4 de junho de 2026

Levy defende ajuste e fala em esgotamento das políticas anticíclicas

 
Jornal GGN – Em artigo publicado na Folha de S. Paulo, o ministro da Fazenda Joaquim Levy defende o ajuste fiscal, dizendo que há um reequilíbrio da economia brasileira e uma resposta ao “esgostamento das políticas anticíclicas”.
 
Para o ministro, o realinhamento de preços e a reorientação fiscal tiram o país de “uma rota de maior vulnerabilidade”. Também afirma que os choques no curto prazo não podem impedir a necessidade de mudanças estruturais na economia.
 
Da Folha
 
 
JOAQUIM LEVY
 
A economia brasileira se reequilibra. Responde à mudança dos termos de trocas do comércio exterior e ao esgotamento das políticas anticíclicas e de maior exposição do setor público ao financiamento de setores da economia.

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O realinhamento de preços e a reorientação fiscal tiraram o país de uma rota de maior vulnerabilidade e os agentes privados estão se ajustando. Mas há mais trabalho para garantirmos “o que virá depois do ajuste”.
 
Navegamos em meio à incerteza externa e doméstica. A retomada americana tem tido naturais altos e baixos. A reinvenção da economia chinesa, sem a exportação como motor do crescimento, também avança de forma não linear. Ambas continuarão gerando volatilidade. Somado à fragilidade na Europa e aos reflexos disso tudo no resto da América Latina, o quadro externo não é simples.
 
Domesticamente, as chuvas até recentemente não foram favoráveis à previsão da economia ou à popularidade do governo. Para a nova classe média, enfrentar seu primeiro ciclo econômico tem se refletido em flutuações expressivas dos indicadores de confiança. E alguns desdobramentos de diversas investigações judiciais têm tornado menos precisos os cenários disponíveis ao setor privado.
 
Choques no curto prazo, assim como os efeitos do próprio desenrolar do ciclo de ajuste, não devem ofuscar a necessidade de continuar as mudanças estruturais na economia, agora que o ciclo de commodities, que nos ajudou na última década, se esvaiu.
 
A solução para as dificuldades imediatas e futuras não é gastar mais, até porque a necessidade de fortalecimento fiscal está evidente com o quadro atual. Tampouco é abrir espaço para uma inflação persistente.
 
Então, o que fazer?
 
O fechamento de um ciclo é momento de oportunidades, de diagnósticos, de imaginar objetivos e escolher caminhos.
 
Primeiramente, cabe lembrar que temos estabilizadores automáticos da demanda que ajudarão a atravessar o atual ciclo. Eles são robustos, dado o volume de recursos tempestivamente transferidos às famílias pelo Tesouro Nacional através da folha do setor público, da Previdência e de inúmeros outros programas sociais.
 
Manter esses mecanismos exigirá avaliação permanente de sua sustentabilidade e dos resultados obtidos. Dada a atual carga tributária, é urgente reforçar a avaliação da qualidade do gasto, inclusive o obrigatório, cujo volume reduz a lati- tude dos governos federal, estaduais e municipais para investir na infraestrutura.
 
Segundo, para repartir com o setor privado a responsabilidade pela ampliação do investimento em infraestrutura temos que ter uma estabilidade fiscal que reduza riscos macroeconômicos e surpresas regulatórias.
 
Terceiro, precisamos ter um compromisso com a excelência. Na economia competitiva em que vivemos, com a diminuição da vantagem dada pelos recursos naturais, esse compromisso será cada vez mais vital. Os incentivos para agentes públicos e privados têm de ser nesta direção –talvez seja a maior revolução no desenho das nossas políticas. Promover a concorrência, por exemplo, tem grande potencial de estimular a economia.
 
Clareza nessas opções e disciplina e transparência para segui-las se traduzirão em uma recuperação mais rápida da economia, na queda dos juros de longo prazo e em um Brasil mais aberto e com mais oportunidades.
 
Um Brasil em que a classe média poderá exercer seu potencial de trabalho e imaginação, sendo criadora, muito mais do que apenas beneficiária, de um novo padrão de vida.
 
Um Brasil em que a liberdade de iniciativa e a previsibilidade econômica estimularão as empresas a investirem em novos caminhos.
 
Não tem porque cairmos no vaticínio da armadilha dos países de renda média ao invés de alcançarmos o real desenvolvimento para todos os brasileiros.
 
Há uma agenda de crescimento muito positiva nesse segundo semestre, que vai além do ajuste fiscal imprescindível para sustentar, também, o Orçamento de 2016. Ela abre espaço para cooperação entre Poderes e esferas de governo, como na reforma do ICMS, crucial para destravar o investimento, mas que deve responder às preocupações de todos os envolvidos para poder se realizar.
 
Ainda não acabou a canseira, nem chegou a festa da cumeeira, mas é uma promessa de vida na nossa mão.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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6 Comentários
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  1. Rafael

    3 de agosto de 2015 1:11 pm

    Ajuste anti-cíclico só é bom

    Ajuste anti-cíclico só é bom para o Levy quando a economia cresce, pois aí serve de motivo para aumentar juros.

  2. Athos

    3 de agosto de 2015 1:37 pm

    Cala boca Levy e vá
    Cala boca Levy e vá trabalhar!
    Essa decisão não é sua! Vc é subalterno!

  3. jc.pompeu

    3 de agosto de 2015 1:41 pm

    preocupa-me é o “esgotamento

    preocupa-me é o “esgotamento orgânico” do ministro levy matando um leão do zimbáube por dia para convencer e reunir a base aliada aliada dos diabos! em torno do ajuste saia justa.

  4. Calvin

    3 de agosto de 2015 2:33 pm

    Serra tem sido a salvação!

    “O Serra analisando o Orçamento, governador? O senhor pediu que ele desse uma olhada? 

    O Serra tem sido uma pessoa muito próxima dos governadores, porque tem se debruçado sobre essa questão do pacto federativo. Essa lei de que a gente está falando, dos depósitos judiciais, quem fez foi ele. Ele me fez uma visita no gabinete, supergentil. Foi aquela em que eu disse que ele tinha sido o melhor ministro da saúde e ele respondeu que até hoje tem medo de sangue e não sabe a diferença de um vírus para uma bactéria. Aí, eu falei da situação financeira do DF, ele se interessou e se colocou à disposição. Falei das nossas ideias. Temos R$ 625 milhões de compensação previdenciária a receber do Ministério da Previdência. O governo reconhece, o Gabas (ministro da Previdência) reconhece, mas não paga por causa da situação. Na reunião dos governadores com Renan Calheiros e Eduardo Cunha, surgiu a ideia de fazer um projeto que permitisse a utilização desses recursos para o pagamento do serviço da dívida (juros), para ir amortizando. Serra pediu que levasse à assessoria dele, para que fosse preparado. Ele tem sido  muito interessado. “

    http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2015/08/02/interna_cidadesdf,492940/em-entrevista-rollemberg-enumera-passos-para-tirar-o-df-da-crise.shtml

  5. Tulio

    3 de agosto de 2015 4:39 pm

    A Grécia paga 2% de juros ao

    A Grécia paga 2% de juros ao FMI e está falida, o Brasil paga 14% de juros aos banqueiros nacionais.  Vem cá, se aumentar juros combatesse inflação de energia elétrica, combustíveis, produtos importados que aumentam com o dólar e o repasse desses na cadeia produtiva, já era para nosa inflação ter convergido para a meta pelo menos em 2016, não?

  6. Doney

    4 de agosto de 2015 12:02 am

    “Há uma agenda de crescimento

    “Há uma agenda de crescimento muito positiva nesse segundo semestre.”

    Só se for para os bancos – pra quem ele parece continuar trabalhando.

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