Bolsonaro faz comentário em defesa ao golpe de 1964

Jair Bolsonaro criticou uma decisão do Congresso, de 2013, que anulou a sessão legislativa que viabilizou a instauração da ditadura do regime militar no país

Jair Bolsonaro, durante cerimônia comemorativa do Dia do Exército, com a Imposição da Ordem do Mérito Militar e da Medalha do Exército Brasileiro - Fotos Públicas

Jornal GGN – Em meio às polêmicas sobre instabilidade política, trocas dos comandos militares e defesa pelo mandatário do golpe que instaurou a ditadura do regime militar no Brasil, em 31 de março de 1964, o presidente Jair Bolsonaro fez mais um comentário favorável ao ato e o ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, alterou o texto da ordem do dia, para “celebrar” a data.

A quarta-feira começou em meio a tensões sobre as recentes mudanças ministeriais do presidente Jair Bolsonaro, entre eles o general Braga Netto na Defesa, que também provocou a demissão dos comandos das Forças Armadas, gerando grande instabilidade política.

Não se manifestando publicamente, como de praxe, a favor do golpe, Jair Bolsonaro decidiu publicar na noite desta quarta, em suas redes sociais, uma crítica a uma decisão do Congresso Nacional, de 2013, que anulou a sessão legislativa que havia declarago vaga a Presidência da República em 1964. O ato foi o que viabilizou a instauração da ditadura do regime militar no país.

Para o mandatário, contudo, a decisão do Congresso de anular a sessão de 1964, que permitiu o reconhecimento do governo militar ditatorial até 1985, foi equivocada. “Não discuto a História, mas verdadeiros democratas não apagam fotos ou fatos. Deus abençoe o Brasil e guarde nossa liberdade”, escreveu.

A sessão de 2013 do Congresso foi realizada para deixar claro que não havia qualquer legalidade no golpe que instaurou a ditadura do regime militar. Naquele ano, Bolsonaro era deputado federal e foi um dos poucos contrários à decisão de anular a medida.

“Querem apagar um fato histórico de modo infantil. Isso é mais do que stalinismo, quando se apagavam fotografias, querem apagar o Diário do Congresso”, disse, à época.

O comentário de Bolsonaro, cuja apologia à ditadura é aberta e de conhecimento público, foi feito no dia do golpe militar, data em que o seu recém empossado ministro da Defesa, general Braga Netto, também deidiu fazer alusão à comemorar o dia 31 de março.

O texto original da pasta não incluia o tom de “celebração” do aniversário do golpe, mas o general decidiu editar e incluir o teor. “O movimento de 1964 é parte da trajetória histórica do Brasil. Assim devem ser compreendidos e celebrados os acontecimentos daquele 31 de março”, escreveu, na ordem do dia que foi lida pelos militares nesta quarta.

Além disso, segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o ministro também decidiu excluir um trecho do texto original que afirmava que as Forças Armadas cumprem função de instituição de Estado. O gesto foi considerado estratégico para dar o tom diferente do seu antecessor, Fernando Azevedo e Silva, que destacava a atenção democrática das Forças Armadas.

“Nesse período, preservei as Forças Armadas como instituições de Estado”, dizia Azevedo, em carta de despedida após a sua demissão. Mas na ordem do dia, a palavra “instituições” associada às Forças Armadas foi retirada por Braga Netto.

Antes de ser demitido, o texto seria discutido por Azevedo junto ao mandatário, o que não houve tempo.

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