Gráficos mostram a rápida propagação das variantes do coronavírus no Brasil

Em poucos meses ou dias, as duas mutações do SARS-CoV-2, a P.1 e a P.2, foram detectadas em outras regiões do país

Jornal GGN – As duas mutações do novo coronavírus no Brasil, a P.1 e a P.2, propagaram-se de forma acelerada em poucos meses pelo país, ocasionando novas “ondas” de colapsos sanitários, como os vistos no Amazonas e Pará. Enquanto uma delas está associada a essas crises sanitárias, a velocidade da outra variante vem gerando preocupação pela multiplicação dos contágios.

Gráficos demonstrativos da Fiocruz, que detém um grupo especializado na evolução genômica do SARS-CoV-2 no Brasil, mostram que a primeira aparição da linhagem P.2 ocorreu em abril de 2020, na região nordeste. Depois, a variante reapareceu em julho na região centro-oeste e em agosto na região norte, com uma ascensão dos casos em outubro, mês que voltou a reaparecer no nordeste e se espalhando para outras regiões.
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Nos gráficos da Fiocruz, a variante P.2 está representada na cor rosa e a P.1 na cor lilás

A esta cepa do vírus que pesquisadores identificam ter agravado o cenário da Covid-19 no Amazonas e no Pará. Nas regiões, também foram detectadas uma nova mutação do vírus, denominada P.1, que como os gráficos mostram, é vista somente na região norte no mês de dezembro, antes de se intensificar na própria região e em outras a partir de janeiro. Até a semana passada, o Amazonas registrava 66 casos confirmados dessa mutação.

E apesar de outras variantes originais do SARS-CoV-2 serem predominantes no Brasil, como a B.1.1.28 e a B.1.1.33, até o início deste mês de fevereiro, o aumento exponencial dessas duas mutações brasileiras – a P.1 e a P.2 – são associados hoje ao que chamam de “segunda onda” da pandemia no país.

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Essa ascensão ocorreu, como se verifica nos gráficos, de forma brusca, na região norte para a mutação P.1 e nordeste, sul e sudeste para a mutação P.2:

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Mas, como se pode constatar, a variante P.1 encontrada no Amazonas foi gerada já durante o colapso da pandemia na região, não sendo a causa do novo surto ocorrido em janeiro. Ainda assim, na região Norte, a P.2 já atuava naquele mês.

E o rápido progresso e propagação de ambas as mutações pelo país vêm gerando receios em cientistas por uma “terceira onda”.

Isso porque, em um mês, já são 25 os casos da variante descoberta em Manaus, Amazonas, detectados no estado de São Paulo, de acordo com a Secretaria estadual de Saúde, mas com uma característica: sem haver o contato e relação com os contagiados do Norte do país, que são as chamadas infecções autóctones, ou seja, sem serem “importadas”.

A partir de janeiro, a mutação P.1 foi vista também no Pará, Piauí, Roraima, Paraíba, Ceará, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em São Paulo, somente a cidade de Araraquara concentrou 12 dos 25 casos, com as autoridades locais vendo-se obrigadas a decretar lockdown por 15 dias, desde segunda (15).
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As únicas chances, segundo analisam cientistas, de frear esta nova cepa, que como os gráficos indicam é mais transmissível, estariam nas mãos da vacinação em massa, que sofre atrasos no país e sem a garantia de que ambas as disponibilizadas – a CoronaVac e a AstraZeneca – tenham eficácia contra essa mutação.
O grupo especializado da Fiocruz preparou, ainda, um mapa interativo sobre a disseminação das linhagens do SARS-CoV-2, acesse aqui.

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