3 de junho de 2026

Jovens de SP comentam o 1º dia letivo nas escolas de Educação Integral do estado

Por Jéssica Moreira, do Centro de Referências em Educação Integral

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O primeiro dia de aula é sempre muito especial, ainda mais quando ele simboliza o início de uma nova fase, como é o caso do ensino médio –  etapa bastante significativa na vida do jovem. Para as estudantes Vitória de Carvalho Gomes, 15 e Eduarda Faver, 14, as expectativas para as aulas que iniciaram hoje, 3/2, eram em dobro, já que elas começavam os estudos em uma das 182 Escolas de Ensino Médio Integral do estado de São Paulo.

Baseado no ensino em prol da autonomia do estudante, o modelo adotado por essas escolas abrange tanto disciplinas tradicionais, como português e matemática, quanto diferenciadas, que estimulam o estudante a trabalhar sua vocação, como por exemplo, aulas voltadas à arquitetura, novas tecnologias ou teatro. 

Estudante realiza atividades com novos alunos/

Estudante realiza atividades com novos alunos/créditos: Jéssica Moreira

O estudante Raul Molina 16, vivenciou o antes e o depois da Escola Estadual Milton Rodrigues da Silva, uma das unidades que iniciaram atividades hoje. “Antes de se tornar escola de ensino integral, as pessoas não interagiam muito umas com as outras, nem mesmo com os professores ou funcionários. Houve épocas que não havia professores em determinadas disciplinas. Mas com o novo modelo, a escola evoluiu. Nós aprendemos nove horas por dia”.

Para o estudante, as disciplinas diferenciadas, ao serem integradas ao currículo, contribuem muito para a formação do jovem. “As atividades como o ‘clube’ buscam mostrar o talento dos alunos”, explica, fazendo alusão à “aula” de formação de clubes. Em uma perspectiva parecida aos grêmios estudantis e conduzidos sem a presença dos professores, os clubes das escolas paulistas de tempo integral são criados a partir das demandas dos próprios estudantes, que propõem mini-cursos ou grupo de estudos à direção escolar e os desenvolvem junto aos outros alunos.

Estudante no laboratório de química

Estudante no laboratório de química/créditos: Jéssica Moreira

Vinicius do Nascimento, 16, aponta orgulhoso para o projeto desenvolvido por ele e destacado na parede da sala de biologia. Apaixonado por história e games que trazem os zumbis como protagonistas, Vinicius se interessou em estudar a fundo o fungo denominado cordycepis. “Esse fungo aloja-se no corpo de insetos, adentrando o sistema imunológico e os consumindo por dentro. São como zumbis!”, explica entusiasmado. Hoje, o garoto lidera um clube sobre essa temática e pretende seguir adiante neste ano, afirmando que a dinâmica em grupo colabora também com o aproveitamento das outras disciplinas em sala de aula e faz com que os alunos se sintam importantes na comunidade escolar.

Na mesma perspectiva, Gabriela Moreno, 17, que já estudava na escola, recorda-se das aulas de arquitetura [parte da oferta de matérias eletivas], nas quais os alunos fotografavam casas e jardins do entorno da escola. “Normalmente, o papel do aluno na escola é de sentar e fazer a lição, mas aqui, com mais tempo e momentos como o clube, o estudante tem a oportunidade de se expressar, aprender e também ensinar aquilo que quer”.

O acolhimento aos novos estudantes

Também com foco no protagonismo e autonomia do jovem, a primeira semana dos estudantes matriculados nestas escolas trouxe um adendo que fez toda a diferença. Em vez de professores, quem deu as boas vindas aos que estavam chegando foram os alunos que já estudavam nas escolas, e que, a partir de diversas atividades, apresentaram aos recém-chegados o espaço físico da escola, o modelo de ensino e as diferentes disciplinas oferecidas.

Gabriela e Vinicius foram dois dos 1.600 jovens  que receberam capacitação da Secretaria no último bimestre de 2013. Treinados para receber os novos colegas e fazê-los refletir sobre a dinâmica do ensino em tempo integral, os jovens deram uma verdadeira aula de como se dedicar aos estudos e se relacionar com os colegas, a partir de apostila oferecida pelo estado a todos os estudantes acolhedores.

Estudante realiza atividade de acolhimento/créditos: Jéssica Moreira

Estudante realiza atividade de acolhimento/créditos: Jéssica Moreira

As atividades englobaram a exibição de trechos de filmes, leitura de textos para reflexão, músicas e dinâmicas em grupo.

Para as novatas Vitória e Eduarda, foi muito interessante contar com outro estudante no começo das aulas. “Isso gerou uma conexão maior entre todos”, aponta Eduarda. “Gostei das atividades porque pude conhecer todo mundo de um jeito divertido”, afirma Vitória.

Plano em expansão

Lançado em 2012, o programa de Educação Integral da Secretarial Estadual de Educação de São Paulo vem implementando a ampliação da jornada para nove horas diárias em diversas unidades de ensino. Até o ano passado, 69 escolas tinham o programa como base. Em 2014, esse quadro aumentou de forma significativa, com a inauguração de mais 113 unidades. A meta da Secretaria é chegar até 2015 com 300 escolas no novo modelo de Educação Integral, contemplando tanto o ensino fundamental (6º a 9º anos) como o ensino médio.

Segundo a Secretaria de Educação, além do investimento em infraestrutura, as escolas contam com professores que recebem gratificação de 75% sobre o salário-base por causa da dedicação exclusiva.

Secretário de Educação, Herman Voorwald, fala explica programa /créditos: Jéssica Moreira

Secretário de Educação, Herman Voorwald, fala explica programa /créditos: Jéssica Moreira

“Por meio de uma parceria com o Sebrae-SP, vamos capacitar 150 professores do Ensino Médio que atuam nestas escolas para que lecionem aulas eletivas de empreendedorismo. O objetivo é que os docentes adquiram o conhecimento para despertar nos alunos o interesse pelo mundo dos negócios”, anunciou o secretário Herman Voorwald.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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