10 de junho de 2026

Consórcio liderado pela Petrobras leva a maior área do megaleilão do pré-sal

Apesar do resultado, movimentos contrários ao leilão dizem que processo abre precedentes à privatização do petróleo brasileiro

Jornal GGN – O consórcio formado pela Petrobras e pelas chinesas CNOOC e CNODC venceu, nesta quarta-feira (6), o leilão para explorar Búzios, a maior área de petróleo já descoberta no país. O grupo foi o único a realizar uma oferta à primeira área apresentada no megaleilão do pré-sal.

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Amanhã, quinta-feira (7), o governo realizará um novo leilão do pré-sal, com oferta de cinco áreas exploratórias com bônus de assinatura total de R$ 7,85 bilhões. O consórcio que venceu o direito de explorar Búzios, irá pagar R$ 68,2 bilhões ao governo.

A Petrobras tem 90% de participação no consórcio e as duas chinesas dividem igualmente os 10% restantes. Búzios, localizada na Bacia de Santos, tem capacidade estimada de produzir 13 bilhões de barris, o dobro do volume que o Brasil tem hoje em reservas provadas.

A Petrobras já vinha explorando em Búzios, onde foram instaladas quatro plataformas em operação que, em setembro, produziu 406 mil barris de petróleo por dia, se tornando a segunda maior produtora do país, atrás apenas de Lula, também na Bacia de Santos.

No leilão desta quarta, o governo também ofereceu a área de Itapu e Sépia. A Petrobras levou a primeira, sendo a única a apresentar uma oferta, exercendo seu direito de preferência. Já a área de Sépia não recebeu nenhuma oferta.

Apesar do quadro, apresentando vantagem da Petrobras no resultado do leilão, o processo de cessão onerosa é avaliado com preocupação por grupos nacionalistas. A ex-presidente Dilma Rousseff, divulgou uma nota, compartilhada aqui no Jornal GGN, afirmando que a rodada de leilão no pré-sal representa “um atentado” contra a soberania do país.

“A rodada de leilão de excedentes da cessão onerosa do pré-sal representará um atentado gravíssimo e de prejuízos sem precedentes à nossa soberania. Um dano irreparável de entrega de nossas riquezas naturais a estrangeiros e de privação dos brasileiros de recursos que lhes pertencem. Um verdadeiro crime de lesa-pátria, que somente a mobilização nacional poderia impedir”, destacou Dilma.

Em 2010, o então governo Lula cedeu à Petrobras o direito de produzir cinco bilhões de barris de petróleo em áreas do pré-sal, durante um processo de capitalização da estatal. Em troca, a Estado recebeu novas ações emitidas pela Petrobras.

Em 2014, a então presidente Dilma Rousseff tentou vender diretamente à Petrobras os volumes excedentes do pré-sal, divididos em quatro áreas da Bacia de Santos, por R$ 15 bilhões, mas o Tribunal de Contas da União (TCU) suspendeu a operação.

No artigo publicado hoje, Dilma destaca que a AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobras) realizou um estudo onde conclui que o Brasil sofrerá “perdas sem precedentes”, com o leilão das áreas do pré-sal.

“Segundo a AEPET, as áreas da cessão onerosa são as melhores e mais produtivas do pré-sal. Das cinco áreas de maior produção no Brasil, três estão localizadas nesse campo. São as mais produtivas do mundo”, destaca a ex-presidente.

“Se contratasse a Petrobras para a exploração dessas áreas, ‘o Estado brasileiro poderia ter uma receita líquida, a valor presente, de R$ 987,962 bilhões. Dessa receita, R$ 270 bilhões poderiam ser destinados a todos os Estados e Municípios'”, completa Dilma.

Durante o discurso de abertura do processo de leilão, nesta quarta-feira, o diretor geral da ANP, Décio Oddone, disse que o dia era “histórico”. “É resultado de um esforço contínuo de muita gente”, comentou diante de uma plateia cheia de representantes do governo e do setor de petróleo, entre eles os ministros de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, a secretaria especial do PPI (Programa de Parcerias e Investimentos), Martha Seiller, o ministro do TCU (Tribunal de Contas da União), Raimundo Carreira, e o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

“Esse leilão destaca-se também pelo impacto relevante na economia nacional. Pela primeira vez, o valor dos bônus será dividido pela União com estados e municípios”, frisou Albuquerque, se referindo ao acordo entre o governo e o Congresso para dividir o valor obtido do bônus de assinatura com entes da federação: Estados e municípios.

Leia também:

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6 Comentários
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  1. Jackson da Viola

    6 de novembro de 2019 1:06 pm

    As petroleiras gringas estão bem informadas da situação politica do Brasil……governo desacreditado internacionalmente, uma justiça completamente desvairada e o “pau comendo na vizinhança”…… condições nem um pouco favoráveis a “make deals” …….é só observar o nível de cautela das chinesas CNOOC e CNODC, as duas juntas com 10%…….

  2. Vladimir

    6 de novembro de 2019 1:46 pm

    O fato da Petrobrás ter arrematado o maior campo de petróleo já descoberto no Brasil, por ela mesmo,diga-se de passagem, não quer dizer nada.
    Nas mãos dos vendilhões da pátria isso simplesmente representa um valor a mais na busca insana de privatizar nossa maior companhia.

  3. ed.

    6 de novembro de 2019 2:20 pm

    Por um lado dá um certo “alívio”, embora estranha surpresa, dada a “nova direção” do privataríssmo Castelo Branco, que como NUNCA VISTO NA HISTÓRIA DO CAPITALISMO EMPRESARIAL, assumiu a presidência de uma empresa discursando que queria INCENTIVAR A CONCORRÊNCIA” (???????!!!!!!!!!!).
    Por outro, se a já esquartejada empresa for afinal privatizada, fica desde já explicado…

  4. Somebody

    6 de novembro de 2019 2:25 pm

    Adicionando um detalhe na questão. Ao contrário do que os idiotas do “governo” Bolsonaro acreditam, nenhum CEO de petroleira que valha o seu salário iria comprar o que é efetivamente mercadoria roubada. Eles SABEM que os contratos assinados por Bolsonaro não têm nenhum valor e a primeira coisa que o próximo presidente brasileiro irá fazer, depois de prender os Bolsonaros, será anular todos os contratos efetuados pela quadrilha (e com razão).

  5. Somebody

    6 de novembro de 2019 2:38 pm

    E completando o que eu comentei antes. Como eu previ que iria acontecer, além do problema evidente do pré-sal ser uma “mercadoria roubada” aonde quem está tentando vendê-lo não é o dono legítimo, ninguém investe em um país com uma justiça PATÉTICA como a brasileira, aonde a resolução de questões contratuais depende de qual lado pagar mais para juízes vaidosos, incompetentes e absolutamente corruptos.

    E muito menos se investe em um país governado por um IDIOTA que está fazendo de tudo para desestabilizar o próprio país e torná-lo em uma ditadura bananeira, todo mundo que tentou sabe como cedo ou tarde as coisas acabam mal.

  6. Carlos Elisio

    6 de novembro de 2019 5:28 pm

    Puta que o pariu, me sinto comprando o que já é meu! E me respondam: “Em que bolsos irá parar esta grana”?
    É como eu casasse com uma prostituta canalha e esta me obrigasse a comprar minha própria casa mandando o dinheiro para o seu cafetão.

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