Os riscos da suspensão da carne para a China, por Luis Nassif

É relevante o peso das vendas de carne para a China e Hong Kong. Se, aos poucos, a China pode substituir a produção brasileira, para o Brasil não será fácil compensar uma eventual perda de participação no mercado chinês.

Em 2018, a China identificou problemas sanitários na carne importada do Reino Unido, uma partida de animais com o mal da “vaca louca”. A reação da Administração Geral das Alfândegas da China foi criar restrições à compra de carnes do Reino Unido. Até hoje as exportações não foram normalizadas.

Daí a importância de analisar as restrições sanitárias da China à carne brasileira – tema, aliás, que surgiu após a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal.

Os sucessivos ataques do governo BOlsonaro à China, além disso, deu início a um processo gradativo de busca de novos mercados pelos importadores chineses.

Segundo o Financial Times ouviu de um importador chinês, “a carne bovina brasileira ocupa um terço dos nossos negócios. Estamos substituindo-o por importações crescentes de outros países do norte da Europa e do Cazaquistão ”, disse um gerente da Chengdu Haiyunda Trading Company, que parou de importar carne bovina brasileira desde a suspensão. 

No ano passado, o fracasso da política de combate ao Covid fez a China suspender as importações de vários frigoríficos brasileiros. A medida pressionou os preços e a inflação na China. Posteriormente, houve suspeita de que carne brasileira também poderia estar contaminada pelo mal da “vaca louca”. 

Atualmente, há 100 mil toneladas de carne bovina certificadas, antes da suspensão das vendas. Mesmo assim, houve pouco reflexo sobre os preços internos.

É relevante o peso das vendas de carne para a China e Hong Kong. Se, aos poucos, a China pode substituir a produção brasileira, para o Brasil não será fácil compensar uma eventual perda de participação no mercado chinês.

Confira nos dados trabalhados pelo GGN em cima das estatísticas oficiais

Nos últimos 12 meses, fechados em setembro, a China respondeu por 38,41% das vendas totais e Hong Kong por 8,5%, seguidos por Arábia Saudita e Estados Unidos.

Os dados de carne mostram claramente o caminho do Brasil para os mercados asiáticos.

Em setembro de 2015, no acumulado de 12 meses a China respondia por apenas 6,19% das exportações brasileiras de carne. Em apenas 6 anos, saltou para 38,4%.

A comparação entre as taxas de crescimento da venda de carnes para a China e as vendas totais, mostra como o mercado chinês disparou a partir de 2015. No último dado, estava 80% maior que em 2915 enquanto as vendas totais (incluindo para a China) cresceram apenas 35%.

Juntas, China e Hong Kong já respondem por metade de todas as exportações de carne.

Na avaliação individual, aparentemente houve crescimento da venda de carnes para os Estados Unidos e um arrefecimento para a Arábia Saudita..

Mas quando se colocam os três países no mesmo gráfico, percebe-se a diferença de relevância em relação à China. Em 2015, as vendas eram de valores próximos.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

3 comentários

  1. Que bom! Que bom! Que se lasquem os ruralistas bolsonaristas e o as jbss que pegam dinheiro aqui e pagam impostos nos Estados Unidos. Aguardo que o mesmo ocorra com a soja para que a Amazônia fique em paz.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome