O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, por unanimidade, manter a Taxa Selic em 15% ao ano pela terceira reunião consecutiva, atingindo assim seu maior patamar em 20 anos.
Em comunicado divulgado após a reunião, o colegiado cita a necessidade de uma política monetária “significativamente contracionista em um cenário de alta incerteza, tanto externa quanto doméstica”, visando garantir a convergência da inflação para a meta.
Fatores de Cautela na Decisão do Copom
A manutenção da taxa Selic 15% é justificada por um balanço de riscos que exige “cautela na condução da política monetária”.
1. Cenário Externo e Geopolítica
O ambiente global é visto como incerto, dominado pela conjuntura e política econômica dos Estados Unidos, que geram reflexos nas condições financeiras mundiais. Essa tensão, somada a um ambiente de tensão geopolítica, exige especial vigilância de países emergentes como o Brasil. O Comitê segue, inclusive, acompanhando anúncios sobre imposição de tarifas comerciais dos EUA ao Brasil.
2. Inflação Acima da Meta e Expectativas Desancoradas
Apesar da moderação no crescimento da atividade econômica, a inflação cheia e as medidas subjacentes permanecem acima da meta. As projeções da pesquisa Focus para 2025 e 2026 seguem elevadas (4,5% e 4,2%, respectivamente), demonstrando um cenário de expectativas desancoradas.
3. Riscos de Alta para a Inflação
O Copom destaca três principais riscos que podem pressionar a inflação para cima:
– Desancoragem Prolongada: Manutenção das expectativas de inflação acima da meta por mais tempo.
– Resiliência nos Serviços: Inflação de serviços mais persistente do que o esperado, impulsionada pelo dinamismo do mercado de trabalho e por um hiato do produto mais positivo.
– Câmbio e Políticas Econômicas: Impacto inflacionário maior do que o projetado devido a uma taxa de câmbio persistentemente depreciada e à conjugação das políticas fiscais.
Juros Altos por Tempo Prolongado
Diante desse cenário, o Copom afirma que a estratégia de manutenção do nível atual da taxa de juros “por período bastante prolongado” é considerada suficiente para garantir que a inflação convirja para o centro da meta no horizonte relevante (2º trimestre de 2027, com projeção de 3,3%), reforçando que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste (subir os juros) caso avalie que a situação exija.
Repercussão
A decisão do Copom em manter a Selic em 15% era amplamente esperada pelo mercado e, na visão de José Áureo Viana, economista, assessor e sócio da Blue3 Investimentos, “a mensagem foi de continuidade, prudência e vigilância, priorizando estabilidade e credibilidade da política monetária”.
“O BC destaca os riscos para a inflação ainda altos, em especial a resistência da inflação de serviços, resultante de uma atividade ainda firme”, explica, ressaltando que o comitê “reforçou a cautela com um cenário onde prevalece incertezas, tanto no exterior quanto domestica”.
Já Marcelo Bolzan, planejador financeiro e sócio da The Hill Capital, destaca o tom “hawkish” do comunicado, ressaltando que “ele manteve o tom duro da ata quando todo mundo já estava imaginando uma sinalização um pouco mais tranquila”.
“Acho que o grande destaque aqui do comunicado foi um pequeno ajuste na comunicação que eles fizeram dizendo aqui que no cenário doméstico que a atividade segue apresentando um crescimento moderado, que o mercado de trabalho ainda está dinâmico, mas ele reconhece que a inflação mostra um pequeno arrefecimento”, pontua o economista.
“No comunicado, ele continua dizendo que o cenário exige uma política monetária em patamar significativamente contracionista por um período bastante prolongado. Então, sinalizando que vai continuar alto para os próximos meses ainda (…)”.
Rui Ribeiro
6 de novembro de 2025 5:59 am“BC mantém o juros em 15% ao ano e diz que incerteza exige cautela”.
Porventura, certeza inexige cautela?
E vão Rolando Lero, enquanto a população, passiva, é ascharisada por eles impiedosamente e afunda cada vez mais na miséria e na ignorância
Rui Ribeiro
6 de novembro de 2025 6:14 am“BC mantém o juros em 15% ao ano e diz que incerteza exige cautela”.
Porventura, certeza prescinde de cautela?
Pq será que nossa ignorância é superestimada por esses burros?
Tu sabes, Ambar. Responde-nos, por favor
Rui Ribeiro
6 de novembro de 2025 7:00 amSe a inflação aumenta, eleva-se a taxa de juros para controlar a inflação e manter o poder aquisitivo dos pobres, a fim de que eles paguem mais juros enquanto a dívida pública aumenta proporcionaente à elevação da taxa de juros.
Os efeitos colaterais do remédio são piores do que a doença
Paulo Dantas
6 de novembro de 2025 6:56 pmEsperando o Lula chamar o Galípolo de “este cidadão”.