De onde vem o dinheiro? Das dívidas.
Um trecho da transcrição do filme/documentário Zeitgeist Addendum:
“Ninguém é mais escravo que aquele que falsamente se acredita livre.”
( Johann Wolfgang von Goethe )
Alguns anos atrás o banco central dos EUA, a Reserva Federal, criou um documento chamado “Mecânica monetária moderna”. Este documento detalha a prática institucionalizada de criação de dinheiro como é utilizada pela Reserva Federal e a rede global de bancos comerciais que ele sustenta. Na página de abertura o documento afirma seus objetivos: “ O propósito deste livreto é descrever o processo básico de criação de dinheiro em um sistema bancário de reservas fracionadas”. Ele então descreve esse processo de reservas fracionadas, através de terminologia bancária diversa, cuja tradução seria algo como isto: O governo dos EUA decide que precisa de dinheiro. Então ele fala com a Reserva Federal e pede, digamos, 10 bilhões de dólares. O RF responde: “Claro, vamos comprar 10 bilhões em títulos públicos de vocês”. Aí o governo pega alguns papéis, coloca símbolos neles que os fazem parecer oficiais, e os chama de títulos do Tesouro. Ele atribui a esses papéis o valor de 10 bilhões de dólares e os envia para a RF. Em troca, o pessoal de RF imprime uma quantia de papéis deles próprios. Só que desta vez, com o nome de notas da Reserva Federal. Também atribuindo o valor de 10 bilhões de dólares a esses papéis, a RF pega essas notas e as troca pelos títulos. Assim que a transição é concluída, o governo pega os 10 bilhões em notas da RF e deposita em uma conta bancária. E com esse depósito as notas de papel passam oficialmente a ter valor de moeda, adicionando 10 bilhões ao suClaro, este exemplo é uma generalização, pois na realidade essa transação ocorre eletronicamente, sem nenhum uso de papel. Na verdade só 3% do suprimento monetário dos EUA existem em moeda física. Os outros 97% existem somente nos computadores.
Então, títulos públicos são, por definição, instrumentos de endividamento, e quando a RF compra esses títulos com dinheiro criado basicamente do nada, o governo está na verdade prometendo devolver esse dinheiro à RF. Em outras palavras, o dinheiro foi criado a partir de uma dívida. Esse paradoxo estarrecedor, de como o dinheiro ou o valor podem ser criados a partir de dívidas ou um responsabilidade, ficará mais claro à medida em que continuarmos esse raciocínio.
Bem, a troca foi realizada e agora 10 bilhões de dólares estão em uma conta bancária comercial.. Aqui é onde isso fica interessante, já que, com base na prática de reservas fracionadas, esse depósito de 10 bilhões torna-se instantaneamente parte das reservas do banco, como todo e qualquer depósito. E, no que se refere à exigência de reservas, como está no “Mecânica monetária moderna” : “Um banco deve manter reservas legalmente exigidas equivalente a uma porcentagem definida de seus depósitos.”
Isso é quantificação quando se afirma que: “Pelas normas vigentes, a reserva exigida para a maioria das contas correntes é de 10%.” Assim, dos 10 bilhões depositados, 10% ou 1 bilhão, é guardado como reserva exigida enquanto que os outros 9 bilhões são considerados excedente de reserva e podem ser usados como base para novos empréstimos. O lógico seria presumir que esses 9 bilhões estão literalmente saindo do depósito existente, de 10 bilhões. Porém, esse não é o caso. O que ocorre é que os 9 bilhões são criados a partir do nada, sobre o depósito existente de 10 bilhões.
É assim que o suprimento bancário é expandido. Como é afirmado no “Mecânica monetária moderna” : Naturalmente eles, os bancos, não saldam o dinheiro que recebem como depósitos. Se isso fosse feito, nenhum dinheiro adicional seria criado. O que eles fazem aos realizar empréstimos é aceitar notas promissórias, “contratos de empréstimo” em troca de crédito, “dinheiro” para as contas correntes de quem toma o empréstimo. Em outras palavras, os 9 bilhões podem ser criados do nada simplesmente porque existe uma demanda por tal empréstimo e porque existe um depósito de 10 bilhões que atende às exigências de reserva.
Agora vamos imaginar que alguém entre num banco e tome emprestado os 9 bilhões recém-disponibilizados. Eles provavelmente vão pegar esse dinheiro e deposita-lo em sua própria conta bancária. O processo então se repete, já que esse depósito se torna parte das reservas do banco. 10% é isolado e em seguida 90% dos 9 bilhões, ou 8,1 bilhões, tornam-se DINHEIRO RESCÉM-CRIADO, disponível para MAIS EMPRÉSTIMOS.
E claro, esses 8,1 bilhões podem ser emprestados e depositados criando mais 7,2 bilhões e mais 6,5 bilhões e mais 5,9 bilhões… E assim por diante. Este ciclo de criação de dinheiro pode se tornar tecnicamente infinito. O cálculo médio é de que cerca de 90 bilhões de dólares podem ser criados a partir dos 10 bilhões originais. Em outras palavras: Para cada depósito que é feito no sistema bancário, pode-se criar 9 vezes esse valor a partir do nada .
Agora nós entendemos como o dinheiro é criado por esse sistema de reservas fracionadas. Pode nos ocorrer uma pergunta lógica, ainda que desconcertante: Mas o que está dando valor a esse dinheiro recém-criado? A resposta: O dinheiro que já existe. O dinheiro novo basicamente tira valor do suprimento monetário já existente, já que o montante total de dinheiro está aumentando independente da demanda por bens e serviços. E como a oferta e demanda definem o equilíbrio, os preços sobem reduzindo o poder de compra de cada dólar. Isso é normalmente chamado de inflação e a inflação é basicamente um imposto oculto cobrado das pessoas.
Que conselho se costuma dar? Eles dizem: “inflacione a moeda”. Eles não falam: “depreciem a moeda”. Eles não falam: “desvalorizem a moeda”. Eles não falam: “enganem quem já está garantido”. Eles dizem: “reduza as taxas de juros”. A verdadeira fraude ocorre quando distorcemos o valor do dinheiro. Quando criamos dinheiro do nada, não temos economias. E ainda há o que se chama de “capital”. Minha pergunta se resume a: Como é que podemos esperar resolver os problemas da inflação, ou seja, o aumento da oferta de dinheiro, com mais inflação? Claro que não podemos. O sistema de reservas fracionadas para expansão monetária é inflacionário por si só, uma vez que o ato de aumentar as oferta de dinheiro, sem que haja uma expansão proporcional de bens e serviços na economia SEMPRE vai depreciar a moeda.
De fato, uma análise rápida dos valores do dólar americano em comparação com a oferta de dinheiro reflete claramente essa questão, já que a relação completa é óbvia. 1U$ em 1913 valia o equivalente a 21,60U$ em 2007. Isso é uma desvalorização de 96% desde que a Reserva Federal passou a existir. Agora, se essa realidade de inflação inerente e perpétua, parece absurda e economicamente auto-destrutiva… Espere um pouco, pois absurdo é pouco para definir como o nosso sistema financeiro realmente opera. Em nosso sistema financeiro, dinheiro é dívida e dívida é dinheiro. Este é um gráfico do suprimento monetário nos EUA de 1950 a 2006. (não esquecer que isto é uma transcrição do texto de um filme) E este é um gráfico da dívida nacional dos EUA no mesmo período. Veja que interessante: As tendências são virtualmente as mesmas, pois quanto mais dinheiro existe, mais dívidas. E quanto mais dívidas existem, mais dinheiro. Colocando de outro modo: Cada dólar na sua carteira é devido por alguém a outra pessoa. Lembre-se: O único modo de o dinheiro passar a existir é através de empréstimos. Logo, se todos no país pudessem pagar todas as suas dívidas, incluindo o governo, não haveria um único dólar em circulação.
“Se não houvesse dívidas em nosso sistema financeiro, não haveria dinheiro.”
(Marriner Eccles – Governador da Reserva Federal / 1941)
Na verdade, a última vez na história americana, em que a dívida nacional foi totalmente quitada foi em 1835, depois de o presidente Andrew Jackson fechar o banco central anterior a Reserva Federal. Toda a plataforma política de Jackson girava essencialmente em torno desse compromisso de fechar o banco central. Declarou certa vez: “ Os grandes esforços feitos pelo banco atual para controlar o governo, são apenas premonições do destino que aguarda o povo americano, caso sejam induzidos à perpetuação desta instituição ou ao estabelecimento de outra do mesmo tipo.” Infelizmente essa mensagem teve vida breve e os banqueiros internacionais conseguiram instalar outro banco central em 1913; a Reserva Federal. E enquanto essa instituição existir, o endividamento perpétuo é inevitável.
Bom, até agora discutimos o fato real de que o dinheiro é criado de dívidas a partir de empréstimos. Estes empréstimos são baseados nas reservas de um banco, reservas originadas por depósitos. Através desse sistema de reservas fracionadas, qualquer depósito pode criar 9 vezes seu valor original. Por sua vez, a depreciação do dinheiro em circulação eleva os preços para a sociedade e, como todo esse dinheiro é criado a partir de dívidas e circula aleatoriamente através do comércio, as pessoas acabam distanciadas de sua dívida original. Existe um desequilíbrio quando pessoas são forçadas a competir por empregos a fim de obterem dinheiro suficiente do suprimento monetário, para cobrir seu custo de vida. Por mais defeituosos e distorcido que tudfo isso pareça, ainda falta um elemento que omitimos desta equação, e é esse elemento da estrutura que revela a natureza fraudulenta inerente ao sistema: A cobrança de juros.
Quando o governo toma dinheiro emprestado da Reserva Federal, ou quando uma pessoa toma empréstimo de um banco, ele quase sempre deve ser devolvido com juros pesados. Em outras palavras: Quase todos os dólares que existem, um dia terão de ser devolvidos a um banco, acrescido de juros. Porém, se todo o dinheiro é emprestado do Banco Central e expandidos pelos bancos comerciais através de empréstimos, somente o que chamamos de “principal” está sendo criado no suprimento de dinheiro. Então, onde está o dinheiro para cobrir os juros que são cobrados?
Em lugar nenhum. Ele não existe.
As ramificações disso são inacreditáveis, pois a quantia de dinheiro devida aos bancos SEMPRE será maior que a quantia de dinheiro em circulação. E é por isso que a inflação é uma constante na economia, pois o dinheiro novo é SEMPRE necessário para ajudar a cobrir o déficit embutido no sistema, causado pela necessidade de se pagar juros. Isso também significa que, matematicamente, a inadimplência e as falências são literalmente partes do sistema. E será sempre a parte mais pobre da sociedade que sofrerá com isso. Uma analogia seria a dança das cadeiras: Quando a música pára SEMPRE sobra alguém de fora.
E a idéia é essa: As riquezas verdadeiras são invariavelmente transferidas das pessoas para os bancos, pois se você não puder pagar sua hipoteca, eles tomarão sua propriedade. Isso é particularmente revoltante quando você percebe não só que a inadimplência é inevitável devido à prática de reservas fracionadas, mas também porque o dinheiro que o banco lhe emprestou, nem mesmo chegou a existir legalmente.
Em 1969, houve um caso na justiça de Minnessota envolvendo um homem chamado Jerome Daly, que estava recorrendo do arresto de sua casa pedido pelo banco que lhe cedeu empréstimo para comprá-la. Seu argumento era que o contrato de hipoteca exigia que AMBAS as partes, ele e o banco, possuíssem uma forma legítima de propriedade para transação. Em linguagem legal, isso é chamado de contraprestação. Um contrato baseia-se na prestação de uma parte à outra. O Sr. Daly explicou que, na verdade o dinheiro não era propriedade do banco, já que ele havia sido criado do nada, assim que o termo do empréstimo foi assinado.
Você lembra do que o “Mecânica moderna monetária” dizia sobre empréstimos?
O que eles fazem, quando oferecem empréstimos, é aceitar as notas promissórias em troca de créditos. As reservas não são alteradas pelas transações de empréstimo. Porém, créditos de depósitos são considerados como adições ao total de depósitos do sistema bancário. Ou seja: O dinheiro não vem dos bens que já existem. O banco está simplesmente inventando-o, sem criar nada que lhe pertença, exceto uma SUPOSTA responsabilidade no papel. À medida em que o caso evoluiu, o presidente do banco, o Sr. Morgan, prestou depoimento. E no memorando pessoal do juiz, ele registrou que: “O reclamante, presidente do banco, admitiu que, juntamente com o Banco da Reserva Federal, criaram o dinheiro e os créditos através de lançamentos nos livros-caixa. O dinheiro e o crédito passaram a existir quando eles os criaram.”
O Sr. Morgan admitiu que não havia lei ou estatuto nos EUA que lhe desse direito de fazer isso. Uma contraprestação legal precisa existir e ser oferecida para validar a nota. Disse o juiz: “ O júri concluiu que não havia contraprestação legal e estou de acordo.” “Somente Deus pode criar algo de valor a partir do nada.” Diante dessa revelação, a corte rejeitou o pedido de arresto feito pelo banco e Daly ficou com sua casa. As implicações dessa decisão judicial são imensas, pois sempre que você toma dinheiro emprestado de um banco, seja uma hipoteca ou um cartão de crédito, o dinheiro que eles lhe dão não só é FALSO, como também é uma forma ilegítima de contraprestação, o que portanto anula o contrato, uma vez que o banco NUNCA teve o dinheiro como sua propriedade.
Infelizmente esses acontecimentos são reprimidos e ignorados e o jogo perpétuo de transferência de riquezas e de dívidas continua. Isso nos leva à pergunta final: Por que?
Durante a Guerra Civil Americana, o presidente Lincoln rejeitou os empréstimos com altos juros oferecidos pelos bancos europeus e decidiu fazer o que os patriarcas fundadores defendiam, que era criar uma moeda independente e livre de dívidas. Isso foi chamado de “Greenback” (notas de dólar). Pouco depois de essa medida ser tomada, um documento interno circulou entre bancos americanos e ingleses, dizendo: “A escravidão é simplesmente a posse da mão-de-obra e exige cuidar dos trabalhadores, enquanto o plano europeu é que o capital controle a mão-de-obra controlando seus salários”. Isso pode ser feito controlando o dinheiro. Seria insuficiente permitir o Greenback, pois não podemos controla-lo. A política de reservas fracionadas praticada pela Reserva Federal, que se espalhou como prática da maioria dos bancos do mundo, é na verdade um sistema moderno de escravidão.
Pense nisso: O dinheiro é criado a partir de dívidas. O que as pessoas fazem quando possuem dívidas? Elas buscam empregos para poder pagá-las. Mas se o dinheiro só pode ser criado a partir de empréstimos, como a sociedade vai ficar livre de dívidas algum dia? ELA NÃO PODE e essa é a questão. E é o medo da perda de bens, junto com a luta para se manter com dívidas perpétuas e inflação como parte do sistema, compostos pela escassez inevitável característica da oferta de dinheiro, criados pelos juros que nunca poderão ser pagos, que mantém o escravo do salário na linha, correndo sem sair do lugar, com milhões de outros. Efetivamente, fortalecendo um império que só beneficia a elite no topo da pirâmide. No fim das contas, pra quem você realmente trabalha? Os bancos!
O dinheiro é criado no banco e acaba invariavelmente de volta ao banco. Eles são os verdadeiros senhores, junto com as corporações e GOVERNOS que os apóiam.
A escravidão física exige moradia e comida para os trabalhadores. A escravidão econômica exige que as pessoas consigam sua própria moradia e comida.
Esse é um dos ENGODOS mais engenhosos para a manipulação social já criados. EM SUA ESSÊNCIA ESTÁ UMA GUERRA INVISÍVEL CONTRA A POPULAÇÃO.
A dívida é a arma usada para conquistar e escravizar sociedades, e os juros são a munição principal.
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