiscal para crescimento sustentável
Foto: Diogo Zacarias

O espaço disponível para o corte da taxa básica de juros (Selic) por parte do Banco Central é “bastante considerável”, na visão do ministro da Economia, Fernando Haddad.

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Em entrevista exclusiva ao jornalista Luis Nassif na TV GGN, Haddad cita um exercício feito em entrevista recente onde explicou que, se o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) cortasse os juros em 0,5% a cada reunião, ao final da décima o país estaria acima do juro neutro.

“(Esse exercício foi feito) Para demonstrar para a sociedade o espaço que nós temos de corte porque, sempre que você estiver acima do juro neutro, você vai estar em uma posição de restrição da economia”, explica o ministro.

“Então, imagine agora: se (a taxa Selic) cair de 13,75% para 13,25%, o que isso vai significar em termos de atividade econômica – é uma sinalização apenas, mas na prática é muito pouco”, diz Haddad.

“Penso que o ciclo de cortes vai começar e que o espaço que existe é bastante considerável, uma vez que a inflação desse ano está afetada pela reoneração dos combustíveis que o próprio BC reconheceu como um fator que distorcia a inflação do ano passado, reduzida artificialmente e eleitoralmente para reverter o quadro desfavorável que o Bolsonaro enfrentava contra o Lula”, lembra o ministro.

Por isso, Haddad fiz que a situação atual permite que se tenha condições de harmonizar a política monetária com a política fiscal de uma maneira “muito interessante para abrir o ciclo de crescimento sustentável do país”.

Impacto nos investimentos

Haddad lembra que o corte da taxa básica de juros dialoga diretamente com a chamada curva de juros futuros, o que começa a afetar os investimentos de forma mais rápida do que a taxa usada no crediário para concessão de crédito.

Segundo o ministro, normalmente quem planeja investimentos capta recursos para gastar no futuro. “Ele faz uma contratação que leva em consideração o juro futuro – então quando você começa um ciclo de corte você começa a ter impacto no investimento”.

Eventualmente, as grandes empresas podem ter acesso a um mercado de crédito mais barato, e vir a repassar isso para o seu crediário embora o impacto no consumo seja menor.

“Você tem toda uma cadeia de transmissão que (o corte dos juros) começa a surtir efeito”, fiz Haddad. “Não é uma coisa nem imediata, e nem é uma coisa que em um mês com 0,25%, 0,75% vai ser muito relevante, mas essa sinalização é muito importante para que os agentes econômicos comecem a se reposicionar em relação ao mercado interno”.

Saiba mais a respeito do assunto na íntegra da entrevista de Luis Nassif com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que pode ser acompanhada no vídeo abaixo.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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2 Comentários
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  1. ed.

    30 de julho de 2023 1:10 pm

    Considerando uma taxa real de juros de ~7%, que já ofereceriam um ganho entre 3% e 4% ao ano sobre a inflação corrente (abaixo da meta), teríamos que reduzir pelo menos 0,75% a CADA COPOM para que tenhamos pelo menos meio mandato de governo (até o fim de 2024) com taxas internacionalmente decentes. o mais provável é que tenhamos uma cretina e cínica redução de 0,25%, so for o caso. A ver.
    PS: Afinal, só um PIX para pastel com caldo de cana pode render quase 200 mil por mês ou 2 milhões e 400 mil por ano, pagos também por nós (além do gado, )némêz?

    1. Mário Mendonça

      3 de agosto de 2023 6:21 pm

      Em 2020 a TX foi de 2%, o que melhorou?

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