“Ciclo de cortes dos juros vai começar e espaço para isso é considerável”, diz Haddad

Tatiane Correia
Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.
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Em entrevista exclusiva, ministro da Fazenda afirma que quadro permite harmonizar política monetária e fiscal para crescimento sustentável

Foto: Diogo Zacarias

O espaço disponível para o corte da taxa básica de juros (Selic) por parte do Banco Central é “bastante considerável”, na visão do ministro da Economia, Fernando Haddad.

Em entrevista exclusiva ao jornalista Luis Nassif na TV GGN, Haddad cita um exercício feito em entrevista recente onde explicou que, se o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) cortasse os juros em 0,5% a cada reunião, ao final da décima o país estaria acima do juro neutro.

“(Esse exercício foi feito) Para demonstrar para a sociedade o espaço que nós temos de corte porque, sempre que você estiver acima do juro neutro, você vai estar em uma posição de restrição da economia”, explica o ministro.

“Então, imagine agora: se (a taxa Selic) cair de 13,75% para 13,25%, o que isso vai significar em termos de atividade econômica – é uma sinalização apenas, mas na prática é muito pouco”, diz Haddad.

“Penso que o ciclo de cortes vai começar e que o espaço que existe é bastante considerável, uma vez que a inflação desse ano está afetada pela reoneração dos combustíveis que o próprio BC reconheceu como um fator que distorcia a inflação do ano passado, reduzida artificialmente e eleitoralmente para reverter o quadro desfavorável que o Bolsonaro enfrentava contra o Lula”, lembra o ministro.

Por isso, Haddad fiz que a situação atual permite que se tenha condições de harmonizar a política monetária com a política fiscal de uma maneira “muito interessante para abrir o ciclo de crescimento sustentável do país”.

Impacto nos investimentos

Haddad lembra que o corte da taxa básica de juros dialoga diretamente com a chamada curva de juros futuros, o que começa a afetar os investimentos de forma mais rápida do que a taxa usada no crediário para concessão de crédito.

Segundo o ministro, normalmente quem planeja investimentos capta recursos para gastar no futuro. “Ele faz uma contratação que leva em consideração o juro futuro – então quando você começa um ciclo de corte você começa a ter impacto no investimento”.

Eventualmente, as grandes empresas podem ter acesso a um mercado de crédito mais barato, e vir a repassar isso para o seu crediário embora o impacto no consumo seja menor.

“Você tem toda uma cadeia de transmissão que (o corte dos juros) começa a surtir efeito”, fiz Haddad. “Não é uma coisa nem imediata, e nem é uma coisa que em um mês com 0,25%, 0,75% vai ser muito relevante, mas essa sinalização é muito importante para que os agentes econômicos comecem a se reposicionar em relação ao mercado interno”.

Saiba mais a respeito do assunto na íntegra da entrevista de Luis Nassif com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que pode ser acompanhada no vídeo abaixo.

Tatiane Correia

Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.

2 Comentários

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  1. Considerando uma taxa real de juros de ~7%, que já ofereceriam um ganho entre 3% e 4% ao ano sobre a inflação corrente (abaixo da meta), teríamos que reduzir pelo menos 0,75% a CADA COPOM para que tenhamos pelo menos meio mandato de governo (até o fim de 2024) com taxas internacionalmente decentes. o mais provável é que tenhamos uma cretina e cínica redução de 0,25%, so for o caso. A ver.
    PS: Afinal, só um PIX para pastel com caldo de cana pode render quase 200 mil por mês ou 2 milhões e 400 mil por ano, pagos também por nós (além do gado, )némêz?

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