O economista norte-americano Paul Krugman afirma que a ofensiva do governo Donald Trump contra Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, representa um ataque direto à independência do banco central e um passo perigoso na erosão institucional dos Estados Unidos.
Para Krugman, a investigação criminal aberta contra Powell não tem base legal e serve apenas como instrumento de intimidação política.
Segundo o autor, o episódio vai além de uma disputa sobre política monetária: trata-se de uma estratégia mais ampla de repressão a qualquer forma de dissidência dentro do Estado americano.
Ao atingir o comando do Fed, Trump envia um recado a todos os agentes públicos: contrariar a vontade do presidente pode ter custos pessoais severos.
Em artigo enviado ao seu mailing de assinantes, Krugman relembra que a independência do banco central é um pilar fundamental para evitar abusos políticos na condução da política monetária.
Juros artificialmente baixos podem estimular a economia no curto prazo, mas tendem a gerar inflação elevada no médio e longo prazo. A história americana dos anos 1970 e a experiência recente da Turquia são citadas como exemplos de como a interferência política pode resultar em instabilidade macroeconômica.
O economista ressalta que a pressão sobre o Fed tende a produzir o efeito contrário ao desejado por Trump. Para não parecer submisso à intimidação, o banco central pode se tornar ainda mais cauteloso em eventuais cortes de juros. Além disso, investidores podem reagir elevando as taxas de longo prazo, ao antecipar maior inflação e instabilidade institucional.
Krugman compara o cenário americano a países com instituições frágeis, como a Venezuela, onde a politização da política monetária corroeu a credibilidade do Estado e agravou crises econômicas.
Para ele, a “venezuelização” dos Estados Unidos não é retórica exagerada, mas um alerta sobre o risco de normalizar práticas autoritárias em um país cuja força sempre esteve no Estado de Direito.
Rui Ribeiro
14 de janeiro de 2026 6:23 amEu não concordo com o Duck Donald, protetor de pedófilos, na hipótese de ele próprio não ser um. Mas nessa questão de independência do BC, eu acho que é uma das pouquíssimas coisas em que ele tem razão.
Segundo Eduardo Hughes Galeano, o dinheiro é mais livre que as pessoas. As pessoas estão a serviço das coisas.
Qual o sentido da independência de um banco central? Quem deve ser independente são as pessoas, não as coisas. Não é a população que tem que se sujeitar aos bancos centrais, mas o contrário
Rui Ribeiro
14 de janeiro de 2026 8:25 am“O dinheiro é mais livre que as pessoas.
As pessoas estão a serviço das coisas”. – Eduardo Galeano
Independência monetária? É o dinheiro que deve servir à sociedade ou é a sociedade que deve servir ao dinheiro?