Entenda a pechincha de Flávio Bolsonaro, na compra da mansão, por Luis Nassif

O preço do m2 em outras mansões, oferecidas pela Viva Real, vão de 32,2% a 158% acima preço supostamente pago por Flávio.

A mansão adquirida pelo senador Flávio Bolsonaro em Brasilia carece, ainda, de muitas explicações. Na escritura da mansão, no 4o Ofício de Notas de Brazlândia, fica-se sabendo que o senador conseguiu o expressivo desconto de R$ 180 mil em relação ao preço do imóvel – que seria de R$ 6,15 milhões e foi vendido por R$ 5,97 milhões.

Em plena pandemia, o senador justificou a renda pela venda de uma franquia do chocolate Kopenhagen, complementada por um empréstimo do Banco Regional de Brasilia, a taxas favorecidas.

Uma consulta rápida a imobiliárias de Brasilia mostra que o preço pago foi muito inferior aos preços praticados em imóveis similares.

Confira as ofertas da Viva Real.

A mansão de Flávio tem 1.100 m2 de área útil. O que significa que ele pagou R$ 5.427 por m2.

É significativa  a diferença com os preços de outras mansões, especialmente levando em conta o acabamento. Tem dois andares, piso em mármore, academia, sauna integrada com a piscina, churrasqueira, forno de pizza, brinquedoteca, salas de jantar e estar, garagem para oito carros, além de um espaço para home theater e monitoramento por câmeras.

O preço do m2 em outras mansões, oferecidas pela Viva Real, vão de 32,2% a 158% acima preço supostamente pago por Flávio.

A venda foi feita por Juscelino Sarkis, da RVA Construções e Incorporações.

Há uma possibilidade forte da compra de ter sido subavaliada. Pode ser um negócio de ocasião. Mas também é uma forma de lavar dinheiro.

Hipoteticamente, o sujeito tem, digamos,  R$ 12 milhões para lavar. Mas só consegue justificar a metade, R$ 6 milhões. Ele adquire, então, uma casa de R$ 12 milhões, declara por R$ 6 milhões e paga os outros R$ 6 milhões por fora. O vendedor economiza Imposto de Renda.

Outra possibilidade – sempre falando hipoteticamente – é de alguma troca de favor. Assim como o irmão caçula ganhou um carro elétrico unicamente para abrir algumas portas para empresários capixabas junto ao governo, teoricamente seria possível que Flávio tivesse interferido em alguma decisão de governo, beneficiando terceiros.

Até agora são meras conjeturas. De qualquer modo, o vendedor, Juscelino Sirkis, é dono de muitas CNPJs em vários setores. Coloco a árvore de negócios dele apenas por curiosidade.

Chamou a atenção da mídia, também, o fato de Sirkis namorar uma juíza que trabalhou diretamente com João Otávio Noronha, do Superior Tribunal de Justiça, juiz de confiança dos Bolsonaro, inclusive sendo cotado para o Supremo Tribunal Federal.

Até agora não há nenhum indício público de segundos motivos no preço excepcional cobrado de Flávio. Mas há uma penca de pistas a serem investigadas. 

Até mesmo para se concluir que Flávio Bolsonaro, o deputado das rachadinhas, o empregador de milicianos, comprou limpa e honestamente sua casa.

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