23 de outubro de 2026

Stiglitz vê riscos econômicos em eventual governo Flávio Bolsonaro

Nobel de Economia afirma que austeridade e cortes em investimentos públicos podem reduzir o PIB e ampliar desigualdades no Brasil
Joseph Stiglitz, economista e vencedor do Nobel. Foto: Reprodução/IPD - Initiative for Policy Dialogue, Columbia University

Joseph Stiglitz alerta que vitória de Flávio Bolsonaro traria riscos econômicos no curto e longo prazo para o Brasil.
O Nobel critica cortes de gastos e impostos para ricos, que podem prejudicar investimentos em educação e infraestrutura.
Stiglitz destaca riscos institucionais e alerta sobre pressão dos EUA, defendendo maior atenção ao comércio com a China.

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O economista Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2001, avalia que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) representaria riscos para a economia brasileira tanto no curto quanto no longo prazo.

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Em entrevista à Folha de S.Paulo, o professor da Universidade Columbia criticou propostas de austeridade fiscal, redução de impostos para os mais ricos e diminuição do papel do Estado.

Segundo Stiglitz, a combinação de cortes de gastos e redução de tributos pode contrair a atividade econômica, prejudicando trabalhadores e famílias de renda média e baixa.

O economista também alertou para os efeitos de longo prazo sobre investimentos públicos em educação, infraestrutura e tecnologia, considerados essenciais para o desenvolvimento do país.

Para ele, a redução desses investimentos comprometeria a capacidade brasileira de diminuir a distância em relação às economias desenvolvidas. Stiglitz argumenta ainda que a diminuição de despesas discricionárias, especialmente em áreas sociais, poderia ampliar a pobreza e a desigualdade.

O economista também apontou riscos institucionais associados às propostas do candidato do PL. Antes do primeiro turno, ele assinou, ao lado de intelectuais como Thomas Piketty e Chico Buarque, um artigo publicado no jornal francês Le Monde que alertava para ameaças à democracia.

Juros, mercado financeiro e relação com os EUA

Stiglitz ponderou que a reação positiva do mercado financeiro após o primeiro turno reflete uma visão de curto prazo, concentrada na expectativa de impostos menores e de um ambiente mais favorável aos negócios. Na avaliação do Nobel, porém, uma economia em recessão e com investimentos insuficientes não oferece condições sustentáveis para o setor privado.

O economista afirmou que o governo Lula teve resultados positivos para os mercados, mas defendeu a redução das taxas de juros brasileiras. Segundo ele, o elevado custo do crédito limita a competitividade da economia e beneficia o mercado financeiro em detrimento de investimentos produtivos.

Sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, Stiglitz classificou a medida como uma forma de interferência política e criticou a pressão exercida pelo governo de Donald Trump. Para o economista, o Brasil precisa considerar sua relação comercial com a China, que, segundo ele, tem maior peso para o país do que o comércio com os Estados Unidos.

Stiglitz advertiu que uma aproximação excessiva com Washington poderia pressionar o Brasil a aderir à hostilidade americana contra Pequim. Na avaliação do economista, preservar os interesses comerciais brasileiros exige considerar a importância da China e os efeitos econômicos das escolhas diplomáticas.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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