A quatro dias do segundo turno, a corrida pelo Palácio do Planalto registra um cenário de indefinição. Pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira (21) mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Lula (PT) em empate técnico. Nos votos válidos, formato que exclui brancos e nulos e define o resultado da eleição, o candidato do PL soma 51,1% das intenções, contra 48,9% do petista. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais.
No cenário de votos totais, Flávio tem 48% e Lula, 46%. Brancos e nulos representam 3,4%, enquanto 2,6% dos entrevistados não souberam responder. O pleito decisivo ocorre neste domingo (25).
Virada e consolidação
O quadro atual aponta uma inversão em relação à última rodada do instituto, realizada em 30 de setembro, às vésperas do primeiro turno. Naquela ocasião, Lula liderava numericamente com 48,5%, ante 48% de Flávio. O petista oscilou 2,5 pontos para baixo, enquanto o senador manteve o desempenho.
A reta final é marcada pela cristalização das escolhas. Segundo o levantamento, 83,7% dos eleitores afirmam que o voto já está decidido, um salto em relação aos 68,5% registrados em setembro. Apenas 16,3% admitem a possibilidade de mudança. Os índices de rejeição acompanham o empate e reforçam a polarização: 47,7% dizem que não votariam em Lula de jeito nenhum, e 46,5% têm a mesma posição sobre Flávio Bolsonaro.
O peso dos recortes demográficos
A pesquisa evidencia abismos demográficos e regionais na composição das campanhas. Lula consolida sua força entre os católicos (55% a 39,6%), no Nordeste (58,3% a 37,3%), entre eleitores com mais de 60 anos (51% a 37,3%) e na faixa de renda de até um salário mínimo (61% a 31,6%).
Flávio Bolsonaro, por sua vez, domina entre os evangélicos (69,6% a 25,9%), no Sudeste (55% a 40,7%), entre os jovens de 16 a 24 anos (56,2% a 39,5%) e no estrato de três a cinco salários mínimos (61,1% a 34,7%). O único empate absoluto ocorre no eleitorado feminino, com Lula marcando 47,6% e Flávio, 46,9%.
A visão econômica sobre mobilidade social também divide o país. Entre aqueles que associam a expressão “melhorar de vida” a ter o próprio negócio, 62,3% optam pelo candidato do PL. Já os que ligam o conceito ao trabalho com carteira assinada dão ampla vantagem a Lula (65,4%).
Aprovação do governo e herança de votos
A transferência de votos dos candidatos derrotados no primeiro turno tem favorecido a oposição. Dos eleitores que optaram por Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Romeu Zema ou Renan Santos, 58,1% declaram apoio a Flávio Bolsonaro, ante 31,8% que migraram para Lula.
O desempenho do atual presidente na corrida eleitoral reflete a avaliação de sua gestão. A administração federal é aprovada por 46,4% e reprovada por 48,2%. Consideram o governo ótimo ou bom 31,7% dos entrevistados, regular 22,6% e ruim ou péssimo 40,6%. A recondução de Lula ao cargo é defendida por 46%, mas 48,5% são contrários à ideia.
Encomendada pelo Canal Meio, a pesquisa ouviu 1.500 eleitores por telefone entre os dias 15 e 19 de outubro. O nível de confiança é de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-08251/2026.
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