Bom dia Nassif, tudo bem?
O Paul Krugman teve um post recente interessante sobre o mesmo tema da sua coluna econômica de hoje. Segue o link:
http://blogs.estadao.com.br/paul-krugman/2011/02/09/porque-as-expectativ…
Na verdade, trata-se de um comentário de um artigo do FT, sobre a inflação na Grã-Bretanha:
http://blogs.ft.com/economistsforum/2011/02/remember-why-inflation-expec…
O que é mais notório, do meu ponto de vista, é que uma parte pressão inflacionária lá se dá pelo aumentos dos preços dos alimentos, como era mesmo de se esperar, além de outro fator tipicamente sazonal, como o preço da energia, e outros fatores extrínsecos, como a desvalorização da moeda e o aumento de um imposto.
Ou seja, é fácil notar também lá, que não há pressão inflacionária de preços indexados, do núcleo da inflação (core inflation).
E a conclusão, ótima, por sinal:
Pense o seguinte a respeito: elevar as taxas (de juros) na Grã-Bretanha agora seria exigir que os salários, já bem abaixo do padrão, diminuíssem ainda mais. Não é uma política sensata para responder a uma subida verificada excepcionalmente na curva dos preços.
Do Estadão.com.br
Por que as expectativas importam
Paul Krugman
Paul Segal tem uma boa postagem no FT sobre as expectativas de inflação e em particular sobre o que a Grã-Bretanha deve fazer em face de uma recente elevação na curva da inflação:
Discussões ásperas envolvendo as expectativas de inflação hoje e os seus efeitos potenciais sobre a inflação real no futuro evocam uma conclusão, mas parecem ter esquecido o raciocínio. As expectativas de uma alta futura da inflação levam a uma elevação da inflação no futuro somente se os trabalhadores e as empresas conseguirem repassar esse aumento previsto dos preços para seus próprios contratos.
De fato. Como tentei explicar no passado, devemos nos preocupar é com um processo de saltos sucessivos que podem perpetuar a inflação uma vez que ela se incorpore na economia:
Suponhamos que eu tenha estabelecido meu preço para o próximo ano e que espero que o nível geral de preços – incluindo aspectos como o preço médio de produtos concorrentes – suba 10% no curso do ano. Então provavelmente vou estabelecer meu preço 5% mais alto do que faria levando conta apenas as atuais condições.
Mas essa não é a história toda: como os preços fixados temporariamente são revisados apenas a intervalos, o reajuste deles com frequência é para fazer uma equiparação. Então, no momento em que reajusto meus preços, eles provavelmente ficarão 5% mais baixos do que “deveriam” estar; acrescente a isso a antecipação da inflação futura e, provavelmente, precisarei remarcar meu preço em 10% – mesmo se a oferta e a demanda estiverem mais ou menos equilibradas no momento.
Agora, imagine uma economia em que todo mundo esteja agindo da mesma maneira. O que isso nos diz é que a inflação tende a se perpetuar, a menos que ocorra um enorme excesso de oferta ou de demanda. Em especial, uma vez que as expectativas de uma inflação persistente de 10% sejam “incorporadas” na economia, será necessário um período maior de desaceleração – anos de alto nível de desemprego – para conseguir uma queda da inflação.
O ponto chave no caso inglês é que não existe nenhum sinal de que alguma coisa desse tipo esteja ocorrendo. A inflação geral sofreu uma alta por causa do preço dos alimentos, da energia, da desvalorização da libra e aumentos no VAT – imposto sobre o valor agregado; mas os saltos sucessivos no caso de preços que no geral não costumam variar não são absolutamente evidentes. Aqui está uma folha de salário semanal regular:
Pense o seguinte a respeito: elevar as taxas na Grã-Bretanha agora seria exigir que os salários, já bem abaixo do padrão, diminuíssem ainda mais. Não é uma política sensata para responder a uma subida verificada excepcionalmente na curva dos preços.
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