O economista Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2001, avalia que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) representaria riscos para a economia brasileira tanto no curto quanto no longo prazo.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, o professor da Universidade Columbia criticou propostas de austeridade fiscal, redução de impostos para os mais ricos e diminuição do papel do Estado.
Segundo Stiglitz, a combinação de cortes de gastos e redução de tributos pode contrair a atividade econômica, prejudicando trabalhadores e famílias de renda média e baixa.
O economista também alertou para os efeitos de longo prazo sobre investimentos públicos em educação, infraestrutura e tecnologia, considerados essenciais para o desenvolvimento do país.
Para ele, a redução desses investimentos comprometeria a capacidade brasileira de diminuir a distância em relação às economias desenvolvidas. Stiglitz argumenta ainda que a diminuição de despesas discricionárias, especialmente em áreas sociais, poderia ampliar a pobreza e a desigualdade.
O economista também apontou riscos institucionais associados às propostas do candidato do PL. Antes do primeiro turno, ele assinou, ao lado de intelectuais como Thomas Piketty e Chico Buarque, um artigo publicado no jornal francês Le Monde que alertava para ameaças à democracia.
Juros, mercado financeiro e relação com os EUA
Stiglitz ponderou que a reação positiva do mercado financeiro após o primeiro turno reflete uma visão de curto prazo, concentrada na expectativa de impostos menores e de um ambiente mais favorável aos negócios. Na avaliação do Nobel, porém, uma economia em recessão e com investimentos insuficientes não oferece condições sustentáveis para o setor privado.
O economista afirmou que o governo Lula teve resultados positivos para os mercados, mas defendeu a redução das taxas de juros brasileiras. Segundo ele, o elevado custo do crédito limita a competitividade da economia e beneficia o mercado financeiro em detrimento de investimentos produtivos.
Sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, Stiglitz classificou a medida como uma forma de interferência política e criticou a pressão exercida pelo governo de Donald Trump. Para o economista, o Brasil precisa considerar sua relação comercial com a China, que, segundo ele, tem maior peso para o país do que o comércio com os Estados Unidos.
Stiglitz advertiu que uma aproximação excessiva com Washington poderia pressionar o Brasil a aderir à hostilidade americana contra Pequim. Na avaliação do economista, preservar os interesses comerciais brasileiros exige considerar a importância da China e os efeitos econômicos das escolhas diplomáticas.
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