10 de junho de 2026

Mercado só reage ao desastre depois que acontece, segundo Krugman

Em artigo, Nobel de Economia explica os motivos pelos quais não existe uma reação contundente aos desmandos de Trump no Federal Reserve
Foto: Official White House Photo by Daniel Torok

Os últimos movimentos de Donald Trump contra a autonomia do Federal Reserve chegaram ponto de se tentar demitir uma integrante do Conselho de Governadores da autoridade monetária, embora não tenha o direito legal de fazê-lo.

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A última semana foi considerada “chocante e aterrorizante” por quem acompanha a política monetária norte-americana, muito por conta da campanha do presidente norte-americano em assumir o controle da política monetária.

“O ataque a (Lisa) Cook sinaliza que Trump e sua equipe tentarão arruinar a vida de qualquer um que se interponha em seu caminho”, afirma o economista e prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman, destacando a “chance substancial” de que a independência do Fed dê lugar a um instrumento dos interesses políticos e pessoais do presidente.

Diante disso, por qual motivo os mercados financeiros não estão em pânico? Na visão de Krugman, a precificação do mercado raramente leva em conta a chance de eventos disruptivos, mesmo quando tal possibilidade deveria ser óbvia.

“O padrão usual, em vez disso, é de complacência do mercado até o último momento possível. Ou seja, os mercados agem como se tudo estivesse normal até que fique extremamente óbvio que não está”, pontua. “Estamos, de fato, diante de um desastre político em formação. Mas os mercados provavelmente não reagirão fortemente até que o desastre já esteja sobre nós”.

Em artigo enviado via newsletter, Krugman lembra que os países onde os bancos centrais perdem sua independência “mais cedo ou mais tarde sofrem com inflação alta, especialmente quando são assumidos por autocratas que aderem a doutrinas econômicas excêntricas”.

O articulista encaixa Trump em tal perfil, por conta de suas exigências por grandes cortes de juros por conta do aquecimento econômico – o que quase todo economista diria ser um motivo para alta das taxas.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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