O filho 01 do presidente, Flávio Bolsonaro, ocupou a máquina pública da Receita Federal durante 4 meses para investigar o acesso de seus dados fiscais supostamente de forma ilegal, para o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) revelar o esquema das rachadinhas.
Um das principais estratégias da defesa do senador Flávio Bolsonaro não foi a de contestar as acusações da participação direta do filho do presidente no desvio dos salários dos servidores para o seu gabinete, quando era deputado da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).
Com as provas levantadas pelo Coaf contra ele, a defesa de Flávio buscou tentar anular a investigação, alegando que as provas teriam sido obtidas de forma ilegal. Para isso, protocolou junto à Receita um pedido de abertura de investigação, acusando que os dados pessoais do hoje senador foram repassados de forma ilegal.
Conforme o GGN mostrou, a Receita Federal chegou a contestar a tese de Flávio, alegando que as informações levadas ao Coaf foram apurações feitas internamente pelo próprio Coaf, órgão ligado ao Banco Central, e repassados à Receita, e não por auditores da Receita.
Mas para sustentar essa tese, que derrubaria a investigação da rachadinha, os advogados mobilizaram junto ao órgão do governo de seu pai, Jair Bolsonaro, a tentativa de reunir documentos ou informações nessa linha.
Reportagem da Folha de S.Paulo teve acesso aos documentos e mostra que foram usados 4 meses de trabalhos da Receita, com tudo o que isso inclui – recursos e tempo de dedicação de servidores.
Por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), o processo aberto por Flávio Bolsonaro junto à Receita indica que o órgão deslocou 2 auditores-fiscais e 3 analistas tributários em tempo integral para fazer essas buscas para o filho do presidente.
No pedido, Flávio pede ainda “máxima urgência” para levatnar “nome, CPF, qualificação e unidade de exercício/lotação” de auditores da Receita que acessaram seus dados fiscais, de sua esposa e de empresas relacionadas a ele, desde 2015.
De forma explícita, o senador pediu que fossem enviados a ele “TODAS [escrito em maiúsculo] as pesquisas de seu nome, de sua esposa e de suas empresas, que tenham sido realizadas desde o ano de 2015”.
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