Economista não aposta em pouso suave para mercado global

Tatiane Correia
Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.
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Apesar dos prognósticos de boa parte do mercado, professor de Harvard diz que desaceleração chinesa e eleições exigem atenção

Foto de Markus Spiske na Unsplash

Embora economistas tenham projetado um 2024 otimista para a economia global, dados recentes da China, Europa e Estados Unidos mostram que grandes desafios do setor ainda estão por vir.

Em artigo publicado no site Project Syndicate, Kenneth Rogoff, professor de economia em Harvard e ex-economista-chefe do FMI, diz que muitos especialistas ficaram otimistas para este ano uma vez que a recessão de 2023 não se confirmou.

De um lado, as perspectivas para a maioria dos economistas-chefes ouvidos pelo Fórum Econômico Mundial não indicavam grandes preocupações com uma recessão global, e sim uma correção saudável às pressões inflacionárias causadas pelo aumento de demanda.

Nem mesmo as ações dos Houthi na região do Mar Vermelho e as guerras em Gaza e na Ucrânia afetaram tais prognósticos, e até mesmo o FMI (Fundo Monetário Internacional) revisou para cima seus prognósticos de crescimento, se afastando do tom cauteloso normalmente adotado.

Cautela com a China

Porém, Rogoff aponta alguns pontos que exigem acompanhamento, a começar pelas eleições – mais da metade da população mundial vai às urnas em 2024, e é de se esperar que os gastos governamentais aumentem, no chamado “ciclo político orçamental”.

Além disso, o articulista se coloca como “profundamente cético” em relação ao anúncio feito pelo governo chinês sobre seu crescimento de 5,2% em 2023.

“Com a economia chinesa cada vez mais preocupada com a inflação, a queda dos preços imobiliários e a baixa demanda, é cada vez mais evidente que os problemas econômicos estão longe de terminar – e que Xi (Jinping, presidente da China) está determinado a controlar a narrativa”, diz Rogoff, lembrando que o PIB tem sido uma questão “politicamente pesada” na China.

“A combinação de um abrandamento econômico prolongado e um setor imobiliário em colapso pode colocar à China à beira de uma ‘década perdida’ ao estilo do Japão”, diz o articulista, citando ainda que é cada vez mais provável que o país entre em “uma espiral de dívida-deflação”.

Europa e eleições nos EUA

Acredita-se que o crescimento europeu vai continuar fraco, embora evite um quadro recessivo neste ano e, segundo Rogoff, “a persistente relutância dos países europeus em investir na sua própria defesa sugere que o potencial regresso do ex-presidente Donald Trump à Casa Branca em 2025 poderá exigir um ajuste doloroso”.

Nos Estados Unidos, o articulista diz que nem republicanos e nem democratas estão preocupados em cortar despesas públicas ou em reduzir seu déficit, principalmente em um ano eleitoral.

“Independentemente do partido que vier a controlar o Congresso após as eleições de novembro, uma onda de gastos alimentada pelo déficit é quase certa”, diz Rogoff. “Mas, se as taxas de juros reais seguirem elevadas, como muitos esperam, o governo poderá ser forçado a escolher entre um aperto fiscal profundamente impopular ou pressionar o Federal Reserve a permitir outro surto inflacionário”.

Tatiane Correia

Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.

1 Comentário

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  1. Conheço pouco o Professor Rogoff. Tenho comigo, entretanto, uma cópia de uma entrevista traduzida e publicada pelo Estadão em 24 de fevereiro de 2012.

    https://www.estadao.com.br/economia/a-grecia-deveria-passar-um-periodo-afastada-do-euro-imp-/

    Nela Rogoff dizia que a Grécia deveria passar uma espécie de ano sabático fora do Euro com a recriação provisória do Dracma, poia a “montanha da dívida da Grécia” era grande demais e o país não era competitivo. Rogoff dizia também ser muito difícil manter a Grécia na Zona do Euro. Rogoff também fazia a previsão de que a formação dos “Estados Unidos da Europa” estava mais perto do que muitos poderiam imaginar.

    Tais previsões foram feitas há praticamente 20 anos. Não tenho mais referências sobre o Professor Rogoff e seus mais recentes escritos, e, portanto, admito minha ignorância sobre a importância do professor. Mas a partir das previsões feitas por ele, há 20 anos, não tenho muito porquê levá-las muito a sério. De fato vejo nuvens negras no horizonte em função das duas guerras ora em vigor, com um potencial de espalhamento incontrolável. Neste panorama, algo muito mais grave do que apenas uma aterrissagem forçada do mercado global deveria causar preocupações. O fator China parece, entretanto, ser de fato o menos inquietante.

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