Por Almeida
O progresso técnico tem limites. O tecno-otimismo, a crença baseada em certeza futura de tecnologias salvadoras, é uma ideologia ingênua e imprudente. Não se pode projetar com a possibilidade, mas sim com as tecnologias reais e concretas em operação. Não se sabe em que prazo estarão disponíveis, as tecnologias “revolucionárias” ansiadas pelos otimistas, nem se tem qualquer certeza de viabilidade econômica efetiva. Muitas das tecnologias atuais estão muito próximas do rendimento máximo possível, de modo que não poderemos esperar no futuro, melhorias significativas de rendimento em seus campos de aplicação. Vamos a exemplos.
As taxas de crescimento da produtividade agrícola estão em declínio:

O declínio acontece, apesar do crescimento do emprego de insumos obtidos de recursos não-renováveis:

O teor dos minérios em exploração também declinam; dos minério usados para insumos agrícolas e dos empregados na obtenção de metais. Na tabela abaixo, vemos o caso do cobre, hoje é necessário processar 40% a mais de minério do que se fazia antes, há quinze anos atrás.

Os procedimentos para processar matéria prima de baixa qualidade demandam mais energia. Mas também ocorre que os recursos que ofertam a maioria da energia, mais de 90 % da consumida, são obtidos em processos que também demandam cada vez mais energia, ou seja, a energia líquida obtida está em declínio. Estima-se que há sessenta anos, para uma unidade de energia empregada, obtinha-se cinquenta num campo de petróleo no Texas; hoje, nas areias betuminosas do Canadá, a proporção é de um para quatro; significa que cem barris do Texas, de sessenta anos atrás, valeriam hoje uns cento e trinta de Alberta, Canadá, em termos de energia líquida, o que é uma realidade por trás da estatística ilusória. Em resumo, convergem tendências contraditórias, de um lado o declínio de energia líquida retirada da natureza, menos energia efetiva portanto, de outro a demanda crescente de energia para obter, a mesma soma de um recurso da natureza; o impasse resultará em estancamento e queda produtiva em todas atividades econômicas, em especial na agricultura.
Podemos prosseguir com outros exemplos, como o caso, gravíssimo, de esgotamento de solos, dos esgotamentos de água potável, de pescados, biodiversidade, etc. Tudo isto indica limites que vamos defrontar, alguns bastante próximos, já neste século. Será um confronto de consequências tenebrosas, não dá para brincar de ficção tenológica com futuro da humanidade; frente a esses limites, toda prudência é necessária. O tecno-otimista funciona como um médico que avia receitas futuras; se o paciente tem uma predisposição a doença cardíaca, em vez de recomendar dietas, mudanças de hábitos e rotinas para prevenção, ele incentiva o paciente a prosseguir com os maus hábitos e dá uma receita, de um possível medicamento que surgirá, em algum momento nebuloso do futuro e, provavelmente, se chegar, depois do infarto antecipado bastante, pela imprudência com as péssimas dietas e maus hábitos.
Na atualidade, diante dos fatos apurados pela ciência, o crescei-e-multiplicai tornou-se uma ideologia genocida; outra, que prossegue no mesmo caminho, é o mito do desenvolvimento herdado da sociedade industrial, principalmente o que dá ênfase à expansão infinda das mercadorias, daqueles que acreditam que poderemos estender, o padrão american way of life para toda humanidade; não conseguimos hoje sequer para um quinto desta, mesmo assim, até quando?
A prudência reclama uma alteração radical de curso, uma vacilação por um reformismo de meio termo resulta pura perda de tempo, que terá de ser compensada, por medidas mais radicais em seguida. Os prazos se esgotam na velocidade dos recursos, em uma sociedade cada vez mais voraz nos desperdícios deles. Temos de aproveitar os recursos existentes e disponíveis, para a transição de uma nova economia, voltada para a persistência da humanidade e eticamente solidária com as gerações futuras.
Ivan Bispo
26 de janeiro de 2014 1:03 pmIRRIGAÇÃO
Numa mesma área utilizando a irrigação se produz muito mais. Onde ocorreu o declicnio da produtividade da agricultura? Em todas as áreas agrícolas a produtividade só fez aumentar nos útlimos anos. Na irrigação se utiliza menos água, portanto menos energia, do que há vinte anos atrás.
Almeida
26 de janeiro de 2014 2:07 pmLeia com atenção.
“As TAXAS de crescimento da produtividade agrícola ESTÃO em declínio”.
Se estivesse falando da produtividade, o verbo estaria no singular. O que o gráfico mostra é que o crescimento da produtividade tende a zero, ou seja, a produtividade está próxima do máximo, pois a partir do momento em que a taxa de crescimento da produtividade é zero, ela não crescerá mais, chegou ao seu limite máximo. A curva descrita no gráfico é, em termos matemáticos, das derivadas da curva de crescimento da produtividade; significa que os efeitos da chamada Revolução Verde estão no apogeu.
Obelix
26 de janeiro de 2014 1:36 pmSobre receitas e dietas.
Prezados e prezadas,
Não vou me estender na contra-argumentação do texto, basta uma leitura atenta de Os Enigmas do Capital, de David Harvey, que desmonta uma a uma as teses de que os limites energéticos e das fontes de recursos naturais (solo, água, etc) funcionariam como uma barreira intransponível a acumulação capitalista.
No livro, ele desarticula a tese do pico do ciclo do petróleo, e revela como isto funciona mais para a criação de um mercado futuro de espeulação desta comodittie. Como para todas as demais.
Bem como indica que o esgotamento das tecnologias atuais de exploração dos recursos e a assunção de outras tecnologias (revolucionárias ou que o texto coloca como “hipotéticas”) é a própria essência do capitalismo, e que esta agenda eco-militante não tem nada a ver com a luta anticapitalista, pelo menos não como eixo central dela.
As teses preservacionistas, ou reducionistas, só articulam conceitos que mantêm os países mais pobres sempre distantes do nível de consumo já alcançado pelos países ricos.
Mas para quem se interessar, a explicação do geógrafo está, se me recordo, entre a página 60 e 96.
Usando a analogia do texto, é como um médico que atende alguém que deseja mudar de sexo (do “sexo capitalista” para o “sexo anticapitalista”), e o médico lhe recomenda a dieta para os problemas do coração para que ele viva mais.
Ou seja, não queremos um capitalismo de “dieta”, onde os ricos continuarão com a melhor parte do cardápio.
É engraçado como setores que se reivindicam de “esquerda” podem cair nestas receitas-armadilha ambientalistas, ou de outros temas setoriais, como os LGBTalebãs.
Saudações a todos.
Almeida
26 de janeiro de 2014 8:09 pmSobre a estupidez humana.
Sacal/Morgana de Programa/Maga Patológica,
Eisntein teria observado que tudo tem limites, excecto o Universo e a estupidez humana, mas ele não estava convicto do primeiro. Mais tarde os astrofísicos confirmaram a suspeita de Eisntein sobre o Universo, os tecno-otimistas confirmam sua certeza, você é uma prova viva da estupidez mais idiotizada possível, é o estúpido que procura demonstrar sua ignorância com empáfia.
“basta uma leitura atenta de Os Enigmas do Capital, de David Harvey…”
Virou sua bíblia, é? De tanto você citá-lo, todos aqui no blog já sabem que você anda lendo esse livro. Já terminou de ler as orelhas?
“No livro, ele desarticula a tese do pico do ciclo do petróleo, e revela como isto funciona mais para a criação de um mercado futuro de espeulação desta comodittie”.
Que autoridade científica ou vivência no mundo do petróleo ele tem, para “desarticular” o conhecimento retirado da prática de exploração de petróleo? O Pico do Petróleo não é uma “tese” ou “teoria”, é um fenômeno observável que atinge todo campo maduro de exploração petróleo. Os gigantescos campos do Mar do Norte e El Cantarell, o segundo maior do mundo e localizado no México, experimentam a decadência após passarem do pico produtivo. Por conta da queda do Mar do Norte, o Reino Unido passou da condição de exportador para a de importador de petróleo; devido à decadência de El Cantarell, o México reduziu à metade suas exportações de óleo.
O petróleo é um recurso finito na natureza, significa que, submetido à exploração intensa, um dia ele acaba. Em dois momentos, a curva que vai descrever a produção de petróleo efetivada passará por zero; no início da extração e no seu final; como a curva representa uma série de valores positivos, um deles será o máximo denominado de pico.
Se for verdade que “a tese do pico do ciclo do petróleo” serve, para os interesses especulativos do mercado futuro e como esses interesses são muito poderosos – petróleo é a principal comodittie e está no epicentro da geopolítica – então veríamos diariamente, nas manchetes, nos artigos dos quinta colunistas econômicos, notícias do pico do petróleo. Você já viu alguma matéria, nos grandes meios de comunicação, sobre o Pico do Petróleo, que não fosse para desdenhar ou desmentir? Mesmo assim essas matérias aparecem sem muita evidência, perdidas no interior dos cadernos ou em programas de baixa audiência.
“… assunção de outras tecnologias (revolucionárias ou que o texto coloca como “hipotéticas”) é a própria essência do capitalismo”
Aponte uma tecnologia revolucionária, com capacidade de substituir as fontes não renováveis de energia, que representam hoje 95 % da oferta mundial de energia? Diga em que prazo isto entrará em operação comercial? O capitalismo produz tecnologia mas não produz milagres.
Se você for ao texto, verá que critico “o mito do desenvolvimento herdado da sociedade industrial”. Celso Furtado, o teórico maior do nosso desenvolvimentismo, abordou o tema num ensaio em meados dos 1970 – recomendo. Minha crítica dá ênfase para a sociedade das mercadorias, mas vale também para a fórmula “soviete mais eletricidade”, que animou o socialismo real; a falecida URSS foi palco de imensos cataclismas ecológicos, como Tchernobil e a tragédia do Mar de Aral. A China é outro exemplo onde a burocracia do PCCh persegue a quimera do “desenvolvimento”; queima a metade do carvão consumido no mundo, suas cidades industriais estão mergulhadas em “smog”.
A ficha que não caiu de certos marxistas, Harvey parece estar entre eles, é de que o capitalismo possui limites além dos financeiros. Não conseguem entender que a atividade produtiva humana se realiza, num mundo material finito; que além das relações entre os homens, a produção envolve a relação dos homens com a natureza. Marx tinha essa última percepção e a abordou de modo periférico em seus estudos, não a desenvolveu com maior profundidade, até porque em sua época não havia acúmulo científico para tanto; a palavra ecologia, por exemplo, foi formulada por Haeckel, no âmbito restrito da Biologia, quando Marx ainda preparava o primeiro livro d’O Capital. Marxistas atuais, como Bellamy Foster, Michael Löwy, entre outros, esforçam-se para superarem essa lacuna no campo marxista, numa insistência meio dogmática de “que Marx previu tudo”; outros, como Rui Namorado Rosa, reconhecem que existe a lacuna nos escritos de Marx e procuram incorporar à análise marxista, contribuições externas ao marxismo posteriores a Marx e de cunho materialista, o que o próprio Marx faria se tivesse conhecimento delas.
“As teses preservacionistas, ou reducionistas, só articulam conceitos que mantêm os países mais pobres sempre distantes do nível de consumo já alcançado pelos países ricos”.
Explica porque os países centrais exportaram suas indústrias, principalmente as mais poluidoras e capitais, para a periferia? Se eles não estão interessados no “desenvolvimento” dos periféricos, por que não param de exportar capital para a periferia? O agronegócio que está devastando a Amazônia é dominado, pelas grandes multinacionais que o explora, mas os “desenvolvimentistas” veem os ambientalistas, como agentes dos países sedes dessas multinacionais; acusam-nos de atuarmos financiados pelos capitais que faturam, literalmente, horrores com a predação do ambiental. A tática é simplista, trata-se de uma aliança dos “desenvolvimentistas” com as multinacionais, que apelam para o nacionalismo patrioteiro, o último refúgio dos canalhas, para isolar politicamente aqueles que erguem a bandeira das restrições ambientais, sob o argumento de que os investímentos trarão mais emprego, “desenvolvimento”, etc. Assim as multinacionais conseguem licenças e derubam as restrições, com a ajuda de figuras tristes, como a do comunista transgênico Aldo Rebelo, que se prestou a favores ao latifúndio e o imperialismo das multinacionais, dois inimigos mortais dos verdadeiros comunistas, ao encaminhar o código florestal.
“Ou seja, não queremos um capitalismo de “dieta”, onde os ricos continuarão com a melhor parte do cardápio”.
Quem está propondo isto, de que os ricos fiquem com a melhor parte? Até agora só você levantou tal coisa.
“É engraçado como setores que se reivindicam de “esquerda” podem cair nestas receitas-armadilha ambientalistas…”
Todos partidos do campo civilizado possui nos seu programas bandeiras da ecologia. Leia o programa do seu partido, o PT, que você encontrará essas cláusulas lá, mas ele não as cumpre, assim como as questões LGBT e muitas outras; prefere sacrificar pontos programáticos em alianças espúrias, por mero eleitoralismo e projetos de perpetuação no poder pelo poder. O ambientalismo tornou-se um tema vital para a civilização; somente concepções trogloditas, arraigadas em noções de progresso do século XIX, comportam-se de modo reacionário ao tema.
O que é “progresso” ou “desenvolvimento”? Será que se resume ao crescimento da produção de mercadorias, aos números do PIB? Os brasileiros têm dobro da renda per capita dos cubanos, em Cuba não há “xópim” para dar um rolê, no entanto, os cubanos têm uma educação mais universal do que os brasileiros, vivem mais, têm mais saúde e, para nossa vergonha de país dito mais “desenvolvido”, exportam médicos para cá.
Por último, vou lhe expor um dilema, sei que você tem dificuldades com a aritmética, mas pode pedir ajuda que eu vou auxiliá-lo. Com cerca de 4,5 % da população mundial, o EUA consome 19,8 % do petróleo do mundo; a China consome 11,7 %, com 19,3 % da população mundial.
O que aconteceria se os chineses tivessem o mesmo padrão de consumo dos americanos? E se o padrão do american way of life fosse estendido para toda humanidade, quantos planetas a mais seriam necessários?
Sacal, você é um garotão muito novo para ficar preso a teses desenvolvimentistas dos anos 1950, quando nem era nascido. Naquela década surgiram as primeiras evidências do impacto negativos das atividades industriais. As análises científicas que começaram a ser produzidas trouxeram esclarecimentos, sobre os fatos graves observados. Em Londres, a ocorrência de um “smog”, um fenômeno de reversão térmica, o “fog”, associado com a fumaça das chaminés industriais, causou uma epidemia de doenças respiratórias que levou a quatro mil mortes; houve o episódios da baia de Minamata, no Japão, a descoberta dos efeitos nocivos do DDT; o Departamento de estado americano fez a primeira avaliação dos recursos de matéria prima em escala mundial e chegou a conclusões preocupantes. Entenda, essa discussão não pode ser reduzida ao terreno simplório das polaridades partidárias, ou das concepções estreitas do nacionalismo patrioteiro. O ambientalismo é o grande desafio do presente século.
Saudações.
Obelix
26 de janeiro de 2014 11:53 pmSobre a estupidez do Almeida.
(des) Prezado Almeida,
Alguém que começa um comentário, ainda que não lhe tenha sido dirigida a palavra, com os termos utilizados por você não merece respeito e sequer atenção.
Neste nível aí rasteiro você é invencível, reconheço.
Dá pena de imaginar que você só reconheça as falácias do mito do pico do petróleo se houvesse uma verbalização da mídia diretamente no assunto.
Para um suposto anticapitalista que acuse tudo e a todos de fraude, se guiar pelo que diz a mídia parece um discurso, no mínimo, contraditório.
Ou seja, nosso (des) prezado Almeida não consegue compreender que a pressão por esta pauta alarmista se coloca da dimensão do lobby pró energias alternativas, que conseguiram até o descalabro de voltarmos a usar a terra como fonte de combustível (como a biomassa, crítica feita por Harvey), fato que, de verdade, ameaça a Humanidade pela ocupação de espaço para produção de comida.
Resumindo: a pauta do pico do petróleo já foi sedimentada de tal modo, que não precisa de discursos explícitos repetidos. Ela está em cada propaganda pelo “consumo consciente”, ou da “finitude dos recursos naturais”, ou nos “riscos do efeito estufa e do aumento de temperatura”.
É necessário dizer que estes riscos são plausíveis, mas imaginar que vamos fazer o enfrentamento anticapitalista cumprindo uma agenda conservacionista é uma distância enorme.
Eu fico a imaginar como um tolo pode dizer que não há um mito econômico na questão, quando um barril custa de 10 a 30 dólares de produção e vale mais que 100 dólares há dez anos ou mais, considerando quase uma década de crescimento médio vegetativo do mundo, o que tenderia a baixar os preços.
Outra tolice é desprezar o fato que como insumo estratégico, alguns países como a Inglaterra passam a explorar reservas externas, como na África, preferindo “comprar estas reservas” e “importá-las” a usar as reservas nacionais. Em suma: as informações que detemos sobre o uso da energia carbono nunca são confiáveis, pois esta informação é ativo tão ou mais importante que o petróleo em si.
No entanto, a verdade é que o capitalismo não inovou em energia porque o petróleo ainda é um ótimo negócio, e mais ainda, é melhor negócio dizer que ele está perto de acabar.
Que as reservas se esgotarão? Óbvio, mas o flanco capitalista não é sua capacidade de reinventar tecnologias para geração de energia.
Mas o (des)prezado Almeida se esquece da disputa pelo polo norte, onde a Rússia larga na frente (tem tecnologia infinitamente superior, por causa de sua condição climática e posição geográfica), e os EEUU estão “chupando dedos”, mandando idiotas do Greenpeace servirem de bucha de canhão, e para que tentem criar “incômodos morais” na exploração daquele espaço.
Os ecochatos esquecem da África, pré-sal, e agora até dos estudos geológicos da Petrobrás em terras brasileiras, em frente a plataforma continental da Bacia de Campos, com possibilidade de petróleo em terra.
Enfim, o petróleo é energia para 100 ou 150 anos, no mínimo, mas eventuais disputas, se levadas ao extremo se resolvem como todas as outras: conflito armado.
Mas tenho que ter “cuidado”, pois ao dizer isto posso ser chamado de “capitalista expansionista”, ou pan-desenvolvimentista-brasilianista…mas quem se importa? Eu não.
Quanto às escolhas geográficas do capitalismo para a transferência dos seus esforços produtivos, o (des) prezado almeida descreve o fenômeno e coloca como se eu concordasse com ele.
Bem, se ele não sabe a explicação, vamos tentar: Tratam-se de novas fronteiras de acumulação composta exportando a parte “suja” da produção, todos sabemos disto.
Mas o que fazer? Deixar a população sem empregos e sem comida enquanto o “novo tempo não vem”?
Parece claro (menos para o (des)prezado almeida) que a realidade e suas contradições nos colocam os desafios de superá-la, e uma idealização estúpida, ou um “o que deveria ser”, não respondem aos dilemas que esta realidade apresenta.
Para não me alongar neste bla-bla-bla inútil é bom dizer que Harvey e outros enxergam a dimensão para além do economicismo capitalista, e propõem uma visão geográfica do capitalismo, e com boas teses desmontam a relevância do ambientalismo que deseja se colocar como a ponta de lança da luta anticapitalista.
Ao contrário do que disse o (des)prezado, estes marxistas não descartam um viés ambientalista na aliança que se deseja para superar o capitalismo, só não aceitam a tese de que é deste setor que virá a liderança conceitual e pragmática desta luta, tanto por sua limitação de abordagem dos problemas econômicos e geográficos (e até culturais), como pela sua contradição de funcionarem também como correia de transmissão de interesses que dizem querer combater.
Agora me respondam os colegas do blog, como dizer que Harvey tem ou não tem “autoridade” para escrever algo? Bem, só escrevendo mais e melhor que ele, ou seja, provando que ele não tem razão.
Ou Celso Furtado? Como dizer que ele é demodé?
Chamar Aldo Rebelo e sua história de comunista transgênico? Quantos votos ele teve? Serão seus eleitores todos uns idiotas? O que é representatividade? Será que é só aquilo que o (des)prezado disser que é?
Alguém conhece algum livro do Almeida?
Quantos votos ele teve na última eleição?
Aliás, quem é Almeida mesmo?
Ele é aquele cara estranho que usa um computador de bateria de lítio, altamente poluente, plugado em uma tomada que lhe fornece energia de uma hidrelétrica, material que certamente será descartado em algum aterro sanitário sem tratamento, e que nos prega que devemos voltar a andar de carruagens ou a usar lâmpadas de óleo de baleia (ops, de baleia não!).
Pobre coitado.
Almeida
27 de janeiro de 2014 5:32 amSua desonestidade intelectual revela seu mau caráter.
Você distorce palavras do oponente, para afirmar sua posições tolas. O que disse sobre Harvey é o fato, de que ele não é um pesquisador na área do petróleo, para ser tomado como autoridade, na negação de fenômeno observado em campos de petróleo; a segunda observação que fiz é a de que ele, assim como alguns outros marxistas, desprezam a crise da base material de produção, dada hoje pela natureza. A fantástica capacidade produtiva do capitalismo repousa, nos imensos recursos energéticos que movem seu aparato tecnológico, o que lhe permite inclusive substituir trabalho pela energia, aumentando a “produtividade” obtida do trabalhador que permanece empregado. Nenhuma dessas observações diminui seu trabalho intelectual, pelo contrário, acrescenta para que seus livros sejam absorvidos de forma crítica, não dogmática.
Uma crise da base material trava qualquer sistema econômico que se erga sobre ela. Em dois séculos e meio de exploração de combustíveis fósseis, o capitalismo, aos trancos e barrancos de suas crises, pode evoluir em ciclos de produção crescente, o que lhe facilitava a superação de suas crises. Um cenário de produção limite, estancada, que não pode materialmente ser superada, pelas condições limitantes da natureza, e corre risco de retroceder, é um cenário preocupante, uma situação inusitada na história, em que não está em jogo apenas o destino dos capitalistas.
De modo algum a pauta do Pico do Petróleo está sedimentada, até porque ela nunca foi amplamente pautada e discutida pela sociedade. Não acho o Pico do Petróleo um mito, nem que seja falácia, esta é sua opinião; já é uma realidade (reconhecida pela AIE) para os chamados petróleos convencionais (baratos), desde a década passada (2006, se não me falha a memória), e está na base explicativa para a disparada de preços. Jevons, em seu trabalho sobre as minas de carvão na Inglaterra, demonstrou que o preço do carvão era dado pela mina menos eficiente que sustenta a demanda; se os preços caem, esta mina fecha, a oferta cai e a demanda puxa os preços que irão reabri-la. Os preços altos do petróleo não se explicam somente pela especulação, mas pela necessidade de oferta de petróleos vindos de explorações mais caras, tipo águas ultra-profundas (Pré-sal), areias betuminosas, tight oil, etc.
O preço de um barril de petróleo não se resume ao seu custo de extração, que cobre os investimentos para sua exploração; há de se acrescentar o custo do estado que dá garantia a essa exploração; por exemplo, o custo da monarquia saudita, com seus quinze mil príncipes e seu aparato militar repressivo. Há três anos o preço estabilizou-se acima dos cem dólares, para viabilizar os petróleos caros; se houver necessidade de petróleos ainda mais caros ou extremamente caros (petróleo polar), para equilibrar oferta e demanda, os preços subirão. A dúvida reside em dois pontos; na capacidade dessas novas fontes de petróleos caros suprirem a decadência dos óleos convencionais restantes; no preço máximo que do custo da energia, onipresente em todas atividades produtivas, que a economia pode suportar.
Sobre Aldo Rebelo, acho que ele e seu partido tomaram um rumo patético, no episódio do código florestal; fico triste em ver o PT e outras pessoas na esquerda seguirem no mesmo rumo; voto e “representatividade” não tem muito significado para mim; Maluf tinha, e ainda tem, votos, Sarney, idem, Collor, Renan, só para ficar em alguns da cena atual brasileira.
Volto a insistir, o homem é um animal, um ser biológico vivente, nesta condição ele não pode prescindir de um habitat, possui uma ecologia própria; se lhe destroem o habitat, o animal se extingue. O capitalismo promove, com sua economia predatória, de desperdícios, uma ameaça ao habitat humano. A economia, as regras que comandam as relações humanas de produção, tem de ser entendida como um sub-conjunto da ecologia humana, das relações de equilíbrio das sociedades com o meio ambiente. O ambientalismo não pode ser tomado como questão “tática” das lutas anticapitalistas, para alianças pontuais aqui e acolá; ele tem de ter centralidade, não dá para ficar nessa de ignorá-la, de aceitar concessões ao realismo político que o sacrifica, para se aliar a latifundiários e multinacionais de mineração e agronegócios.
Em tempo: não afirmei que Celso Furtado é demodé, acho atualíssimo, tanto que fiz a recomendação do seu “O mito do desenvolvimento”.
Rekern
26 de janeiro de 2014 1:37 pmA necessidade é a mãe da invenção e avó da evolução
Os metais aos serão aos poucos substituídos por novos tipos de plásticos e o que produzimos atualmente na agricultura já dá para alimentar o mundo, com a queda de natalidade que se aproxima tudo vai empatar. Te lembras quando a fórmula Malthus assombrava o mundo científico e páginas de jornais. A necessidade é a mãe da invenção e avó da evolução.
Almeida
26 de janeiro de 2014 2:16 pmSobre substituições.
Explique-me como será possível a substituição, por exemplo, do Fósforo na agricultura. sou péssimo em conhecimentos de Biologia, você conhece algum elemento que possa realizar tal substituição?
Obelix
26 de janeiro de 2014 2:58 pmEparrê, Iansã.
Prezado Rekerner,
E esta noção não está adstrita ou resumida ao sistema capitalista, porque todas as grandes dificuldades econômicas, tecnológicas, demográficas e até culturais, levaram o invento humano a superação.
De certo nenhum outro sistema produtivo foi tão longe nesta concepção do que o capitalismo, que hoje vive baseado em sua própria obsolescência.
Se o fósforo acaba, inventam plantas geneticamente modificadas que prescindem de fósforo.
Daí que é ingênuo supor que a queda de produtividade de uma determinada forma de produção conhecida não vá gerar outras formas de produção agregadas com novas teconologias que possibilitem a mantuenção da acumulação composta, que aliás cresce na mesma proporção das curvas demográficas, embora seja prematuro estabelecer uma relação de causa e efeito entre elas, mas já é o suficiente para dizer-nos que a lógica mais gente mais dificuldades para a produção capitalista é furada.
A descrição central do problema, o paradoxo central do capitalismo não é, caro Rekerner, o esgotamento de recursos, salvo em raríssimas ocasiões, que nem têm relevância estatística ou fenomenológica, mas sim a concentração de riqueza em escala brutal a partir de sofisticação tecnológica verticalizada.
Veja você que o chamado pico do petróleo é revisto a casa ciclo de inovação tecnológica do setor, que revela mais a mais reservas disponíveis, embora com agregação de custo (o que não mal para os investidores e capitalistas da cadeia energética, que disponibilizam estes custos sob novos produtos), e que derrubam as expectativas de esgotamento da fonte.
A tese do fim da era do carbono só serviu para criar um enorme mercado de derivativos deste setor, e manter preços artificialmente inflados, e a matéria-prima como motivo geopolítico de intervenção.
Haverá um limite para os recursos? É possível, mas estas “teses” estão longe de oferecer um cenário seguro de prognósticos ou mesmo de diagnóstico, e servem mais a restrição da distribuição mais equânime destes recursos e seus benefícios (conforto) que para melhoria estratégica de vida das pessoas.
Não é à toa que estas “teses” são copiosamente patrocinadas nos centros da economia mundial, e macaqueadas por aqui pelos seus correspondentes periféricos.
Estes “estudos” têm um peso parecido (salvo raras exceções) com a quiromancia ou jogar búzios.
Saudações.
Almeida
26 de janeiro de 2014 8:20 pm“… inventam plantas que prescindem do fósforo”
Acho que você consome tal tipo de planta, se é que existe, pois mostra uma ausência total de fosfato no cérebro. Volta pra escola, Sacal, e não mate mais as aulas de biologia. O fósforo é vital para as plantas. Você é tão idiota, que joguei a casca de banana para o Rekern e você correu para pisar nela e estabacar. Repito, você é prova viva da estupidez humana, a pior forma de estúpido, aqueles que se empinam na empáfia para demonstrarem sua imensa ignorância. Vai se tratar, vai, Sacal. Não esqueça de tomar fosfato.
As Funções do Fósforo para as Plantas
O fósforo (P) é um dos dezesseis elementos essenciais à nutrição das plantas e um dos três macronutrientes primários. É absorvido do solo através das raízes nas formas de íons H2PO4= e HPO4-. O fósforo apresenta problemas de limitação nos solos por causa da “fixação”, tornando-o indisponível para as plantas. Embora os solos tenham uma certa quantidade de fósforo, uma fração pequena é absorvida pelas culturas.
O fósforo é um componente vital da célula. Sem fósforo não há vida.
Continua aqui: http://agronomiacomgismonti.blogspot.com.br/2010/04/as-funcoes-do-fosforo-para-as-plantas.html
PS: Você “critica” o capitalismo, mas se mostra um ferrenho defensor deste, defende uma tese de que o capitalismo promove milagres; e não se trata de um milagrezinho qualquer, mas de um que os religiosos só atribuem a Jeová, o poder de gerar uma nova forma de vida na Terra, um novo reino vegetal de plantas desfosfatadas.
Obelix
26 de janeiro de 2014 11:06 pmSobrenatural de Almeida.
(des)Prezado Almeida,
Como você não conseguiu minha atenção aqui, levou seu “notório” saber sobre fósforo e plantas para o post da Copa.
Tudo bem, querido, eu lhe dou atenção.
Vou falar bem devagar, e só uma vez:
01- Não entendo nada de plantas de seus nutrientes, e nem preciso. O exemplo hipotético dado por mim é que o limite tecnológico nunca foi um limite verdadeiro para a Humanidade, e muito menos para a Humanidade capitalista. Se não houver fósforo, e se não houver plantas geneticamente modificadas que prescindam dele, haverá outras formas de alimentar a população.
02- Os limites declarados da tecnologia, com os quais eu concordo, e não disse nada em contrário do meu comentário, não são barreiras ao capitalismo, NUNCA FORAM;
03- Sua confusão mental é tamanha que confunde minha descrição sobre os fenômenos capitalistas com a defesa do sistema. Ao contrário de sua fé anticapitalista preservacionista, eu não imagino que o capitalismo seja capaz de gerar milagres, eles os faz, só que concentra os benefícios para poucos.
Eu não imaginaria a possibilidade de clonar outros seres, ou de viagens espaciais ou mesmo deste “milagre” chamado internet onde um bocó como você pode vociferar vitupérios à esmo sem ser desmascarado (pelo menos imagina que sim).
Você deve defender algum tipo de ludismo tardio, eu compreendo.
Faça o seguinte: leia o que eu te propus e depois comente. Se precisar, mande seu endereço e eu te dou o livro do David Harvey de presente, caso queira comprar por você mesmo, é da Editora Boitempo, inclusive eles estão republicando a obra toda do geógrafo, saiu também Os Limites do Capital, mas este eu não tive coragem ainda porque é um pouco denso demais para minha pouca capacidade.
Mas quem sabe você se aventura, entende e nos explica, ó poderoso sábio!
Passe bem filho, quem está precisando de tratamento é você, mas no seu caso parece ser lítio ou ritalina.
Almeida
27 de janeiro de 2014 5:06 am“Prezado”
Agradeço a oferta do livro, tenho uma fila de leituras mais ou menos programada, se puder encaixá-la, conto com amigos aqui nas proximidades, que já me ofereceram em empréstimo, não precisa se dar ao trabalho de enviá-lo.
Tecnologia é algo contruído socialmente, não é neutra ao sistema que a constituiu; possui alta carga de ideologia. Quando seu projetistas “técnicos” decidem pelo modelo tecnológico a adotar, eles fazem mediante um elenco de considerações, sobre as circunstâncias econômicas e sociais onde o aparato será aplicado. Aprendi isto ao ler os trabalhos de Henrique Rattner, que também recomendo.
Mas não dá para estudar tecnologia apenas munido de ferramentas da economia e das ciências sociais. Um certo embasamento das ciências da natureza é fundamental, para não ficar imaginando coisas absurdas e irrealizáveis, como o besteirol sobre as plantas que você cometeu. As ciências da natureza é que nos mostram as limitações da tecnologia. Foi esse o tema que procurei abordar em ‘O Pessimismo Prudente’, a falácia de um otimismo tecnológico redentor, remetido a uma esperança futura que cabe perguntar: e se não der certo?
O prazo, que os mais otimistas apontam para a chegada do pico do petróleo, é dentro de uma geração, que é muito curto em tempos históricos; não há nada a vista para fazer a substituição, nesse espaço de tempo a humanidade terá mais um bilhão e meio de bocas para alimentar, que se somarão ao bilhão que já anda faminto. Se não mudarmos o rumo, acreditando que a tecnologia é nossa deusa, nada nos faltará, repito: e se não der?
Jim Jones
27 de janeiro de 2014 12:35 amSíndrome de Tourette
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_Tourette
A síndrome de Tourette ou síndrome de la Tourette,1 também referida como SGT ou ST, é uma desordem neurológica ou neuroquímica
…
“Outros aspectos psicodinâmicos e comportamentais relativamente comuns na ST, como os comportamentos opositivos, agressivos, regressivos,
…
além de outros sintomas de Tourette, veem-se obrigados a repetir palavras obscenas e/ou insultos
—————
Almeida
26 de janeiro de 2014 10:11 pmRekern,
Escrevi o texto para alertar sobre os limites da tecnologia. Ela não pode ser tomada, como uma deusa milagreira que vai acudir a humanidade, nos seus grandes desafios; nem sempre a necessidade pare suas soluções, é por isso que as criaturas sucumbem; o mundo está cheio de necessitados, aos quais falta tudo, e necessitados continuam, sem que suas necessidades gerem soluções. Não podemos atribuir um juízo de valor para a evolução e achar que ela só acontece no sentido que achamos positivo.
Você fala de plásticos substituindo os metais, mas, de onde viriam os plásticos, se o petróleo tem o esgotamento previsto para ocorrer antes dos metais? O cobre cumpre excelentes funções como condutor elétrico, não conheço nenhum plástico que cumpra tal função, ao contrário, eles são bons materiais isolantes, péssimos condutores.
Existe queda de natalidade, mas a humanidade deve alcançar onze bilhões de criaturas, até o final deste século, quando a soma de todas as reservas de combustíveis fósseis conhecidas estariam queimadas, se fosse possível explorá-las no ritmo em que as exploramos hoje. Não dispomos de muito tempo, dentro de uma geração, os impasses ecológicos mostrarão seus efeitos de forma mais radical; já existem conflitos por água potável, o número de refugiados por causa ambientais já é maior do que os de guerra, sem que as guerras tenham diminuído,pelo contrário.
Quanto a Malthus, eu não me lembro muito da repercussão, não; ele escreveu seu ensaio há mais de duzentos anos e eu ando meio esquecido. (brincadeira) Mas nós temos de tomar Malthus, não como um xingamento, um palavrão, mas como um teórico a mais, com contribuições que podem ser incorporadas pela corrente de análise materialista da economia.
Fernando J.
26 de janeiro de 2014 4:05 pmSamba do Malthusiano doido.
Samba do Malthusiano doido.
Almeida
26 de janeiro de 2014 8:13 pmSe você tem capacidade,
para redigir mais coisas além de xingamentos, por favor, expresse suas discordâncias sobre o texto postado.
Fernando J.
26 de janeiro de 2014 11:57 pmThis comment has been deleted.
Fernando J.
27 de janeiro de 2014 12:02 amDe onde vc tirou isso? de uma
De onde vc tirou isso? de uma ONG apocalíptica do sétimo dia?
Almeida
27 de janeiro de 2014 7:20 amPelo jeito,
Você só demonstra capacidade de redigir xingamentos e comentariozinhos cretinos.
Jim Jones
26 de janeiro de 2014 11:37 pmO fim está próximo



600 × 452 – oprofeta.net500 × 703 – tadeuart.wordpress.comCom patrocínio do CIMI e padre lancerlot Pergunta: “Quem é o falso profeta do fim dos tempos?”
Resposta: O falso profeta do fim dos tempos é descrito em Apocalipse 13:11-15. Ele também é conhecido como a “segunda besta” (Apocalipse 16:13, 19:20, 20:10). O falso profeta é o terceiro na trindade profana, juntamente com o Anticristo e Satanás, o qual capacita os outros dois.
O apóstolo João descreve essa pessoa e dá-nos pistas para identificá-lo quando ele aparecer. Primeiro, ele surge da terra.escrituras : http://www.gotquestions.org/Portugues/falso-profeta.html Que nada o fim do mundo já passou, foi em 2001 com remake meia boca em 2012
Almeida
27 de janeiro de 2014 6:38 amOlha cá, Gão.
Eu sei que é você com suas palhaçadas. Eu já lhe mandei esse recadinho antes, mas você além de moleque é sem vergonha e quer ouvir de novo:
[video:http://www.youtube.com/watch?v=eeeguQ0VWgw%5D
Obelix
27 de janeiro de 2014 11:35 amTeoria do relógio quebrado!
Prezados e prezadas,
Divertido debater com desequilibrados.
Veja que nosso (des)prezado amigo insiste em dizer que a fronteira ecológica é o limite para o capitalismo. Deve imaginar que a luta anticapitalista possa se dar pelo “controle” das forças da natureza, ou pelo represamento da capacidade capitalista de consumir estes recursos, a partir de alguma “ética de responsabilidade ambiental”.
Quase um marinista.
Ora, ninguém disse aqui que as ciências naturais e os limites de recursos e matérias-primas não são um problema para o capitalismo, ao contrário.
O que se disse aqui é que até agora, apesar dos catastrofistas e outros profetas (como o (des)prezado), o capitalismo infelizmente conseguiu superar todas as barreiras (as esferas de atuação que harvey identifica em Marx) para seu crescimento, e principalmente as tecnológicas e naturais, que pela sua interrelação têm funcionado como propulsor do sistema e não como limitador, e a teoria sobre os preços de energia baseado nos estudos citados pelo (des)prezado revelam antes que a mera expectativa de esgotamento (os óleos caros bancam a ociosidade das bacias mais fáceis) é que movimenta o mercado de especulação, já que ninguém, salvo meia dúzia de pessoas sabe ao certo quanto petróleo há disponível.
Mas o (des)prezado afirma que sabe! Ele tem todas as respostas para todas as perguntas de um milhão de dólares.
Engraçado é assistir a sua “curva paranoide”, ele primeiro vocifera, esperneia, e depois que toma uns safanões aqui e ali, volta para os eixos e tenta retomar o debate.
Marx intuiu o colapso do capitalismo pelo seu paradoxo acumulação infinita e concentração de renda (empobrecimento permanente da base de consumo) que levaria a um subconsumo. Veio a realidade é revelou que o capitalismo se reinventa, transformou moeda em bem em si, e criou o crédito para suprir a demanda de consumo, e depois um mercado derivativo sobre a ficção que é o crédito, desembocando em crises de crédito, e não na forma clássica de crises de super oferta.
Depois vieram os donos do apocalipse e suas verdades inconvenientes, e o sistema, ideologicamente (nunca ninguém disse aqui que a tecnologia é ideologicamente neutra) reestruturou seus processos e suas formas de consumir energia: temos carros de motor de 2 litros com consumo de 14, 15 km por litro.
Por óbvio temos a esfera de atuação chamada “natureza” alterando a natureza do sistema, que incorpora os custos destas novas tecnologias e dilui sob novas formas de consumo, primeiro verticalizando e deixando enormes faixas marginalizadas destas formas ecologicamente corretas, e depois, horizontalizando e integrando estes contingentes.
Preparem-se, vem aí a “revolução verde”, ou a “revolução da verdade”.
Depois que alguém chega ao limite de dizer que “representatividade” não siginifica nada, vamos debater mais o quê?
Não dá.
Vamos esperar o relógio quebrado marcar a hora certa duas vezes do dia, e aí ele anunciará: “viram, eu avisei”.
Almeida
29 de janeiro de 2014 1:31 pmSacal, o moleque comedor de merda.
Eu escrevo: ” voto e “representatividade” não tem muito significado para mim”
Coloquei entre aspas: “representatividade”; para enfatizar meu questionamento sobre o caráter falso dessa “representatividade”, pela qual não tenho nenhum respeito, obtida no corrupto processo eletivo da democracia burguesa, onde existem Sarney, Collor e outros com a tal “representatividade”.
O que faz Sacal? Contesta e sai em defesa da “representatividade”, com esta frase:
“Depois que alguém chega ao limite de dizer que “representatividade” não siginifica nada”
Se tivesse retirado as aspas e escrito assim:
“Depois que alguém chega ao limite de dizer que representatividade não siginifica nada”
Sua defesa faria algum sentido, embora não se aplicasse ao que eu havia escrito, pois se estaria falando de coisas diferentes. Mas não, ele quer polemizar por polemizar com o oponente, feito menino mal criado que quando alguém diz: “menino, não come merda!” Pronto, lá vai o sacalzinho comer e se lambuzar no cocô. Sai em defesa de uma falsa representividade que ele mesmo coloca entre aspas: “representatividade”.
No exemplo que dou acima, ele aparenta imbecilidade e déficit de leitura, mas acho que se trata molecagem, manipulação desonesta de um mau caráter; pode ser também algo doentio de sua alma triste, de um frustrado samanguinho, que se sente o último penico com fundo, de uma pilha de penicos furados, na hierarquia burocrática onde trabalha; ele se acha o”jênio” incompreendido, mas todos penicos furados acima burocraticamente cagam nele.
É patética a necessidade desse moleque se afirmar, de polemizar em assuntos que não tem o menor domínio, é ignorante, desconhece princípios básicos pertinentes ao tema; ele é capaz de discutir aplicação das estatísticas em economia, sem dominar a aritmética elementar; vem discutir o esgotamento dos recursos da natureza, sob a predação voraz do capitalismo, com desconhecimento profundo da importância vital desses recursos.
Vamos a algumas bobagens e outras distorções no que escreve:
“Ora, ninguém disse aqui que as ciências naturais e os limites de recursos e matérias-primas não são um problema para o capitalismo, ao contrário”.
1) Não, sacalzinho, são um problema para toda humanidade e sua permanência, a maior tragédia ambiental se tornou o capitalismo.
2) Uai! Você disse que “se o fósforo acaba”, não tinha importância, pois “inventam plantas geneticamente modificadas que prescindem de fósforo”. Inventam quem, se fosse possível inventar? O capitalismo? Então, não seria problema para ele, que iria ganhar muito dinheiro com sua invenção.
3) “Ora, ninguém disse aqui que as ciências naturais … não são um problema para o capitalismo, ao contrário”. Uau!! Sua afirmação lida assim mostra que você considera as ciências naturais são um problema para o capitalismo. Ora, as ciências naturais nunca foram problema para o capitalismo, pelo contrário, elas receberam incentivos, tiveram seu maior desenvolvimento na história, conheceram grandes revoluções científicas, sob o domínio do capitalismo, que se apropriou desses conhecimentos, para aperfeiçoar seu aparato tecnológico e realizar a fantástica acumulação que assistimos.
“a partir de alguma “ética de responsabilidade ambiental”. Quase um marinista”.
1) Não sou “marinista”. Tenho admiração pela história de militância de Marina Silva, companheira das lutas de Chico Mendes contra a derrubada das matas amazônicas; luta ecológica de caráter popular, que organizava, seringueiros, castanheiros, caboclos e povos da floresta. Ele foi fundador do PT e ela uma militante, que até o próprio Lula lamentou sua saída. Saiu, não era para menos, porque os governos petistas optaram por, relegar o ambientalismo a uma causa supérflua e se aliar ao latifúndio, o agronegócio, as grandes empreiteiras, as mineradoras, enfim, entregar a Amazônia para as multinacionais do imperialismo. Um governo entreguista e antiambientalista
2) Falei de uma ética solidária com as gerações futuras, uma proposição do filósofo Hans Jonas, algo oposto ao que dizia Luis XV: après moi le déluge; assim age o capitalismo, um modo de produção que substituiu a ética pela razão pragmática. Defendo o meio ambiente da devastação capitalista munido desse princípio ético. Quanto a “responsabilidade ambiental”, isso é slogan de marketing de duplipensar de corporações capitalistas, que têm responsabilidade apenas com os seus lucros e são responsáveis por imensas devastações.
” temos carros de motor de 2 litros com consumo de 14, 15 km por litro”.
Chama-se paradoxo de Jevons, em O Problema do Carvão, ele escreveu: “É um completo engano supôr que um uso mais eficiente dos combustíveis implicará numa redução do seu consumo. A verdade é precisamente o oposto”.
A crise de petróleo dos 70/80 fez a indústria investir montanhas de recursos, para criar carros mais econômicos; quando os preços despencaram, de meados dos 80 até meados da década passada, quem tinha carro 1.0 pulou para carros mais potentes, foi a era dos SUV’s; esta descrição e a que Jevons fez, os pesquisadores chamam de constatação no campo: sob o capitalismo funciona assim.
O que você escreve sobre Marx me leva considerá-lo um ‘marquiçista’, você tem problema de déficit de leitura, acho que o Harvey deve estar sofrendo o mesmo problema com sua “leitura”.
Entenda mais algumas coisas, Sacal; o ambientalismo se tornou uma luta popular e cada vez maior de massas, que tomam consciência da tragédia; veja o exemplo de Chico Mendes; o exemplo do índios bolivianos, que quando um governo neoliberal quis privatizar a água, os índios se insurgiram, derrubaram o governo e elegeram Evo Morales, pois os índios não aceitaram a mercantilização de um bem que a natureza fornece de graça. Você faz uma imagem estereotipada e vulgar dos ecologistas, fica papagaiando slogans criados pela direita, tipo ecochatos e outras ofensas e baixarias do gênero, para pessoas que se movem e estão em luta.
Estude mais o tema, mesmo com sua deficiência de leitura, alguma coisa poderá absorver; existem trocentos trabalhos científicos mostrando a inviabilidade do mundo arrasado pelo capitalismo; leva-se de quatro a dez mil anos para se formar um horizonte de solo mínimo para uma agricultura eficiente, o capitalismo arrasa anualmente centenas de milhares de quilômetros quadrados de solos agricultáveis; no ritmo que vai, até o final do século, mais da metade dos solos agrícolas que ainda restam foram pro pau, só voltam a presta para agricultura daqui a milhares de anos.
E quando você ler algum autor que diz, que a luta ambiental é supérflua, que o capitalismo, ou qualquer outro sistema que venha a sucedê-lo, prescinde dos recursos da natureza, das fontes de energia, dos solos agricultáveis, enfim, da base material dada pela natureza, desconfie, só na cabeça de um neoliberal cabe uma economia desmaterializada. Pergunte a que tenha outros pontos de vistas, seja mais humilde, para suprir sua ignorância; nisto, sinceramente, posso lhe dar alguma ajuda.
Ferraro
20 de abril de 2014 5:12 amBom, eu sou um tanto quanto
Bom, eu sou um tanto quanto cético em relação a previsões apocalípticas por falharem em prever a curva na próxima esquina que a humanidade sempre tende a tomar. Mesmo que bem embasadas por seus teóricos e coerentes em seus tempos elas sempre se mostram falhas, então há certo histórico que explica o chamado tecno-otimismo reinante. São mais ou menos como as previsões de fins de mundo que sempre surgem quando uma data chave se aproxima como viradas de milênios. Com o passar do tempo a coisa perde credibilidade.
Thomas Malthus, já citado, postulou que a população cresceria em um ritmo extremamente rápido, que ele chamou de geométrico, enquanto a produção de alimentos em um ritmo muito menor, que ele chamou de aritmético. Para ele qualquer melhora na qualidade de vida das populações seria efêmera porque isso provocaria aumento nas taxas de natalidade que retornaria as populações ao estado anterior. Como solução ele apontou a abstinência sexual e a absoluta ausência de cuidados sociais aos mais pobres para que as taxas de mortalidades fossem livres para subir o máximo possível. Sem dúvida alguma uma solução cruel aos nossos olhos atuais, mas é importante entender que Malthus foi influenciado pela sua visão do início da sociedade industrial urbanizada quando as pessoas do campo iam para as cidades causando um inchaço urbano caótico e se reproduzindo e vivendo como ratos, enquanto que a produção de alimentos ainda de tecnologia antiquada era insuficiente para bem alimentar a todos. Também é notável a influência conservadora de sua religiosidade que para ele demonstrava que o valor de uma vida casta seria de alguma forma a salvação ao problema da superpopulação. Então embora suas hipóteses não devam ser ridicularizadas considerando o seu contexto, também é óbvio que ele tinha uma agenda ideológica própria guiando as suas deduções, o que é um problema do qual todos nós partilhamos de alguma forma. Malthus cometeu dois grandes erros, o primeiro foi o de subestimar o avanço tecnológico no campo e econômico em geral, a economia mundial tem crescido e tudo indicia que continuará a crescer mais do que a população e o segundo erro foi a ideia de que elevar o padrão de vida das populações causaria crescimento de natalidade quando em realidade aconteceu o oposto, já que uma vez que a população é educada e principalmente que as mulheres são educadas e inseridas no mercado de trabalho a taxa de fertilidade cai para menos de 2 filhos por mulher, o que é menor do que os 2 e algo necessários para a renovação da população (para substituir os pais e aqueles que morrem antes de chegarem a fase adulta), para nunca mais voltar a subir significativamente como vemos na Europa em países como Portugal e Itália onde apesar de incentivos governamentais as taxas de fecundidade continuam baixas.
Karl Marx foi outro que fez uma grande previsão que se provou errada. A despeito de ter criado uma literatura inovadora e ainda válida sobre o funcionamento do capitalismo, nos ensinando sobre fetichismo, alienação e todas as outras fumaças que cobrem as contradições e mazelas dessa sociedade, o erro crucial de sua teoria foi prever a piora nas condições do proletariado, o que em sua concepção naturalmente levaria a um acirramento das disputas de classes, e tornaria as revoluções proletárias inevitáveis, isso tudo fazia sentido aos seus olhos, mas tendo o capitalismo se renovado no início do século XX e principalmente no pós-guerra quando a exploração dura deu lugar a uma coesão social resultado de uma maior participação dos trabalhadores nos lucros e do Estado de Bem-Estar Social, sua profecia foi falha.
E apesar dos ainda barulhentos analistas que insistem que a superpopulação destruirá o mundo, na medida em que os dias se passam eles parecem se tornar cada vez mais distantes da realidade. Já sabemos que a produção de alimentos não é o problema da fome e sim a sua distribuição e que as taxas de crescimento populacionais tem caído via de regra mais rapidamente do que a ONU supõe, já que é crescente o número de países cujos Estados começam a tomar medidas de controle de natalidade, enquanto isso se sabe que a agropecuária intensiva de grande produtividade praticada na Europa Ocidental ainda está longe de ser largamente praticada em regiões como a América Latina e a África, o que sugere que o crescimento da produção de alimentos continuará a superar ou irá ao menos igualar o crescimento populacional. De fato o envelhecimento populacional parece que será o grande problema demográfico do mundo, já o é para a maior parte do mundo desenvolvido e até para a China.
Quanto às fontes de energia, outros tantos analistas previam que já estaríamos sem petróleo por agora, mas as constantes novas descobertas de poços de petróleo e o avanço na tecnologia para explorar petróleo em águas profundas parecem tornar o dia em que esse recurso acabará cada vez mais distante, infelizmente para o meio ambiente.
Dito tudo isso, é tolice negar que a finitude dos recursos naturais é um sério problema a ser enfrentando por um mundo que começa a ver os atrasados da Revolução Industrial apertarem o passo, não se trata apenas de uma previsão que pode ou não estar certa como a de Malthus e Marx, se trata de uma certeza de uma problemática grave, não só em relação a finitude dos recursos, mas também das mudanças climáticas causadas pela forma que os usamos.
A solução seria não um controle de natalidade como proposto por Malthus, mas uma reforma na sociedade que passa pelo uso mais racional dos recursos o que inclui diminuir radicalmente o consumismo desenfreado no qual em que vivemos ação que até faz sentido se pensarmos que com o envelhecimento da população as pessoas deveriam consumir menos e economizar mais. Também passa pela mudança radical de nossa matriz energética, de poluente e finita para não poluente e renovável.
O problema é que essas coisas não irão acontecer facilmente porque existe uma plataforma econômica gigantesca assentada nessas formas de energia e uma sociedade que possui como motor o consumismo e a exploração predatória de nossos recursos. Mover tais coisas em direção a uma sociedade sustentável é francamente uma missão impossível pelo momento. É por isso que não importa quantos partidos que sustentem a bandeira ambientalista ganhem poder, o fato é que nenhum Estado irá de fato impor pesadas restrições a esse estilo de vida, pois as consequências a curtos e médios prazos seriam economicamente desastrosas com depressões socioeconômicas profundas.
Resta então que a humanidade, sempre muito melhor em responder a emergências e necessidades imediatas do que executar planejamentos para um horizonte distante, em sua hora de necessidade faça as mudanças que serão necessárias. Eu não apostaria contra a nossa inventividade, apenas fica a dúvida se faremos isso antes ou depois de algum colapso ou cataclismo que varra parcela significativa das pessoas do planeta.