O estado dos oceanos do planeta atingiu um nível de pressão considerado “grave e acelerado” em razão das atividades humanas, segundo a terceira edição da Avaliação Global dos Oceanos divulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) neste domingo (8), Dia Mundial dos Oceanos.
Produzido por quase 600 cientistas de 86 países, o estudo analisou as condições dos oceanos entre 2021 e 2025 e concluiu que os impactos provocados pela ação humana estão se acumulando de forma acelerada, provocando perda de biodiversidade em larga escala e comprometendo a capacidade dos mares de sustentar a vida e regular o clima global.
Um dos destaques do documento envolve a taxa de elevação do nível do mar, que mais do que dobrou no comparativo com a década passada: antes de 2015, os oceanos subiam em média 2 milímetros por ano. Em 2023, essa taxa chegou a 4,3 milímetros anuais.
Além das tensões geradas pela poluição, a pesca industrial e o aquecimento global, os estudos apontaram uma intensificação sem precedentes do aquecimento oceânico. Cerca de 16% de todo o calor acumulado pelos oceanos desde 1955 foi absorvido apenas após 2018. As regiões que registraram os maiores aumentos relativos de temperatura foram o Oceano Atlântico e as áreas meridionais dos oceanos Índico e Pacífico.
De acordo com o jornal britânico The Guardian, outro dado alarmante do documento refere-se à contaminação por plástico. A avaliação estima que 52,1 milhões de toneladas de resíduos plásticos cheguem aos oceanos todos os anos. Como consequência, existem atualmente cerca de 24,4 trilhões de partículas de microplásticos dispersas nos mares, afetando mais de 4 mil espécies marinhas.
O estudo também chama atenção para fatores estruturais que ampliam a pressão sobre os mares, incluindo o crescimento populacional, mudanças demográficas, avanços tecnológicos e instabilidades econômicas e geopolíticas. A população mundial passou de 7,7 bilhões de pessoas em 2017 para 8,2 bilhões no fim de 2024.
Atualmente, mais de um terço da humanidade vive a menos de 100 quilômetros da costa, enquanto 11% das pessoas habitam áreas situadas a menos de dez metros acima do nível do mar.
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