Malásia finaliza requisitos para solicitar ingresso ao BRICS

Tatiane Correia
Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.
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País deixou claro que não vai tomar partido nos embates entre China e EUA; imprensa local vê adesão com otimismo

Kuala Lumpur, capital da Malásia – Foto de Kah Hay Chee na Unsplash

Duas das principais economias do Sudeste Asiático – Malásia e Tailândia – estão na reta final para oficializar seu ingresso nos BRICS, em mais uma etapa no processo de consolidação multipolar.

O jornal malaio The Star destaca que a Tailândia deve oficializar sua entrada no bloco no próximo encontro dos BRICS, programado para ocorrer na Rússia em outubro.

Contudo, a grande expectativa gira em torno do ingresso da Malásia, uma vez que o país será presidente da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático) no próximo ano.

No momento, o país está na chamada lista de espera do bloco, uma vez que a aceitação de um novo membro depende não só de um consenso entre os integrantes, como também com o cumprimento de uma série de requisitos.

Dentre eles, uma boa representação e relacionamento com os países que já estão no BRICS, forte presença regional e internacional, como não ter imposto qualquer tipo de sanção unilateral contra algum integrante do grupo econômico.

Na última semana, foi divulgado um relatório listando os países que passam a ser parte do BRICS: além de Tailândia e Malásia, o bloco deve contar com a presença da Arábia Saudita, Irã, Etiópia, Egito e Emirados Árabes Unidos, enquanto mais de 30 países mostraram interesse em ingressar no grupo.

PIB dos BRICS ultrapassa EUA

Com esse ingresso, o PIB somado por todos os países dos BRICS ultrapassaria (mesmo que discretamente) o PIB dos Estados Unidos, chegando a 37,3% do PIB global contra apenas 14,5% de toda a região da União Europeia.

A adesão aos BRICS alargará certamente os mercados e possivelmente ajudará a reduzir a dependência excessiva do dólar americano para liquidações comerciais, sendo utilizadas moedas locais em vez dos acordos comerciais.

“Dada a estatura e influência globais do primeiro-ministro Datuk Seri Anwar Ibrahim, (a entrada malaia no BRICS enquanto presidente da ASEAN) seria certamente mais significativo”, destaca a publicação, que considera o pedido formal do governo “a coisa certa a se fazer à medida em que o cenário global muda”.

Neutralidade em meio a receios

A formação de um mercado geopolítico multipolar ganhou força após a guerra na Ucrânia, que levou os europeus a fecharem as portas para a Rússia – e os presidentes de diversos países da África e da Ásia a ficarem mais conscientes do impacto do confronto em termos geopolíticos.

Diante disso, o debate em torno da desdolarização não apenas ganhou força como o confronto na Europa ajudou a acelerar esse processo, levando a aproximações que podem se mostrar estratégicas no futuro, como a aproximação da Rússia com a Coreia do Norte e o estreitamento das relações com a China.

No caso da Malásia, a decisão do país de ingressar aos BRICS foi alvo de críticas de alguns comentaristas por conta da presença da China e da Rússia no bloco, algo que exige uma análise um pouco mais cautelosa e menos partidária.

A Índia, por exemplo, é um dos países fundadores do BRICS e tem por característica manter sua política externa independente, o que ajuda a explicar sua proximidade com o Ocidente e sua presença no bloco ao lado da China.

Pelo lado malaio, a situação é igualmente delicada: embora a China seja um de seus principais parceiros comerciais, a Malásia foi um dos principais favorecidos pela briga do país com os Estados Unidos no mercado internacional de chips – o que elevou o investimento estrangeiro na Malásia em 2023 ao equivalente de todo o montante obtido entre 2013 e 2020.

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