4 de junho de 2026

Troca de ministros afeta mercado; bolsa cai 1,62%

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Jornal GGN – O processo de troca de comando no Ministério da Fazenda aumentou o clima de aversão ao risco no mercado brasileiro, e a bolsa começou a semana em seu menor nível desde abril de 2009. O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) terminou o dia em queda de 1,62%, aos 43.199 pontos e com um volume negociado de R$ 8,233 bilhões.

A Bolsa chegou a abrir com pequena alta, mas passou a cair após as 12h30. As cotações pioraram depois da primeira teleconferência do novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, com investidores do mercado financeiro.

Apesar de o ministro ter se comprometido a manter a direção da política econômica, os indicadores se deterioraram após a conversa. Na conversa, Barbosa prometeu dar prioridade ao ajuste fiscal e ao combate à inflação. Ele defendeu ainda a reforma da Previdência, que institui a idade mínima para aposentadoria. Investidores, porém, temem que o compromisso de Barbosa com o ajuste não seja rigoroso, e esperam ações concretas do novo ministro.

Em termos acionários, a maioria dos papéis do índice fechou em queda, com destaque para a Vale – os papéis preferenciais (VALE5) caíram 6,53%, a R$ 9,74, enquanto os títulos ordinários (VALE3) recuaram 4,65%, a R$ 12,29. No fim de semana, a Justiça determinou o bloqueio de bens da Vale e da BHP Billiton. As duas empresas são donas da Samarco, cujas barragens romperam, provocando um desastre ambiental em Minas Gerais.

A queda das ações da Petrobras, afetadas pelos baixos preços do petróleo no mercado internacional, também influenciou o resultado: os papéis preferenciais da companhia (PETR4) se desvalorizaram 5,41%, a R$ 6,64, e os ordinários (PETR3) caíram 4,04%, a R$ R$ 8,31.

No câmbio, a cotação do dólar comercial voltou a ficar acima de R$ 4 após a troca do ministro da Fazenda. A moeda norte-americana fechou em alta de 1,93%, a R$ 4,023 na venda, em seu maior valor desde 29 de setembro, quando fechou cotado a R$ 4,059. Na semana passada, o dólar havia acumulado alta de 1,88% e fechado a R$ 3,947 na sexta-feira.

Além de acompanhar os desdobramentos relacionados à posse de Barbosa, os agentes também continuavam acompanhando o processo de impeachment. Na última semana, o STF (Supremo Tribunal Federal) acatou as principais teses do governo sobre as regras do processo de impeachment e dar ao Senado o poder de rejeitar a instauração do impedimento, mas a Câmara dos Deputados também deverá refazer a eleição da comissão especial que analisará o tema, com voto aberto e sem apresentação de chapas avulsas.

Segundo informações da agência de notícias Reuters, o mercado tem reagido bem às notícias que apontam na direção da saída de Dilma, com a expectativa de que uma mudança no governo ajudaria a avançar nas medidas necessárias para o ajuste fiscal.

Em meio a isso, o Banco Central continuou com o processo de rolagem dos swaps cambiais (equivalentes à venda futura de dólares) com vencimento programado para janeiro, com oferta de até 11.260 contratos. Até agora, o BC já rolou o equivalente a US$ 8,206 bilhões, ou aproximadamente 77% do lote total, que corresponde a US$ 10,694 bilhões.

Para terça-feira, os agentes esperam pela divulgação da nota de política monetária e operações de crédito do Banco Central, o relatório mensal da dívida pública federal pelo Tesouro Nacional, sondagem da construção e o índice de custo de construção pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). No exterior, destaque para o índice de confiança do consumidor na Alemanha; o índice de preços de imóveis, vendas de imóveis existentes e o PIB preliminar do terceiro trimestre nos Estados Unidos.

 

 

 

(Com Reuters e Agência Brasil)

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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