Caso Crivella: “Acusação tresloucada”, diz Igreja Universal acusada de lavar R$ 6 bi

De acordo a decisão do TJ-RJ, que prendeu Crivella nesta terça, a Igreja teve papel no esquema, lavando bilhões de reais para o chamado "QG da Propina"

Templo de Salomão da Igreja Universal em São Paulo - Foto: Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas

Jornal GGN – Acusada de atuar para a lavagem de cerca de R$ 6 bilhões para o “QG da Propina”, no esquema que prendeu o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), nesta terça (22), a Igreja Universal do Reino de Deus atacou os promotores do Rio de Janeiro e afirmou ser “absurda”.

“Difícil é saber onde termina a ignorância e onde começa a desonestidade intelectual de quem levanta, abraça ou propaga uma acusação tão tresloucada como esta”, escreveu a Igreja, em nota, nesta quarta (23).

Segundo o comunicado, a entidade religiosa “comprovou”, com “total transparência” que “não há ‘movimentação atípica’ ou ‘anormal'”, porque segundo ela “todos os valores têm origem e destino legais e declarados”.

Afirmou que a acusação de ter sido usada para lavar quase R$ 6 bilhões para o esquema é “caluniosa e mentirosa, que a Universal pode comprovar com sua contabilidade”.

De acordo a decisão do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), que prendeu Crivella nesta terça, a Igreja teve papel no esquema, lavando bilhôes de reais para o chamado “QG da Propina”, integrados também pelo primo de Edir Macedo e ex-tesoureiro das campanhas eleitorais do prefeito, Mauro Macedo, e o ex-senador e bispo Eduardo Benedito Lopes (Republicanos).

Macedo é conhecido por administrar negócios de empresas ligadas à Igreja Universal. Lopes, que foi suplente de Marcelo Crivella no Senado, por sua vez, chegou a ser acusado em 2018, durante campanha de reeleição ao Senado, de ter sido favorecido politicamente por abuso de poder religioso da Igreja Universal.

Entre as atuações de organização criminosa e corrupção passiva, a Igreja Universal do Reino de Deus teria sido usada para lavagem de dinheiro. Os investigadores do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) detectaram uma movimentação atípica de quase R$ 6 bilhões, entre maio de 2018 e abril de 2019, na Igreja.

Segundo os promotores, a movimentação financeira “anormal” seria, na prática, a ocultação de renda de integrantes do esquema de propinas junto à Prefeitura, por meio da Igreja.

A instituição religiosa afirmou que “o tal ‘desvio’ equivaleria a praticamente 20% do orçamento anual do município do Rio de Janeiro”. “É vergonhoso que alguém sequer imagine que isso seria possível de ser realizado”, acrescentou.

 

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