19 de junho de 2026

O que é o lítio verde, produzido no Vale do Jequitinhonha?

País exportou a primeira remessa do minério produzido de maneira sustentável para a China na última quinta-feira (27).
Geraldo Alckmin acompanhou o embarque da primeira remessa de "lítio verde" em Vitória, no Espírito Santo. Crédito: Cadu Gomes/VPR

O vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou, durante evento para empresários e autoridades da Arábia Saudita, realizado na Fiesp nesta segunda-feira (31), que o País tem uma importante reserva de lítio e que na última semana foi enviada a primeira exportação de lítio verde.

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O lítio é um minério essencial para a fabricação de baterias para carros elétricos, cujo mercado global espera atingir a venda anual entre 40 milhões e 50 milhões de unidades até 2030, demanda que conferiu ao minério o apelido de ‘ouro branco’.

Já o lítio verde, produzido pela Sigma Lithim, empresa criada no Brasil, registrada no Canadá e que já está inscrita nas bolsas de Nasdaq e B3, seria resultado de uma produção sustentável, em que não há uso de produtos químicos para a extração do minério ou barragens.

Outro argumento em prol da sustentabilidade do lítio verde é o reaproveitamento de 100% da água usada na produção, uma vez que, graças à ausência de produtos químicos nocivos, os rejeitos podem ser revendidos e aproveitados para a produção de baterias, por apresentar uma concentração menor de lítio na composição.

Na últimaquinta-feira (27), a Sigma exportou o primeiro lote de 15 mil toneladas de lítio verde para a China, além de quase outras 15 mil toneladas de rejeitos.

Minas Gerais

A região nordeste de Minas Gerais, mais conhecida como Vale do Jequitinhonha, está ficando conhecida também por Vale do Lítio e compreende os municípios de Araçuaí, Capelinha, Coronel Murta, Itaobim, Itinga, Malacacheta, Medina, Minas Novas, Pedra Azul e Virgem da Lapa.

Maior reserva brasileira do minério, a área soma 45 depósitos, de acordo com estudos do Serviço Geológico do Brasil. Existe a possibilidade ainda de que cada depósito tenha 20 vezes mais que as reservas minerais de outras regiões, fato que, além da Sigma, está atraindo também outras empresas para a região.

Já para os moradores, as atividades de extração do minério não parecem tão interessantes assim. Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, pessoas que residem no entorno da mina da Sigma em Itinga reclamam de poeira, barulho e rachaduras nas casas.

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Publicada originalmente em 31 de julho de 2023

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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3 Comentários
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  1. MARCO ANTONIO CASTELLO BRANCO

    1 de agosto de 2023 11:24 am

    É surpreendente como a imprensa corporativa está reproduzindo informações sem fazer qualquer verificação, e o governo federal e mineiro estão engolindo como se fosse verdade. Vamos lá:

    1 – Investimento: A SIGMA LITHIUM anuncia que investe R$ 3 bilhões. No documento NI 43-101 TECHNICAL REPORT GROTA DO CIRILO LITHIUM PROJECT consta US$ 130,6 M na fase I concluída e US$ 155 M previstos para as fases 2 e 3. Portanto, usando 5 R$/US$ não se chega nem de longe aos R$ 3 bilhões alardeados.

    2 – Os benefícios que a exploração e venda de minério de lítio deixarão no Brasil e em Minas Gerais se não houver intervenção urgente do governo é simplesmente ridículo diante da rentabilidade que as mineradoras vão auferir. Com base nas informações divulgadas pela Sigma Lithium a margem EBIT é superior a 90%, isso mesmo, NOVENTA PORCENTO. A taxa interna de retorno do investimento excede 500%…isso mesmo quinhentos porcento. E para calar a boca das comunidades diretamente atingidas oferece-se migalhas em contribuição para o desenvolvimento social local. Muito semelhante aos espelhos, facas e machados que os colonizadores europeus deram os índios, os chamados povos originários, em retribuição ao pau brasil que daqui levaram.

    3 – É simplesmente incompreensível a inércia do governo federal que assiste calado e festeja a maior espoliação de uma riqueza estratégica do Brasil. Não se trata de deixar o minério de lítio debaixo da terra, pois lá ele também não serve para reduzir a miséria do povo do Vale do Jequitinhonha. Trata-se de regular adequadamente e especificamente o acesso e a exploração de minerais estratégicos. E de taxar lucros pornográficos que estão sendo auferidos graças a fatores exógenos, como a transição energética, e que nada tem a haver com as habilidades do empreendedor. São gerados porque o preço internacional explodiu e porque a qualidade e facilidade de minerar o espodumênio em Minas Gerais é uma dádiva divina. Ao mesmo tempo em que se criar incentivos e obrigações para que seja feito em solo brasileiro a converão do minério de lítio em carbonato e hidróxido de lítio, esses sim, produtos cuja agregação de valor requerem o aporte de dinheiro, tecnologia e conhecimento industrial.

    4 – Será prova de enorme ingenuidade acreditar que as mineradoras vão decidir por si investir na industrialização do Lítio. Como disse a CEO da Sigma Lithium em entrevista a Bloomberg: “Segundo ela, o refino de lítio é um negócio altamente complexo e com baixo retorno. “Além de ser uma atividade de altíssima periculosidade, emprega poucas pessoas e tem margens abaixo de 20%”. Realmente ninguém vai renunciar a uma margem superior a 90% espontaneamente.

  2. Fernando

    1 de agosto de 2023 6:22 pm

    O vale do jequitinhonha tem uma outra riqueza mais importante ainda do que o lítio. O mundo não sabe e não está usando. O metal é muito melhor do que alumínio e pode dar ligas extremamente vantajosas para aviões e naves espaciais. O Brasil e os brasileiros não estão sendo espertos. Estão sendo submissos demais ao tal 1º mundo dos espertalhões. Não tem nada que dar nome aos empreendimentos em idioma inglês

  3. Fernando

    1 de agosto de 2023 6:26 pm

    O descrito aqui nos pontos de 1 a 3 é verdadeiro. Ocorre também que o Vale possui outro tesouro importante e o mundo nem sonha neste tesouro ainda.

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