6 de junho de 2026

Krugman: ataque de Trump ao Fed ameaça independência monetária

Economista afirma que investigação contra Jerome Powell é instrumento de intimidação política e ameaça estabilidade econômica dos EUA
Jerome Powell, presidente do Federal Reserve - o Banco Central dos EUA. Foto: Flickr Federal Reserve

Paul Krugman critica ataque de Trump a Jerome Powell, presidente do Fed, como ameaça à independência do banco central dos EUA.
Krugman afirma que investigação contra Powell é sem base legal e visa intimidar dissidências dentro do governo americano.
Economista alerta que pressão política pode aumentar instabilidade econômica, comparando cenário dos EUA ao da Venezuela.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O economista norte-americano Paul Krugman afirma que a ofensiva do governo Donald Trump contra Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, representa um ataque direto à independência do banco central e um passo perigoso na erosão institucional dos Estados Unidos.

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Para Krugman, a investigação criminal aberta contra Powell não tem base legal e serve apenas como instrumento de intimidação política.

Segundo o autor, o episódio vai além de uma disputa sobre política monetária: trata-se de uma estratégia mais ampla de repressão a qualquer forma de dissidência dentro do Estado americano.

Ao atingir o comando do Fed, Trump envia um recado a todos os agentes públicos: contrariar a vontade do presidente pode ter custos pessoais severos.

Em artigo enviado ao seu mailing de assinantes, Krugman relembra que a independência do banco central é um pilar fundamental para evitar abusos políticos na condução da política monetária.

 Juros artificialmente baixos podem estimular a economia no curto prazo, mas tendem a gerar inflação elevada no médio e longo prazo. A história americana dos anos 1970 e a experiência recente da Turquia são citadas como exemplos de como a interferência política pode resultar em instabilidade macroeconômica.

O economista ressalta que a pressão sobre o Fed tende a produzir o efeito contrário ao desejado por Trump. Para não parecer submisso à intimidação, o banco central pode se tornar ainda mais cauteloso em eventuais cortes de juros. Além disso, investidores podem reagir elevando as taxas de longo prazo, ao antecipar maior inflação e instabilidade institucional.

Krugman compara o cenário americano a países com instituições frágeis, como a Venezuela, onde a politização da política monetária corroeu a credibilidade do Estado e agravou crises econômicas.

Para ele, a “venezuelização” dos Estados Unidos não é retórica exagerada, mas um alerta sobre o risco de normalizar práticas autoritárias em um país cuja força sempre esteve no Estado de Direito.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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2 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    14 de janeiro de 2026 6:23 am

    Eu não concordo com o Duck Donald, protetor de pedófilos, na hipótese de ele próprio não ser um. Mas nessa questão de independência do BC, eu acho que é uma das pouquíssimas coisas em que ele tem razão.

    Segundo Eduardo Hughes Galeano, o dinheiro é mais livre que as pessoas. As pessoas estão a serviço das coisas.

    Qual o sentido da independência de um banco central? Quem deve ser independente são as pessoas, não as coisas. Não é a população que tem que se sujeitar aos bancos centrais, mas o contrário

  2. Rui Ribeiro

    14 de janeiro de 2026 8:25 am

    “O dinheiro é mais livre que as pessoas.
    As pessoas estão a serviço das coisas”. – Eduardo Galeano

    Independência monetária? É o dinheiro que deve servir à sociedade ou é a sociedade que deve servir ao dinheiro?

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