13 de junho de 2026

Os aprendizes de feiticeiro e as soluções radicais na economia

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Não existe nada de mais descolado da realidade econômica do que a ideia de que ajustes radicais promovem recuperações rápidas na economia.

Trata-se de opinião de economistas que jamais conseguiram avançar para além das planilhas. No poder, esses economistas promovem estragos incalculáveis.

Foi assim no plano Real, quando jogaram as taxas de juros para níveis inimagináveis. Em pouco tempo formou-se a maior dívida pública da história sem contrapartida de ativos.

O que aconteceu na economia real?

Ela já vinha em queda desde o final de 1994. No segundo semestre de 1994, a estabilização fez explodir o consumo e houve grande estímulo ao endividamento das empresas, visando ampliar seu capital de giro para atender o mercado que explodia. No final do ano, sentindo que haviam batido no limite, começaram a reduzir estoques e a sair gradativamente do nível anterior de endividamento.

Aí a elevação radical das taxas de juros apanhou-as no contrapé. Impedindo-as de voltar ao patamar anterior. Foram apanhadas pela armadilha do endividamento, criando-se o maior endividamento circular da história, que manietou a economia pelos anos seguintes. A crise arrebentou com o setor agrícola, bateu na indústria e desmontou a arrecadação. A dívida aumentou pelo exercício exagerado dos juros e pela queda da receita.

Isso acontece porque a economia é um conjunto de relações entre setores, que se afetam mutuamente. Não se está tratando com máquinas, mas com intenções, expectativas, um equilíbrio permanentemente precário entre crescimento e preços. E, na economia real, o tempo é muitissimo mais lento do que nos computadores dos traders de mercado.

Se a economia está em vôo cruzeiro, as empresas aumentam seus estoques, os consumidores ampliam seus financiamentos. Quando a economia começa a fraquejar, há um processo inverso de queima gradativa de estoques e de pisada no freio do endividamento pessoal. É um processo que demanda tempo. Não se liquidam dívidas em um piscar de olhos.

Quando, a pretexto de corrigir um desequilíbrio, inserem-se medidas radicais na economia – como essa mistura fatal de recessão, ajuste fiscal irreal e suspensão total do crédito -, corta-se a travessia de empresas e consumidores para a nova realidade que se pretende introduzir. Ambos são apanhados no contrapé e ficam presos à armadilha do endividamento.

O pensamento monofásico

Essas loucuras decorrem do pensamento monofásico dos nossos gestores econômicos.

O Ministro da Fazenda Joaquim Levy só tem olhos para uma equação simplória, tendo como foco único as decisões de investimento: Não se investe por falta de confiança na parte fiscal.

Se se fizer uma arrumação fiscal, aumenta-se a confiança. Ou seja, se vou de 0 para 1 na parte fiscal, a confiança aumentará de 0 para 1. Logo, se eu for de 0 para 5 na parte fiscal a confiança aumentará de 0 para 5.

Não lhe passa pela cabeça – ou melhor, só lhe passa depois do desastre consumado – o momento 2 do choque radical: a queda de receita, inviabilizando as metas fiscais; o aumento da fervura política, deixando o governo no corner junto ao Congresso e à opinião pública.

O presidente do Banco Central Alexandre Tombini é o monofásico das metas inflacionárias. Se a inflação sobe, basta aumentar os juros que a inflação desce. Debaixo dessa formulação simplória, há a economia como organismo vivo.

Divida-se o mercado em três preços: os importados, os administrados e os de mercado. Os primeiros e segundos independem da demanda; os terceiros são fundamentalmente regidos pela demanda. A inflação está sendo puxada pelos dois primeiros.

Se optasse por uma política gradativa, os preços de importados e administrados se estabilizariam em um patamar mais elevado – mas se estabilizariam. E inflação não é nível de preços, mas variação de preços.

Mas Tombini quer as soluções heróicas. Aumenta as taxas de juros a níveis pornográficos e corta completamente o crédito, para que a queda nos preços de mercado compense a alta nos preços dos importados e os administrados. Afinal, quanto mais radical o ajuste, mais rapidamente a inflação voltará para a meta.

Para atingir esse objetivo radical, só à custa de uma deflação radical nos preços de mercado.

Deflação ocorre apenas em situações em que a recessão é tão aguda que leva à queda até de preços em equilíbrio. Ou seja, pega-se um consumo em queda, com preços estabilizados, e aplica-se uma dose radical de juros para cair mais ainda, a fim de compensar as altas de preços não regulados pela demanda.

Nem tem o que calcular: somado à política fiscal de Levy, o resultado será recessão da grossa, com implicações no mercado de trabalho, na armadilha do endividamento das empresas. Em suma, tudo igual a 1995, com o agravante de não ter um Plano Real nas costas para legitimar as barbaridades cometidas.

Quando Gustavo “Saco de Maldades” Franco finalmente saiu do Banco Central, após uma sucessão amalucada de medidas “heroicas” que arrebentaram com a economia, ouvi de Luiz Carlos Mendonça de Barros – que foi economista do Cruzado – uma explicação sobre a formação dos economistas que sobem ao poder:

– Saiu quando ia ficar bom. Todos nós, na primeira vez, nos deslumbramos com o poder que tem uma autoridade monetária e econômica e cometemos as maiores barbaridades. Depois amadurecemos e aprendemos que a economia não é assim.

O problema brasileiro é o eterno aprendizado dos novos aprendizes de feiticeiro que ascendem à área econômica.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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28 Comentários
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  1. mauro silva1

    29 de junho de 2015 12:38 pm

    também no plano cruzado

    caro nassif

    também no plano cruzado, os então paracelsos da economia empregaram o mesmo receituário de médico medieval às taxas de juros para “combater a inflação”, e colheram o mesmo resultado: quebraram o país.

    coincidentemente, todos eles têm um “pezinho” no sistema financeiro.

  2. alext4e

    29 de junho de 2015 12:56 pm

    O verdadeiro crime

    Enquanto as pessoas (governo, oposição e mídia) nos fornece diariamente o espetáculo das notícias sobre políticas, o verdadeiro e maior crime é cometido, os juros praticados pelo banco central e os dos bancos convencionais aplicados ao consumidor. Juros do cartão de crédito na casa dos três dígitos, acho que nem em guerra se faz isso

    1. Nicolas Crabbé

      29 de junho de 2015 6:42 pm

      Já aconteceu

      Trabalhei em banco, justamente na área de CDC – Crédito Direto ao Consumindor – em 1995. Os juros para empréstimo pessoal eram de 250% ao ano.

      O resultado foi o desastre do que fala o Nassif, que as gerações novas não conhecem. Elas só viram o voo de cruzeiro dos anos Lula, até 2008, com crescimento e depois os anos do “vamos que vamos” do primeiro mandato da Dilma. Crise mesmo pra valer essa é a primeira que eles enfrentam e que, suprema ironia, foi gerada por um governo supostamente dos trabalhadores.

      Quem diria…

  3. gabi_lisboa

    29 de junho de 2015 12:57 pm

    O que esses gênios não entendem, ou fingem que não entendem,

    é que com o juros pornográficos do bacen dando sopa, por que eles acham que o deus-mercado vai investir no setor produtivo? O deus-mercado, muito mais inteligente que o Levy o Tombini e a Dilma juntos, vai é mamar na Selic e encher os bolsos de dinheiro com risco zero e nós, os zé povinhos, é que vamos pagar a conta.

  4. SergioMedeirosR

    29 de junho de 2015 1:04 pm

    A armadilha dos juros baixos e a abusiva renovação dos créditos

    O Nassif, ao demonstrar o efeito nas chamadas camadas produtivas, esquece de abordar outro ponto fundamental. ou seja, o dos consumidores em geral, que se endividaram quando os juros eram baixos e agora quando quase ou já atingiram o teto, veem suas dívidas renovadas mediante a cobrança de juros estratosféricos, o que faz com que elas,  em pouco tempo, se tornem impagáveis.

    Este é um efeito que atinge não somente os que não fazem o devido planejamento, mas também os que ao fazerem as contas iniciais,  vislumbram a possibilidade real de efetuarem a aquisição de determinados bens de valor mais acentuado e que, com o desenrolar dos referidos fatos economicos, se tornam reféns desta politica recessiva e espoliatória.  

  5. Conde de Rochester

    29 de junho de 2015 1:05 pm

    Reepostagem

    Retirado de um post 

    MF planta mais inflação. BACEN faz mercado colher mais juros

    qua, 17/06/2015 – 12:58

    Meta de inflação sempre acima do padrão civilizado, faz de conta o dourados 4.5% (deveria ser de 2%) e taxa Selic com objetivo : o céu é o limite. Em economês a mais alta possível e que a população e o PT aceita mansamente. Dilma entrou no barco Tucano, com Levy / Tombini plantam mais inflação para banqueiros e especuladores, colherem mais juros

    Preocupado por que ? No Brasil a elevadissima concentração da riqueza 1% dono de 90%,  oligopolio  compartilhado  banqueiro / empresários socios 50-50 – Não tem como perder – Taxa basica exorbitante, enxuga ativiadade produtiva, aumenta liquidez para aplicar em titulos da dividad publica – Somebody love.

    Obama, a bruxa do FMI, Gregos, Suíços, Espanhóis etc se deliciam com Dilma enquadrada, comportada mais BACEN autônomo nas mãos dos ex-analistas do FMI, que assim gera receitas a eles muito acima do 0.1%, 0.25%  a 3% praticados em seus títulos, ainda que suas economias em crise desde 2008.  Nesses 20 anos já recuperaram o principal; E BACEN continua gerando lucros ao Fed, Especuladores e outros Bancos Centrais.

    Se Governo quisesse levar rate de investimento do Brasil para AAA a também resolver contas publicas, bastaria baixar as taxas de juros Selic para para 3%, obviamente. 

    Na falta de Lei cobrando  Responsabilidade Financeira, financiamento empresarial e Banco Central nas mãos de banqueiros, as taxas de juros básicas elevadas é igual vaca sagrada, não se mexe nela

    Para arranjar recursos para pagar a despesa de juros:

    Explorar a população e minar a economia real com impostos abusivos nas contas de energia, combustível, comunicação, tudo para diminuir mercado interno e gerar desemprego. Assim gera excedentes para exportação, além dos minérios in natura em grande navios que trazem na volta  produtos manufaturados com  nossos mineiros e quebrando nossas industrias,

    Austeridade fiscal, cortar aposentadorias e direitos sociais , exceto a deles próprios.

    Aumentar e criar mais impostos,(quem sabe de novo a CPMF), 5) “vender” depreciado o patrimônio publico

    Fazer licitação de cessão de ativos com elevado valor de outorga para inviabilizar a entrada de novos empreendedores. entregar para os banqueiros / sócios de empresários e carregando nos preços as imorais taxas de retorno, tipica de déspotas (eles ainda sabem que a grana vai voltar na forma de juros) 

     

    Não estamos combatendo inflação nenhuma com os juros altos; estamos drenando, para gáudio e gozo dos rentistas, os recursos que poderiam ser voltados para a produção e o crescimento econômico da nação.

    O capital especulatico, o sorvedouro da força produtiva, sabem disto e sabem também que as dificuldades de estruturas que impedem do Brasil funcionar são tantas e históricas, que nos finalmentes e efetivamente os gestores da macro economia, não patrocinam plano econômico algum, que de alguma forma projetasse equacionar o desequilíbrio financeiro, procuram sim manter seus privilégios e empurrar com a barriga a economia , via personagens como nosso ilustre ministro.

    O sistema financeiro trava a economia do Pais. Não é mais possível não vermos o papel dos atravessadores que travam a economia. Não há PIB que possa avançar com tantos recursos desviados. 

    Este filme é velho, estas manobras economicas ilusionistas vão durar até o ano das proximas eleições.

  6. joel lima

    29 de junho de 2015 1:24 pm

    O pior é que esses

    O pior é que esses economistas – como Delfim, Bresser, Maílson, Gustavo Franco – depois vêm com a maior cara de pau dando lição para quem está dirigindo a economia. Gente que em algum momento tornou um inferno a vida de milhões de pessoas e que continuam ganhando uma bela grana em consultorias. Que pelo menos essa gente tivesse a hombridade de nunca mais aparecer na mídia.

    Destes, o pior é o  Delfim,  uma das personalidades mais maquiavélicas que o Brasil já teve. Sabe se adaptar ao cenário – seja uma ditadura sanguinária ou como guru de Lula. Inteligentíssimo, sem dúvida (adoro suas frases de efeito, normalmente bem-humoradas)  – mas amoral até a última grama. 

  7. Jaguatirica

    29 de junho de 2015 1:37 pm

    Cautela e caldo de galinha

    Noticia-se que o Ministro Levy desobeceu a ordem médica e viajou aos EUA mesmo após uma embolia pulmonar. Se o sujeito é imprudente até com a própria saúde, que dirá com a saúde econômica nacional. Cruz, credo!

  8. Miguel A. E. Corgosinho

    29 de junho de 2015 1:55 pm

    Em qualquer país civilizado,

    Em qualquer país civilizado, Alexandre Tombini e Joaquim Levy seriam bandidos presos, por falsidade ideológica e crime de lesar a pátria.

    1. Gabriel José Rocha Filho

      29 de junho de 2015 3:15 pm

      e quem ajudou a maquiar contas públicas

      na função de ministro da fazenda e prometeu que o dolar não aumentaria e nem que haveria necessidade de ajuste pq estava td bem?? deveria responder tb…

      1. Miguel A. E. Corgosinho

        29 de junho de 2015 5:21 pm

        Ministro da Fazenda, cujo

        Ministro da Fazenda, cujo ponto de equilíbrio é a supressão de direitos civis, não poderia prometer nada com sua cultura especulativa. Mesmo porque é no Estado que deve funcionar a égide racional da sociedade e não mercado.

  9. Mogisenio

    29 de junho de 2015 2:17 pm

    Desavisados de fato e de direito

    Bom Nassif e equipe, certamente, vocês já sabem  minha opinião sobre os “economistas”.

    Refinando ou tentando refinar um pouco mais minha opiniao, é claro que quando “ataco” os economistas sei que  há  seres humanos que resolveram estudar economia( ou modelos econômicos) e que têm “boas intenções”. 

    Todavia, já sabemos que o inferno também está cheio de “boas intenções”. rsrs.

    O cara quando se acha “economista” e assume algum poder para isso perante um Estado, isto é, uma sociedade, um terrritório e um povo, acha que sabe equacionar e resolver conflitos com “modelos econômicos”

    Ledo engano, não é mesmo?

    As  próprias opiniões  do  Nassif e  do  Mendonça de Barros, ao final, não me deixam mentir.

    Quando se chega a uma posição de comando você precisa saber quem  manda e quem obedece. Suponho que isso deve acontecer com o Ministro da Fazenda, com o presidente do BACEN, e , com o devido respeito, até mesmo com a presidência da república.

    Em poucas palavras, temos uma pízza de distribuiçao de recursos cuja fatia maior vai para o “serviço da dívida” e nada muda isso. 

    Nada. Nem um referendum  a la Grega muda.

    Esse é jogo. 

    O resto é papo para convencer, ou , se preferirem, manter os desavisados, desavisados de fato e de direito.

     

    Saudações 

     

     

    1. Miguel A. E. Corgosinho

      29 de junho de 2015 6:46 pm

      Com isso o senhor compara os

      Com isso o senhor compara os ministros e a presidenta a garçons de pizzaria que a partir dali dividem as fatias de recursos. 

      Ah, eles obedecem a posição de comando com a fatia maior.

      Quando é que, para desmascarar sua própria expressão, os economistas, como ex-alunos, deveriam denunciar para as Faculdades de Economia que não somos desavisados, mas inconformados com a safadeza?

      1. Mogisenio

        29 de junho de 2015 11:19 pm

        Olá debatedor Miguel,
        bom,

        Olá debatedor Miguel,

        bom, não sei se lhe compreendi direito.

        De qualquer forma, eu não comparei os ministros e a presidenta a garçons de pizzaria ( nem mesmo no sentido figurado).

        Aliás, um dia ainda quero ser garçom. Acho uma profissão muito legal.

        Mas, quanto à obediência ao comando da fatia maior creio que é mais ou menos por ai. A fatia maior parece definir os rumos brasileiros. Este é um ponto importante.

         

        Quanto à sua pergunta:

        Quando é que, para desmascarar sua própria expressão, os economistas, como ex-alunos, deveriam denunciar para as Faculdades de Economia que não somos desavisados, mas inconformados com a safadeza?

        Comento o seguinte:

        Os ex-alunos da tal de “ciência econômica” alienígena em terras brasileiras deveriam FORJAR modelos brasileiros.

        Se a substituição de importações não colou então procurem outro. 

        Sem ufanismos mas também sem essa de “tripé” econômico, por exemplo. Sem essa de aumentar taxa de juros para garantir “controlar” a inflação do tomate.

        A macroeconomia morreu junto com Keynes e os economistas estão ai “justificando” modelos IGUAIS para povos diferentes.

        A austeridade fiscal  é a bola da vez – a nova argumentação – para enganar os otários de sempre.

        Não há almoço grátis assim como não há  “modelo econômico grátis” e “filantropia grátis”.

        Sugestão para os alunos ( sem luz, portanto, desavisados) de economia:

        Vamos colcar um IMPOSTÔMETRO em cada capital brasileira. E ao lado dele, coloquemos um SONEGÔMETRO, um DISTRUIBUIÇÃO DE RENDÔMETRO, e um MODELÔMETRO econômico para “justicar” os “indicadores”.

         

        Tem mais, mas paro aqui.

         

        Saudaçoes

         

         

         

         

         

         

  10. Reinaldo Pompeu

    29 de junho de 2015 2:41 pm

    E a realidade de orçamento, como fica?

    Claro que a operacionalização não é simples, envolve inúmeras áreas, interesses e ideologias, mas no fim das contas, o que importa é a equação: Receita – Despesas…

    Logo, para atenuar o efeito e encurtar o prazo para sair da lama:

    Aumenta a receita (+Impostos, que por sinal estão altíssimos, sem contrapartida que justifique) 

    OU

    Diminui a despesa (que por sinal, o governo da presidente Dilma e não do ministro Levy, não deu um único passo nesse sentido).

    A questão é, a presidente possui força politica e vontade para de fato consertar a economia? Ou continuar, conforme seus discursos indecifráveis, acreditando que em seu primeiro governo tomou as decisões corretamente?

    Sem a contrapartida do Estado com regras claras, objetivos bem definidos e austeridade, não teremos investimento, seja por falta de recursos internos, seja por medo de investidores externos em “apostar” no Brasil, vide entrevista do presidente da Mercedes-Benz.

    1. Lionel Rupaud

      29 de junho de 2015 3:55 pm

      Me parece que já li em algum lugar:

      quote

      Impostos, que por sinal estão altíssimos, sem contrapartida que justifique

      unquote

      Ah, sei é na veja…

  11. C.Paoliello

    29 de junho de 2015 2:52 pm

    NÃO! À ditadura dos banqueiros

    NOBEL  DE  ECONOMIA  SUGERE  UM  SONORO  “NÃO!”  PARA  OS  BANQUEIROS:

    http://actualidad.rt.com/economia/178814-nobel-economia-referendum-grecia-rescate-no

  12. Antonio Carlos Ramos

    29 de junho de 2015 3:04 pm

    Por um presidente do Banco Central que saiba matemática!!!

    Olá, Pessoal!

    A conta é simples: juros compostos = crescimento exponencial. A 13,5% ao ao ano a SELIC dobra em menos de cinco anos. Não há crescimento no universo que possibilite pagar esta dívida. O pessoal do Banco Central não sabe matemática!

     

    Antonio Carlos 

    1. Julião

      30 de junho de 2015 2:58 am

      Sabem sim caro Antonio

      É que tem patrões que querem mais lucros.

      Na minha opinião, com este congresso indecente, com o judicionário de envergonhar,  esta classe merda que temos, só será resolvido o problema como sempre o foi,  em toda a história do homem – NA PORRADA!

  13. Tulio

    29 de junho de 2015 4:00 pm

    Não sei pq vcs reclamam, não

    Não sei pq vcs reclamam, não votaram na Dilma? Agora aguenta. E podem agradecer ao Seu Levy por fazer suas maldades, se não estivesse fazendo isso o PSDB tava pedindo a cabeça da rainha louca até agora. Eles só pararam pq seus patrões do mercado financeiro tão satisfeitos.

  14. C.Paoliello

    29 de junho de 2015 4:00 pm

    Outro Nobel de economia apoia governo grego

    OUTRO NOBEL DE ECONOMIA (STIGLITZ) TAMBÉM APOIA GOVERNO GREGO:

    http://www.esquerda.net/artigo/o-ataque-da-europa-democracia-grega-por-joseph-stiglitz/37577

  15. Fernando J.

    29 de junho de 2015 4:48 pm

    Como foi, na prática, 1995

    “No segundo semestre de 1994, a estabilização fez explodir o consumo e houve grande estímulo ao endividamento das empresas, visando ampliar seu capital de giro para atender o mercado que explodia. (…) Foram apanhadas pela armadilha do endividamento, criando-se o maior endividamento circular da história, que manietou a economia pelos anos seguintes.”

    O cenário, na praça de Campinas, no final de 1995, era desolador. Empresas hiper-endividadas no BB local não davam conta de rolar suas dívidas. Não houve qualquer preocupação do governo em acompanhar o que estava acontecendo nos Bancos, ou exigir que o BB não praticasse taxas suicidas. Era o princípio da não intervenção, deixa correr solto. Algumas emepresas quebrarão, mas fazer o quê, são danos colaterais. Não houve qualquer preocupação com as consequências do choque de importações e a destruição do polo calçadista (Franca) ou têxtil (Americana). As empresas quebraram em série, taxas de juros na estratosfera. Saía de uma mesa de renegociação de dívidas com uma empresa para entrar em outra sala ao lado, onde outras empresas aguardavam a sua vez de renegociar suas dívidas. 

    Uma pálida ideia do que foi 1995/1996. Uma certa empresa, fabricante de bens de capital de ciclo longo, portanto fortemente dependente de capital de giro, possuía uma operação de capital de giro no valor de R$ 200 mil. Condições: prazo de 60 dias (atenção: 60 dias era o prazo máximo de um capital de giro no BB, podem acreditar), juros: 6% a.m. (para ficar claro: seis por cento ao mês). Essa empresa não conseguia quitar a operação, quando peguei essa negociação ela já vinha rolando há quase um ano. Ao final de 60 dias, o empresário pagava R$ 24 mil de juros, assinava novo contrato para mais de 60 dias. Em um ano, R$ 144 mil de juros para um capital de R$ 200 mil. E como ele pagava os juros da rolagem da dívida? Com desconto de duplicatas. Frias. que todos sabiam que eram frias, porém era esse o único jeito de rolar a dívida. Durante o prazo de vigência das duplicatas frias, ele ia quitando uma por uma, quando acabava já tinha vencido a operação original, que ele rolava mais uma vez descontando duplicatas frias para pagar os juros. É claro e óbvio que essa empresa quebrou. Primeiro tentaram a concordata, que foi um tiro no pé, porque daí o pouquíssimo crédito que ainda resta vai para o espaço e a emepresa não tem como sobreviver. Os donos, dois engenheiros, um certo dia fecharam a indústria ao final do expediente e um foi embora pra São Paulo e outro para o interior, de onde tinha vindo. Ambos saíram de mãos abanando e abandonaram um formidável conjunto de máquinas, tornos mecânicos de todos os tipos, bem como cerca de 50 empregados à própria sorte. Em poucas semanas invadiram o local e levaram tudo. Assim como essa empresa, foram dezenas de casos semelhantes que passaram pelas minhas mãos, todos estrangulados não só pela concorrência dos importados (choque de importações), mas principalmente pelas “módicas” taxas de juros de 6% a.m. cobradas pelo Banco do Brasil pelo capital de giro de com prazo de longos 60 dias, um banco dito público, que deveria regular o mercado, blá , blá , blá, bla. 

    Bom, daí veio a despirocada do dólar em janeiro de 99. Aí sim, foi trágico. O país estava inundado por uma incrível operação irresponsável de leasing em dólar para financiamento de carros para PESSOAS FÍSICAS. Tragédia mesmo foi isso, o resto é conversa. Vou parar por aqui. 

  16. derek icaro

    29 de junho de 2015 5:44 pm

    Lembrete

    O Nassif quando tem alguma duvida sobre economia pergunta pro Ciro Gomes. Parabens!

  17. Miguel A. E. Corgosinho

    29 de junho de 2015 8:17 pm

    “Foi assim no plano Real,

    “Foi assim no plano Real, quando jogaram as taxas de juros para níveis inimagináveis. Em pouco tempo formou-se a maior dívida pública da história sem contrapartida de ativos.

    O que aconteceu na economia real?”

    A divida pública (representante da economia real) contém em germe as taxas de juros que, no entender da Ciência da Economa é um conceito vinculante para autonomia do poder político.

    Com o advento da taxa Selic, os juros passam a ser a teoria da história e, o governo sob o centro da meta é administrado pelo Banco Central – mas sem a contrapartida de ter os ativos em que se aliena, porque antes, pelo mesmo investimento, os empresários se endividaram. 

    Na verdade, a tomada desse sentido avesso para o governo é algo negativo, por outro lado, é hostil para a socialização, tendo em vista que, nas etapas sucessivas os ativos são petrificados ao longo do tempo por juros, ou seja, o Estado foi também alienado pela inconsciência da realidade social.

    Portanto, o processo de alienação (com formação social) como cultura que data a própria realização pela expansão de seu meio econômico (o real financiado), desenvolveu leis próprias; submete o governo e a socialidade cívil aos seus lucros – numa espécie de sabedoria exclusiva – que, além dos chamados cientístas políticos, vai se enriquecendo das ilusões que moldam o desenvolvimento fictício.

  18. Andre B

    29 de junho de 2015 9:09 pm

    o ajuste é conjuntural, a politica estrutural.

    A questão do ajuste (arrocho) não se refere apenas a controle de variáveis macroeconômicas. Pelo menos duas lições da história recente mostram que junto com um ajuste (eles são recorrentes em tempos neoliberais) aparecem políticas estruturais com um objetivo claro e definido: Desmontar os serviços sociais públicos e transformar o Estado em uma mera máquina repressora (maximizada, já que a cada ‘ajuste’ os serviços sociais diminuem e a renda se concentra – restando aos desvalidos o cacetete da politica apenas). O primeiro exemplo é o que se desdobra hoje diante dos nossos olhos na Europa. Desde o estabelecimento da meta fiscal dos países do Euro que o Estado de bem-estar e os direitos trabalhistas vêm sendo desmontados até a situação de terra arrasada em que se encontra países como Grécia, Espanha, Itália e Portugal hoje. O segundo exemplo é o que consta do próprio texto: o governo FHC onde os ajustes e politicas recessivas vieram com privatizações de todo tipo – inclusive a maldita terceirização no serviço público e as OS’s. Não é por acaso que em meio ao ajuste(arrocho) atual vemos o STF liberar geral para a terceirização no serviço público, a CCJ aprovar PEC que libera cursos pagos nas Universidades Públicas, o PL 2177/2011 – que permite as parcerias público-privadas nas Universidades – tramitando com urgência na camara e mais uma rodade de privatização de serviços de infraestrutura disfarçadas de “concessões”. Ao lado disso, as greves nos serviços públicos e greves em geral tem sido respondidas com ‘tiro, porrada e bomba’, alegação de ilegalidade pelo judiciario – que faz parte do jogo da destruição do social e da porrada nos trabalhadores – e demissões ilegais, indicando a disposição de destruir qualquer germe de um movimento de resistência. É bom olhar para a Grécia nosso futuro – não muito distante – talvez esteja sendo decidido lá.

  19. Miguel A. E. Corgosinho

    30 de junho de 2015 12:08 am

    Virá o dia obrigatório desta

    Virá o dia obrigatório desta tecnologia de valor:

    Dura necessidade enriquecer a exterioridade.

    Banqueiros, o mundo é produto dos espíritos.

    Superávit primário são espíritos de Indivíduos,

    O Estado substancia o bônus do investimento.

    Por isso sereis conhecidos na medida do céu.

     

  20. Jesus Cristinho

    30 de junho de 2015 12:49 am

    Mas as altas taxas de juros

    Mas as altas taxas de juros não eram para controlar a inflação, mas sim para reter o capital estrangeiro especulativo porque o Brasil, recem saído da moratória e com comodities agricolas e minério de ferro com valores baixíssimos ainda não geravam gordos superávits e as reservas cambiais eram muito pequenas, e o Brasil era dependente do capital estrangeiro para fechar as suas contas. 

    E mais, justamente a subida do dólar em 1999 e 2002 trouxe um fôlego à indústria, motivo pelo qual em nenhum ano do governo FHC houve recessão anual e na média supera o governo Dilma 1.

    A auteridade fiscal e escalada de juros atual nada tem a ver com combate à inflação e equilíbrio fiscal, mas é apenas uma penitência que a Dilma tem de pagar (com o sofrimento dos brasileiros) pelos 4 anos de descalabro fiscal que foram seu governo.

    Tivesse não se reelegido, ou renunciado logo em janeiro/fevereiro não seria necessário pagar essa penitência.

     

     

  21. Roberto São Paulo-SP 2015

    30 de junho de 2015 2:17 am

    O aumento das exportações de manufaturados

    Um ajuste fiscal de cerca de 1% do PIB e juros reais(Selic) de 7% ao ano não irá provocar uma recessão, principalmente considerando o atual ajuste na taxa de câmbio, com o dólar ficando acima de R$ 3,00 neste ano, com correção em torno de 6% nos próximos anos.

    O setor agropecuário, mesmo com a queda dos preços internacionais vai manter o crescimento acima dos 3% anuais, o setor de Serviços vai ficar entre a estagnação e um crescimento de 1% ao ano, mas indústria vai voltar a crescer nos próximos trimestres, com o aumento das exportações e a substituição das importações, gerando emprego e renda.

    A partir dos dados de  junho deste ano já veremos sinais concretos do aumento das exportações de manufaturados.

    Na medida em que a inflação se estabilizar o Copom vai reduzir os juros da Selic, que combinado com a correção da taxa de Câmbio irá acelerar o ritmo de crescimento econômico.

     

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