4 de junho de 2026

Setor externo volta a influenciar desempenho da bolsa de valores

Jornal GGN – O ritmo de queda apurado no mercado norte-americano voltou a afetar o desempenho do mercado brasileiro. Aliado à desaceleração das ações da Petrobras, o quadro levou o índice oficial de negociações a ficar novamente abaixo dos 50 mil pontos.

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O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) encerrou a quinta-feira em queda de 0,82%, aos 49.696 pontos e um volume negociado de R$ 5,689 bilhões. A queda acumulada no mês e no ano chega a 3,52%. As maiores altas foram as ações da CCR (CCRO3), Marfrig (MRFG3) e Cemig (CMIG4). Já as maiores baixas ficaram por conta dos papéis das empresas Eletrobrás (ELET6 e ELET3), BRF (BRFS3) e Petrobras (PETR3 e PETR4).

“O Ibovespa terminou a quinta-feira em baixa, seguindo as principais bolsas norte-americanas, com o índice S&P 500 recuando após atingir nova máxima histórica ontem”, diz o analista Nataniel Cezimbra, da BB Investimentos, em relatório. “Os investidores reagiram negativamente aos resultados corporativos divulgados hoje nos EUA, o que acabou não empolgando os agentes, que preferiram realizar lucros neste pregão e se sobrepuseram aos dados favoráveis do mercado de trabalho da maior economia mundial”.

As operações começaram o dia em alta, com os investidores repercutindo a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), que aumentou a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, para 10,50% ao ano, além dos dados referentes às vendas no varejo em novembro terem ficado acima das expectativas.

Porém, o ritmo foi invertido após a abertura dos mercados norte-americanos, uma vez que os resultados corporativos ruins divulgados no país pesou sobre o humor dos agentes.

Os papéis da Petrobras passaram por um ajuste após as especulações registradas no dia anterior, quando correu no mercado a possibilidade de a estatal voltar a aumentar o preço dos combustíveis durante o primeiro semestre do ano – notícia que já foi negada pela companhia.

No câmbio, a cotação do dólar encerrou o dia em alta de 0,30%, a R$ 2,3630. Segundo informações do serviço Broadcast, da Agência Estado, o anúncio do aumento da taxa Selic inicialmente derrubou a cotação em relação ao real, mas a moeda passou a subir pouco mais adiante, acompanhando o avanço das negociações nos Estados Unidos. Para analistas consultados pela agência, o fato de os juros terem voltado a subir pode pressionar a atividade econômica, e consequentemente atingir as contas públicas – o que pode afetar o rating brasileiro no médio prazo.

Na agenda macroeconômica de sexta-feira, os agentes vão acompanhar a divulgação da segunda prévia do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), os dados de capacidade instalada da indústria e o índice mensal de atividade econômica do Banco Central. No exterior, destaque para os dados de construção de novas residências, produção industrial e confiança dos Estados Unidos, a balança orçamentária da França, o índice de vendas no varejo da Inglaterra e os dados de confiança ao consumidor do Japão.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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