O recente discurso do presidente norte-americano Donald Trump sobre o confronto com o Irã frustrou as expectativas de desescalada nas tensões regionais, e reforçou o risco de uma guerra prolongada, sem estratégia ou objetivos definidos.
A afirmação é do economista Paul Krugman, em comentário em vídeo publicado em seu Substack, quando destacou a existência (que não se confirmou) de que o governo americano iria sinalizar algum tipo de recuo nas movimentações no Oriente Médio.
“Muita gente esperava que Trump declarasse vitória e recuasse. Ele declarou vitória, claro, mas não anunciou o fim das hostilidades. Pelo contrário, falou em intensificar os ataques.”
Segundo o economista, o discurso revelou ausência de planejamento estratégico e falta de clareza sobre o desfecho do conflito.
“Não há estratégia. Não há objetivo final. Não há nada. É difícil dizer se Trump está sendo deliberadamente enganoso ou se simplesmente não consegue admitir a realidade.”
Mercados reagem e petróleo dispara
Para Krugman, a reação mais precisa ao discurso não veio da retórica política, mas dos mercados — especialmente do petróleo, destacando a alta praticamente imediata dos contratos futuros do petróleo Brent durante a fala de Trump, refletindo a percepção de risco crescente.
“O petróleo estava abaixo de US$ 100 quando Trump começou a falar. Já estava acima de US$ 108 enquanto eu gravava. O mercado entendeu: isso não é o começo do fim, é o início de um impasse prolongado.”
Na avaliação do economista, os investidores passaram a precificar um cenário de conflito duradouro, com impactos diretos sobre a economia global.
Krugman também alertou para um fator crítico ainda subestimado: o fechamento prolongado do Estreito de Ormuz, o que pode gerar efeitos severos sobre preços e cadeias produtivas.
“As pessoas ainda não estão levando totalmente em conta o que significa manter o Estreito de Ormuz fechado por tempo indeterminado.”
Percepção internacional e desgaste dos EUA
Além dos efeitos econômicos, Krugman apontou um impacto mais amplo sobre a credibilidade internacional dos Estados Unidos.
Segundo ele, a condução do conflito e o discurso de Trump reforçam a percepção de imprevisibilidade do país.
“O mundo está olhando e se perguntando: o que há de errado com os Estados Unidos?”
O economista argumenta que a questão central vai além do conflito em si e atinge a confiança global na liderança americana. “Um país que elege alguém assim duas vezes não é um país em que se possa confiar.”
Krugman também criticou a lógica do confronto, destacando a assimetria entre as forças envolvidas e os resultados obtidos até agora. “Os Estados Unidos enfrentaram uma potência muito mais fraca — e, na prática, saíram em uma posição pior, enquanto o Irã ficou mais forte.”
Ao final, Krugman sugere que o legado mais duradouro do conflito pode não ser apenas a pressão sobre os preços do petróleo, mas o desgaste da posição internacional dos Estados Unidos.
“Mais do que o preço do petróleo, o que está em jogo é a confiança global nos Estados Unidos — e isso pode ser o efeito mais duradouro dessa guerra.”
Carlos
3 de abril de 2026 1:52 amSem dúvida, países capazes de eleger débeis mentais como os eua, duas vezes com Trump, ou Brasil, até agora apenas uma com bolsonaro , são países com povos doentes e leis fracas. Ambos, trump e bolsonaro, deveriam estar presos, mas presos de verdade, não como o salafrário brasileiro, que vive nababescamente com dinheiro de nossos impostos.
Porém, tratar-se de “… uma guerra sem estratégia ou objetivos definidos”, é equivocado.
Tem sim estratégia é objetivo; aumentar ganhos de especuladores (armas e petróleo) ligados a Israel e EUA. Ganhos que mantém esta extrema-direita direita nefasta crescendo e envenenando mentes no mundo.
Milhares? Dezenas, centenas de mortos? Como diria uma ministra: é só um detalhe!