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UE: Bruxelas prepara novo Plano Marshall para salvar moeda única
Por Rita Dantas Ferreira, iOnline
Comissão lança novo pacto para o crescimento no valor de 200 mil milhões de euros
Capitalizar o Banco Europeu de Investimento (BEI), recorrer à engenharia financeira ou criar uma agência europeia de infra–estruturas são algumas das propostas apresentadas pela União Europeia para estimular o crescimento económico na zona euro.
O projecto, conhecido como Pacto para o Crescimento, ou a Agenda para o Crescimento, como foi designado pela chanceler alemã, Angela Merkel, é apresentado pelo jornal “El País” como “uma espécie de Plano Marshall”, o mesmo que ajudou a recuperar a economia europeia após a Segunda Guerra Mundial.
Segundo o diário espanhol, esta designação já aparece em documentos oficiosos da União Europeia, num claro paralelismo com a situação de 1947, quando os Estados Unidos injectaram 13 mil milhões de dólares na economia europeia para esta não colapsar. Desta vez é a Comissão Europeia que pretende investir 200 mil milhões de euros para não deixar cair o euro nem a coesão.
O objectivo é fomentar investimentos públicos e privados em infra-estruturas, energias renováveis e tecnologias para ajudar os países mais castigados pela crise económica a reerguerem–se, promovendo políticas de crescimento, sem aumentar mais a dívida pública na zona euro. Portugal, Grécia e Irlanda são alguns dos países que encabeçam a lista de Bruxelas.
A Comissão deverá apresentar o programa na próxima cimeira. Uma das medidas visa recorrer à “engenharia financeira” para empreender projectos no valor de 200 mil milhões de euros, através de eurobonds para financiar investimentos.
Com o intuito de salvar a moeda única, a União Europeia poderá ainda optar por outras vias de financiamento. A primeira, que já recebeu a concordância da Alemanha, passa por pedir aos países para injectarem mais 10 mil milhões de euros no Banco Europeu de Investimentos (BEI), utilizando-se esta instituição também como motor de crescimento e criação de postos de trabalho.
O BEI foi criado especificamente para financiar projectos europeus mas corre o risco de ver cortada a nota máxima concedida pelas agências de rating. Neste momento, tem estado a reduzir o número de empréstimos que concede. Angela Merkel, que tem sido alvo de duras críticas pelas medidas de austeridade impostas na zona euro, tenta assim salvar a face. O país conseguiu manter-se à margem da espiral recessiva, com uma taxa de desemprego de cerca de 7%. Mas o abrir as portas à intervenção do BEI para minorar os efeitos da recessão pode trazer-lhe alguma simpatia. A agenda de crescimento surge um dia depois de a chanceler ter declarado “inegociável” o Pacto Fiscal, assinado pelos 25 líderes europeus em Março.
A segunda opção poderá passar pela utilização de cerca de 12 mil milhões de euros do Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira. Mas o programa da Comissão Europeia coloca uma condição: os investimentos não podem custar muito dinheiro. As decisões serão discutidas após as eleições francesas, agendadas para 6 de Maio.
Fonte: iOnline
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