O jornalista ouve a Eurásia, exalta a Eurásia e não aprende nada com a Eurasia, por Luis Nassif

Porque, raios!, os jornalistas não aprendem com seus entrevistados consistentes? Acaba a entrevista e voltam as análises recorrentes do jornalista sênior.

O jornalista entrevista o especialista da Eurasia, consultoria competente que virou moda na mídia. As previsões são assustadoras:

* o governo suspendeu o auxílio emergencial, aprofundando a recessão e o caos social;

* o Covid-19 avança de forma avassaladora sobre todo o país;

* as tensões sociais podem explodir, ampliando a insegurança social e política.

São análises sobre o mundo real, dos impactos da política econômica em questões concretas, que envolvem o mundo real, a psicologia social, os impactos políticos. Entrevista elucidativa, informativa, de consultores que se tornaram moda na mídia.

Em vista disso tudo, indago: porque, raios!, os jornalistas não aprendem com seus entrevistados consistentes? Acaba a entrevista e voltam as análises recorrentes do jornalista sênior: o problema do país é o descumprimento da Lei do Teto.; se estourar a Lei do Teto o Brasil se torna uma nova Venezuela, ou uma nova Argentina; o dólar vai explodir por causa da Lei do Teto; a credibilidade fiscal leva anos para ser construída etc.

Não obedecem a princípios básicos de bom jornalismo. De um lado, a ausência de qualquer debate de ideias, qualquer questionamento ao mantra da Lei do Teto. Jornalistas experientes, capazes de discorrer sobre política internacional, geopolítica, destinos do mundo, soltando raciocínios rasos de dona de casa. De outro, pelo próprio princípio do jornalismo: a busca de fatos novos. Repete-se todo dia um fiscalismo rasteiro que está sendo questionado até pelo FMI, sem o menor interesse em trazer para o debate as mudanças de diagnóstico nos centros internacionais.

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