5 de junho de 2026

‘Goldilocks’: o cenário-base de Roubini para a economia dos EUA em 2026

Economista avalia riscos de recessão leve, superaquecimento e estabilidade moderada, com sinais de resiliência no mercado
Foto de olia danilevich via pexels.com

1. Economia dos EUA em 2025: investimentos em IA em alta, mas incertezas por políticas tarifárias e paralisação governamental atrasam dados oficiais.

2. Cenários para 2026 por Nouriel Roubini: crescimento fraco, inflação em queda e recuperação gradual, apoiados por estímulos e investimentos em IA.

3. Possíveis cenários: recessão curta e lenta, crescimento forte e inflação alta, com influência de fatores como tarifas, salários e investimentos.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A economia dos Estados Unidos encerra 2025 em meio a um boom nos investimentos em inteligência artificial, mas ofuscado pelas incertezas geradas pela política econômica do governo Donald Trump, tarifas elevadas e a prolongada paralisação das atividades do governo, o que atrasou a divulgação de dados oficiais.

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Diante desse cenário, o economista Nouriel Roubini delineou três possíveis trajetórias para a economia dos Estados Unidos em 2026, em artigo publicado no site Project Syndicate.

Segundo Roubini, o país se encontra diante de três cenários — um moderadamente positivo, um recessivo e outro de superaquecimento sem queda da inflação.

O economista, porém, destaca que o cenário mais provável é também o menos turbulento: o chamado “Goldilocks scenario”, ou cenário “mamãe-ursos”: crescimento fraco, mas sem recessão profunda, seguido de recuperação gradual e inflação convergindo, lentamente, para a meta de 2% do Federal Reserve.

O cenário-base: crescimento fraco, inflação em queda e recuperação no segundo semestre

Segundo Roubini, a probabilidade maior é que a economia americana atravesse alguns meses de crescimento abaixo do potencial, mas sem contrair profundamente. Diversos fatores sustentam essa visão:

  • possível afrouxamento monetário pelo Fed no primeiro semestre;
  • estímulos fiscais que ainda não chegaram totalmente à economia;
  • balanços sólidos de famílias e empresas;
  • condições financeiras favoráveis, com bolsas fortes, juros longos estabilizados e dólar mais fraco;
  • efeitos acumulados do investimento maciço em inteligência artificial.

Roubini também sugere que a inflação pode iniciar uma trajetória mais clara de queda conforme o impacto dos tarifários de Trump perde força e os ganhos de produtividade — impulsionados pela IA — começam a pressionar custos para baixo.

Segundo cenário: recessão curta e recuperação lenta

Embora menos provável, o cenário recessivo não está fora da mesa. Ele emergiria caso:

  • os efeitos defasados das tarifas elevem ainda mais os preços;
  • o consumo perca força com a queda dos salários reais;
  • a confiança empresarial se deteriore;
  • uma possível correção do mercado acionário, caso haja percepção de bolha em IA, reduza o investimento corporativo.

Mesmo nesse quadro mais sombrio, Roubini ressalta que a recessão seria “curta e rasa”, porque tanto o Fed quanto o governo tenderiam a reagir com estímulos mais agressivos.

Terceiro cenário: crescimento forte e inflação alta

No lado oposto, o economista também admite a possibilidade de um cenário “no landing”, no qual a economia continua crescendo acima do potencial e a inflação não converge para a meta.

Alguns sinais recentes sugerem resiliência maior que a esperada, como:

  • queda da oferta de trabalho devido à política migratória;
  • primeiros ganhos de produtividade ligados à adoção de novas tecnologias;
  • mercados de bens e trabalho mais apertados, pressionando salários para cima.

Nesse contexto, o Fed provavelmente adiaria cortes de juros, temendo um superaquecimento mais persistente.

Riscos geopolíticos e o peso da China no cenário global

Roubini observa que turbulências externas podem empurrar a economia americana para o cenário recessivo — especialmente uma nova escalada comercial entre EUA e China ou choques que elevem o preço do petróleo. Mas, até o momento, tais riscos vêm sendo contidos.

Se os EUA recuperarem força em 2026 e se a China mantiver crescimento próximo a 5%, o quadro global melhora substancialmente, abrindo espaço para uma recuperação sincronizada entre países desenvolvidos e emergentes — mesmo com incertezas no horizonte, existe a chance de que 2026 seja menos turbulento do que 2025.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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