A economia dos Estados Unidos encerra 2025 em meio a um boom nos investimentos em inteligência artificial, mas ofuscado pelas incertezas geradas pela política econômica do governo Donald Trump, tarifas elevadas e a prolongada paralisação das atividades do governo, o que atrasou a divulgação de dados oficiais.
Diante desse cenário, o economista Nouriel Roubini delineou três possíveis trajetórias para a economia dos Estados Unidos em 2026, em artigo publicado no site Project Syndicate.
Segundo Roubini, o país se encontra diante de três cenários — um moderadamente positivo, um recessivo e outro de superaquecimento sem queda da inflação.
O economista, porém, destaca que o cenário mais provável é também o menos turbulento: o chamado “Goldilocks scenario”, ou cenário “mamãe-ursos”: crescimento fraco, mas sem recessão profunda, seguido de recuperação gradual e inflação convergindo, lentamente, para a meta de 2% do Federal Reserve.
O cenário-base: crescimento fraco, inflação em queda e recuperação no segundo semestre
Segundo Roubini, a probabilidade maior é que a economia americana atravesse alguns meses de crescimento abaixo do potencial, mas sem contrair profundamente. Diversos fatores sustentam essa visão:
- possível afrouxamento monetário pelo Fed no primeiro semestre;
- estímulos fiscais que ainda não chegaram totalmente à economia;
- balanços sólidos de famílias e empresas;
- condições financeiras favoráveis, com bolsas fortes, juros longos estabilizados e dólar mais fraco;
- efeitos acumulados do investimento maciço em inteligência artificial.
Roubini também sugere que a inflação pode iniciar uma trajetória mais clara de queda conforme o impacto dos tarifários de Trump perde força e os ganhos de produtividade — impulsionados pela IA — começam a pressionar custos para baixo.
Segundo cenário: recessão curta e recuperação lenta
Embora menos provável, o cenário recessivo não está fora da mesa. Ele emergiria caso:
- os efeitos defasados das tarifas elevem ainda mais os preços;
- o consumo perca força com a queda dos salários reais;
- a confiança empresarial se deteriore;
- uma possível correção do mercado acionário, caso haja percepção de bolha em IA, reduza o investimento corporativo.
Mesmo nesse quadro mais sombrio, Roubini ressalta que a recessão seria “curta e rasa”, porque tanto o Fed quanto o governo tenderiam a reagir com estímulos mais agressivos.
Terceiro cenário: crescimento forte e inflação alta
No lado oposto, o economista também admite a possibilidade de um cenário “no landing”, no qual a economia continua crescendo acima do potencial e a inflação não converge para a meta.
Alguns sinais recentes sugerem resiliência maior que a esperada, como:
- queda da oferta de trabalho devido à política migratória;
- primeiros ganhos de produtividade ligados à adoção de novas tecnologias;
- mercados de bens e trabalho mais apertados, pressionando salários para cima.
Nesse contexto, o Fed provavelmente adiaria cortes de juros, temendo um superaquecimento mais persistente.
Riscos geopolíticos e o peso da China no cenário global
Roubini observa que turbulências externas podem empurrar a economia americana para o cenário recessivo — especialmente uma nova escalada comercial entre EUA e China ou choques que elevem o preço do petróleo. Mas, até o momento, tais riscos vêm sendo contidos.
Se os EUA recuperarem força em 2026 e se a China mantiver crescimento próximo a 5%, o quadro global melhora substancialmente, abrindo espaço para uma recuperação sincronizada entre países desenvolvidos e emergentes — mesmo com incertezas no horizonte, existe a chance de que 2026 seja menos turbulento do que 2025.
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