“Pertubardor”, diz Alto Comissariado da ONU sobre operação no Jacarezinho e pede investigação

De Genebra, Suíça, a instituição afirmou que "houve uso desproporcional e sem necessidade da força pela polícia do Brasil" e que "parece ter sido a operação mais letal na última década no Rio de Janeiro"

Rupert Colville, porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU - Foto: ONU

Jornal GGN – O Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos pediu que seja investigada a operação policial no Rio de Janeiro que matou 25 pessoas, nesta quinta-feira (05).

De Genebra, Suíça, em coletiva de imprensa, o porta-voz da ONU, Ruppert Colville, disse que a instituição está “profundamente pertubada pela morte de 25 pessoas numa operação policial no Brasil”. Segundo ele, esta pode ter sido a operação mais letal no Rio de Janeiro na última década.

Em comunicado, as Nações Unidas informa que pediu às autoridades do Rio de Janeiro que investiguem, “de forma independente e minuciosa”, a operação na favela do Jacarezinho.

Na reunião internacional, o porta-voz do Escritório de Direitos Humanos disse ter recebido relatos de que a polícia não preservou a cena do crime, o que pode atrapalhar as investigações.

“Houve uso desproporcional e sem necessidade da força pela polícia do Brasil a população pobre, marginalizada em áreas dominadas por brasileiros afrodescendentes em comunidades conhecidas como favelas”, afirmou Colville.

Dirigindo-se diretamente às autoridades brasileiras, ele afirmou que o uso da força só deve ser aplicado quando “estritamente necessário”, e sempre respeitando os princípios da legalidade, precaução, necessidade e proporcionalidade.

Colville afirmou, ainda, ser “perturbador” que a operação ocorreu mesmo com uma decisão da Suprema Corte brasileira, no ano passado, que impede operações policiais nas favelas do Rio pelo atual contexto de pandemia.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora