FIES e o financiamento estudantil nos EUA, por Robson Lopes

Ontem , dia 4.8.2015, no Jornal Nacional resolveram voltar ao assunto do FIES, acredito que pela abertura de 65 mil novas vagas e a liberação de 5 bilhões de reais do governo federal para o programa.

Um jovem jornalista, no estilo notícia-comédia, fez comparações com os juros do programa brasileiro, FIES, e como é no sistema americano. Esqueceu apenas de citar alguns pequenos detalhes, os custos da educação nos EUA, que muitas vezes ultrapassa os 100 mil dólares anuais, o que coloca seu modelo como predominantemente elitista, mas citou outro dado que não pode ser deixado de lado, 1 em cada 5 americanos não consegue pagar o seu financiamento estudantil.

Mas estou escrevendo esse texto pela pérola dita na reportagem, quando foi comparado o sistema brasileiro de financiamento com o americano, mostrou o quanto o governo brasileiro cobra de juros anuais pelo FIES 6,5% e quanto está a taxa selic 14%, logo, o governo estaria tendo prejuízo, perdendo dinheiro, isso mesmo que foi dito. A educação deve ser como um investimento financeiro e não um investimento humano, cujos valores se colherá no futuro, valores culturais, humanos, e porque não, financeiros também, uma vez que agregarão valor à economia como um todo. No entanto nos EUA, pasmem, eles têm até lucro. O que deveria ser colocado como uma aberração é apresentado como uma virtude no sistema de financiamento estudantil americano.


O FIES, o PROUNI são programas para recuperar o tempo perdido pela falta de investimento continuado na educação superior no Brasil, esses programas não são arrecadatórios, têm como objetivo oferecer oportunidades a quem não tem condições de bancar com recursos próprios seus estudos, tanto o FIES que é o financiamento público do ensino, quanto o PROUNI, que se utiliza das vagas ociosas nas faculdades e universidades do país para atender à demanda de ensino superior, esse último é tão fantástico que o Bill Clinton brincou, dizendo: “como não pensamos nisso antes.”

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8 comentários

  1. Estudo ainda, na minha sala a

    Estudo ainda, na minha sala a maioria é pelo fies, quem paga com recursos proprios, como eu, já abandonou o curso faz tempo, no começo pagava 720,00 dois anos depois está em 910,00 (com desconto!!), e ainda essa a maioria dessa  turma é de um coxinhismo sem vergonha; a minha primeira graduação foi no temo daquele senhor inominavel, quando fui me inscrever no tal credito educativo da época me responderam que tinha oito vagas para toda a universidade que tinha mais de quatro mil alunos, o pessoal reclama de barriga cheia como diz minha mãe.

    • É só levantar a opinião política destes meninos

      São maioria contra o PT. Como professor, tendo relembrar o passado, ignorado pelos alunos que tinha entre 5 e 10 anos quando da posse do Lula. Mas é inutil, a mídia e facebook fez a cabeça deles. Só descobrirão a verdade quando sentirem na carne tudo que sentimos nos anos 80 e 90. Aí, para encontrarmos outro Lula na história brasileira? Nem Deus é tão brasileiro assim.

  2. Financiar a educação? Sim! Subsidiar juros? Veja bem …

    A análise do JN é correta – o custo para o Estado dos juros subsidiados é elevado. No entanto, o erro não está nos 6,5% do FIES, e sim nos 14% da SELIC, que são consequência da inflação elevada dos últimos anos, que por sua vez é em parte provocada pela elevação nos gastos públicos decorrente de programas como o … FIES!

    Portanto, programas de custo elevado como o FIES e o PROUNI têm sido sim responsáveis pelo aumento na dívida pública, uma das principais razões a ter colocado o país na pindaíba em que ele está agora. Para piorar, a falta de critério no início do programa levou a um aumento abusivo no preço das mensalidades das universidades, o que tem causado na prática uma imensa transferência de renda para os donos de instituições de ensino superior: uma legítima “bolsa-FIES” para instituições com um histórico de evasão fiscal.

    E como se não bastasse, a qualidade dos cursos oferecidos pelas instituições particulares é notoriamente pífia – assim, muita gente está usando subsídio público para fazer cursos medíocres de pedagogia, administração e direito (na base do “pagou, passou”) e depois ter dificuldades para colocação no mercado de trabalho – ou, pior ainda, optando por passar anos estudando para o suposto “nirvana” do concurso público.

    Isso quer dizer que o FIES deve ser extinto? Não acho que seja o caminho, mas seria muito bem-vinda uma focalização mais precisa, começando por restringir o programa somente aos cursos com uma necessidade estratégica de pessoas no país (medicina e engenharias vêm à mente). Idealmente, uma convergência entre a SELIC e as taxas do programa seria conveniente no longo prazo, mas espera-se que isso ocorra mais pela queda da primeira que pelo aumento da segunda. Por último, é fundamental estabelecer um limite para o valor do subsídio e das mensalidades cobradas dentro do programa (novamente uma diferenciação por curso é importante, já que alguns são naturalmente muito mais caros que outros, tanto pelas necessidades de laboratórios como pela carga horária).

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