10 de junho de 2026

Tarifa ao Brasil abre “precedente perigoso”, dizem economistas

EUA impõe taxa de 50% a um país com o qual é superavitário; aliados dizem que movimento é semelhante ao feito contra México e UE
Foto: Alan Santos/PR

Os economistas norte-americanos tem mostrado preocupação com o plano de Donald Trump em impor uma tarifa de 50% a partir de 1º de agosto, a maior taxa a um mercado entre as 22 implementadas ao longo desta semana.

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Além de alegar que a cobrança se deve à forma como o ex-presidente Jair Bolsonaro tem sido tratado pela Justiça do país, Trump citou em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o Brasil possui “déficits comerciais insustentáveis contra os EUA”.

Esse fato irritou economistas, uma vez que os EUA possuem superávit comercial com o Brasil, e não um déficit. Nas redes sociais, o ex-presidente do escritório do Federal Reserve (o Banco Central norte-americano) Eric Rosengren afirma que a tarifa mais alta “aumentará os preços do café”, é um “uso estranho das tarifas” e provavelmente não vai mudar o julgamento de Bolsonaro.

Dados do Escritório do Representante Comercial dos EUA mostram que as exportações norte-americanas para o Brasil em 2024 somaram US$ 49,7 bilhões, enquanto as importações de bens dos EUA do Brasil foram de US$ 42,3 bilhões.

“A ação contra o Brasil estabelece um precedente assustador, na medida em que é a primeira vez que as tarifas de Trump visam influenciar (ostensivamente) o cenário político e judicial interno de um país”, disse Thierry Wizman, estrategista e economista do Macquarie Group, em nota publicada no site norte-americano MarketWatch.

O economista destacou que grande parte dos analistas considerada o Brasil a salvo das tarifas “recíprocas” por conta do déficit comercial com os EUA, mas ninguém imaginava que Trump poderia usar outros motivos para aplicar tamanha taxação.

Entretanto, um ex-funcionário do governo Trump argumentou que o presidente norte-americano agiu com o Brasil de forma semelhante quando implementou tarifas contra o México e a União Europeia.

No caso do México, a argumentação foi que eles não estavam ajudando nem com o controle das fronteiras e nem com o controle do fentanil, enquanto a justificativa contra a UE está ligada à contribuição para os orçamentos de defesa. Assim, pode-se perceber que Trump está usando as tarifas como mecanismo de poder e de uma forma muito mais ampla.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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