4 de junho de 2026

Vale puxa queda da bolsa; índice perde 0,47%

Setor externo avança, mas noticiário corporativo derruba Ibovespa

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Jornal GGN – As operações do mercado brasileiro encerraram o dia em queda, em dia marcado pela instabilidade e pelo noticiário corporativo pesado. O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) encerrou o dia em queda de 0,47%, aos 41.887 pontos e com um volume negociado de R$ 4,876 bilhões. No mês, o índice acumula valorização de 3,67%. No ano, porém, tem queda de 3,37%. O saldo de recursos externos em fevereiro está positivo em R$ 1,917 bilhão e, no ano, o resultado é positivo em R$ 1,749 bilhão.

“Os mercados internacionais fecharam com saldo positivo nessa quinta-feira, apesar do susto inicial com a queda de 6,4% da Bolsa de Xangai, motivada por um aperto das condições de liquidez pelo Banco Central chinês. O minério de ferro teve mais um queda, dessa vez de 2%, fechando abaixo de US$ 50 pela primeira vez na semana”, diz o BB Investimentos, em relatório assinado pelo analista Fabio Cesar Cardoso. As bolsas na Europa fecharam em alta com a perspectiva de mais estímulos depois que os dados divulgados sobre a inflação de janeiro na região do Euro mostraram um avanço de apenas 0,3%, ante uma expectativa de 0,4%. Nos Estados Unidos, dados mistos divulgados hoje não deram direção definida à bolsa. Os pedidos de bens duráveis aumentaram 4,9% em janeiro (prévia), ante uma expectativa de 2,6%, enquanto os pedidos de auxílio-desemprego terminaram a semana com 272 mil novas solicitações (estimativa inicial era de 270 mil).

No Brasil, o índice da Bovespa teve uma sessão volátil influenciada pelo intenso noticiário local e resultados corporativos de Blue Chips. A queda do Ibovespa foi puxada, principalmente, pelo desempenho negativo da mineradora Vale – as ações ordinárias da empresa (VALE3) tombaram 5,89%, a R$ 11,02, e as preferenciais (VALE5) perderam 5,23%, a R$ 8,15. A empresa encerrou o ano de 2015 com um prejuízo líquido de R$ 44,213 bilhões, considerado o maior já registrado por uma empresa brasileira com ações na Bolsa desde 1986, quando começou o levantamento pela consultoria Economática.

Já a ação da Petrobras (PETR4) abriu em alta, repercutindo a mudança na legislação aprovada ontem no Senado, que elimina a participação obrigatória da Petrobras na exploração dos campos do pré-sal. Porém o papel não sustentou os ganhos em virtude da queda no preço do petróleo. À tarde os papéis se recuperaram junto com a commodity, que fechou em alta de 2,12% em Londres, a US$ 35,14. Depois de oscilar entre perdas e ganhos, as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) encerraram a sessão com baixa de 0,71%, a R$ 6,98. No sentido oposto, os papéis preferenciais (PETR4) subiram 0,41%, a R$ 4,89.

No câmbio, a cotação do dólar comercial registrou sua segunda queda consecutiva, fechando em baixa de 0,17%, a R$ 3,95 na venda. No mês, a moeda acumula desvalorização de 1,85%. No ano, o ganho acumulado é de 0,05%.

Segundo informações da agência de notícias Reuters, a proximidade do fim do mês leva a um movimento maior de venda de dólares para influenciar a formação do dólar Ptax, taxa calculada pelo Banco Central usada como referência para diversos contratos, e tal movimentação derrubou a moeda ante o real.

Mais cedo, o Tesouro Nacional informou que o governo federal registrou saldo positivo em suas contas após oito meses com saldo negativo. As receitas do governo superaram as despesas em R$ 14,8 bilhões no mês passado – desse total, R$ 11 bilhões se referem ao pagamento pela concessão de 29 usinas hidrelétricas, leiloadas em novembro do ano passado. A arrecadação de impostos apurada pela Receita Federal, porém, somou R$ 129,4 bilhões em janeiro, recuo de 6,7% já descontada a inflação, ante janeiro de 2015, o pior resultado para o mês desde janeiro de 2011.  No cenário externo, os preços do petróleo reduziam o ritmo de baixa em meio a preocupações com o excesso de oferta da matéria-prima e com a economia global.

Para sexta-feira, os agentes aguardam a divulgação do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), sondagem do comércio pela FGV (Fundação Getúlio Vargas ) e a nota à imprensa referente a política fiscal pelo Banco Central. No exterior, destaque para o índice de sentimento econômico e confiança do consumidor na área do euro; índice de preços ao consumidor da Alemanha; PIB (Produto Interno Bruto) preliminar do quarto trimestre, balança comercial, rendimento e gastos pessoais e o índice de confiança da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

 

 

(Com Reuters)

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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