General Villas Bôas diz que legitimidade de novo governo pode ser questionada

‘O mais grave episódio de insubordinação de um comandante das Forças Armadas desde 1988’, responde PT em nota sobre entrevista do general 
 
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Marcos Corrêa/PR
 
Jornal GGN – Em entrevista ao Estado de S.Paulo, o comandante do exército, general Eduardo Villas Bôas, afirma que o próximo presidente eleito poderá “ter sua legitimidade questionada”, após se referir ao atentado contra o deputado e candidato pelo PSL ao Planalto, Jair Bolsonaro.
 
O militar disse que o ataque foi “a materialização das preocupações” que já vinham antevendo, de “acirramento” de “divergências, que saíram do nível político e já passaram para o nível comportamental das pessoas”, pontuando que o quadro resultará em “dificuldade para que o novo governo tenha uma estabilidade” para governar, daí prosseguindo com a fala de que o novo dirigente do país poderá ter sua legitimidade questionada. 
 
“Por exemplo, com relação a Bolsonaro, ele não sendo eleito, ele pode dizer que prejudicaram a campanha dele. E, ele sendo eleito, provavelmente será dito que ele foi beneficiado pelo atentado, porque gerou comoção. Daí, altera o ritmo normal das coisas e isso é preocupante”, completou sua explicação.
 
O comandante do Exército acredita que o atentado levou a um choque da população e espera que, diante do susto, a situação de harmonize, lembrando que todas “as declarações dos candidatos foram feitas nesse sentido, embora nas redes sociais ainda existam mensagem de intolerância, que é um indicador ruim”, destacou.
 
Porém quando foi questionado quanto a tentativa de registro da candidatura de Lula, respondeu que o Exército “tem pautado” a sua atuação no discurso “da legalidade, legitimidade e estabilidade”.
 
“Preocupa que este acirramento das divisões acabe minando tanto a governabilidade quanto a legitimidade do próximo governo. Nos preocupa também que as decisões relativas a este tema sejam definidas e decididas rapidamente, de uma maneira definitiva, para que todo o processo transcorra com naturalidade”, disse, em seguida chamando a atuação do Comitê de Direitos humanos da ONU, de “tentativa de invasão da soberania nacional”.
 
“Isso é algo que nos preocupa, porque pode comprometer nossa estabilidade, as condições de governabilidade e de legitimidade do próximo governo”.
 
Sobre a possibilidade de Lula se tornar elegível e ganhar, Villas Bôas pontuou que a posição das Forças Armadas será “cumprir as prerrogativas estabelecidas a quem é eleito presidente”, e quem chancela a decisão “é o povo brasileiro”, e que não haverá hipótese de os militares realizarem uma quebra de ordem institucional. Mas, em seguida, o general deixou patente o que para ele significaria uma vitória de Lula nas urnas:
 
“O pior cenário é termos alguém sub judice, afrontando tanto a Constituição quanto a Lei da Ficha Limpa, tirando a legitimidade, dificultando a estabilidade e a governabilidade do futuro governo e dividindo ainda mais a sociedade brasileira. A Lei da Ficha Limpa se aplica a todos”. Clique aqui para ler na íntegra a entrevista ao Estado.
 
O Comitê Executivo Nacional do PT divulgou, também neste domingo (9), uma nota de repúdio em resposta às falas de Villas Bôas. 
 
“É uma manifestação de caráter político, de quem pretende tutelar as instituições republicanas. No caso específico, o Poder Judiciário, que ainda examina recursos processuais legítimos em relação ao ex-presidente Lula”, pontuam considerando a entrevista do general “o mais grave episódio de insubordinação de um comandante das Forças Armadas”, desde a Constituição democrática de 1988.
 
“A democracia e o estado de direito não admitem tutela alguma, pois se sustentam na soberania do voto popular. Um governo legítimo, comprometido com o futuro do país, já teria chamado o general Villas Boas a retratar suas declarações de cunho autoritário e tomado as medidas necessárias para afirmar o poder civil e republicano”, avaliou o partido na nota lembrando que a Constituição brasileira diz, claramente, que a organização militar só pode atuar por determinação expressa de um dos poderes da República, legitimados pelo estado de direito democrático.
 
Leia a seguir a nota na íntegra.
 
Nota do PT: Repúdio à Tutela Militar Sobre a Democracia
 
A entrevista do general Villas Boas é o mais grave episódio de insubordinação de uma comandante das Forças Armadas ao papel que lhes foi delimitado
 
O Partido dos Trabalhadores convoca as forças democráticas do país a repudiar declarações de cunho autoritário e inconstitucional do comandante do Exército divulgadas pela imprensa neste domingo.
 
A entrevista do general Villas Boas é o mais grave episódio de insubordinação de uma comandante das Forças Armadas ao papel que lhes foi delimitado, pela vontade soberana do povo, na Constituição democrática de 1988.
 
É uma manifestação de caráter político, de quem pretende tutelar as instituições republicanas. No caso específico, o Poder Judiciário, que ainda examina recursos processuais legítimos em relação ao ex-presidente Lula.
 
É muito grave que um comandante com alta responsabilidade se arrogue a interferir diretamente no processo eleitoral, algo que as Forças Armadas não faziam desde os sombrios tempos da ditadura.
 
Depois de dizer quem pode ou não pode ser candidato, de interpretar arbitrariamente a lei e a Constituição o que mais vão querer? Decidir se o eleito toma posse? Indicar o futuro presidente à revelia do povo? Mudar as leis para que o eleitor não possa decidir livremente? O Brasil já passou por isso e não quer voltar a este passado sombrio.
 
A Constituição diz claramente que as Forças Armadas só podem atuar por determinação expressa de um dos poderes da República, legitimados pelo estado de direito democrático, e nunca a sua revelia ou, supostamente, para corrigi-los.
 
A sociedade brasileira lutou tenazmente para reconstruir a democracia no país, com o sacrifício de muitas vidas, após o golpe civil e militar de 1964, que acabou conduzindo o país a um regime ditatorial nefasto para o povo e desmoralizante para as Forças Armadas.
 
A democracia e o estado de direito não admitem tutela alguma, pois se sustentam na soberania do voto popular.
 
Um governo legítimo, comprometido com o futuro do país, já teria chamado o general Villas Boas a retratar suas declarações de cunho autoritário e tomado as medidas necessárias para afirmar o poder civil e republicano.
 
Como se trata de um governo nascido de um golpe, decadente e repudiado pela quase totalidade da população, não lhe resta qualquer autoridade para impor a ordem constitucional aos comandos militares.
 
Compete ao povo e aos democratas do país denunciar e reagir diante de um episódio que só faz agravar a grave crise social, política e econômica do país.
 
O Brasil precisa urgentemente de mais democracia, não menos, para retomar o caminho da paz e do desenvolvimento com inclusão social.
 
Da Comissão Executiva Nacional do PT
 
 
 
 
 
 
 

20 comentários

  1. Ah tá . Só do próximo, deste

    Ah tá . Só do próximo, deste não. Por isso o (des)governo atual pode entregar todas as riquesas da pátria e não ser incomodado por militar nenhum.

  2. Por aqueles que nunca questionaram temer?

    “…legitimidade de novo governo pode ser questionada…”   …….

    Por quem? Pelos golpistas que legitimaram o golpe sem crime? Pelos mesmos que acharam graça da doação das riquezas nacionais como o pré sal e todo o resto? Pelos mesmos que mantém Lula preso sem provas? Ou seriam aqueles que acham ótimo ficarem livres da Base de Alcântara, da fabriqueta de aviões Embraer e daquela fábrica de submarinos petralhas?

    Não. Não é revanchismo bolivariano.

    É só para saber, mesmo!

  3. Choque só se for na mídia, pois de resto virou campanha

    Aguns FATOS e DITOS “interessantes” do incrivelmente transformado em “happy zódio” eleitoral pelos bôzonarianos.

    1) Se as armas estivessem liberadas, a faca poderia ser facinho um revólver e sua ponta, uma bala.

    2) Bôzonaro foi salvo pelo SUS. O Einstein é apenas um Spa pós-atentado

    3) Na agora central eleitoral hospitalar, a sempre rosada e caminhante vítima faz gracinhas com pistolas de dedinhos .

    4) Conforme os próprios bôzos, “os profissionais da violência são eles mesmos”.

    5) Conforme os próprios bôzos, se houver anarquia, eles “poderão dar um auto-golpe”

    6) Agora essa do Boas: ” Se for, poder-se-á questionar, se não, também”. Ou seja, o voto, a eleição é questionável de qq.jeito.

    Será que as eleições agora serão ganhas por uma facada?

     

  4. Num meio de uma crise geral 

    No meio de uma crise geral  só faltava mais essa: um general-comandante das forças terrestres tagarela. 

    Se um membro do(juiz, desembarcador, ministro) Judiciário só deve(ou deveria) “falar” enquanto tais nos autos, para um militar o regramento é ainda mais draconiano: só deve falar o que é permitido nos regulamentos ou se autorizados pelos seus superiores hierárquicos se o tema for além do restrito à sua lide profissional. 

    Qualquer ofício ou carreira exige um preço, demanda uma postura e impõe sacrificios e renúncias de ordem pessoal e social. Um médico, por exemplo, jamais poderá relaxar, no sentido de ficar absolutamente desligado do seu mister. A qualquer hora do dia e noite obriga-se a atender a quem procura por socorro. Restrições de outra natureza condicionam outras profissões.

    A mais incisiva vedação para os integrantes de uma instituição em armas  é exatamente a absoluta neutralidade e o rigoroso mutismo com relação a temas políticos enquanto na ativa. E as razões vão muito além dos aspectos práticos ou a outorga constitucional da prerrogativa da força: a Carta Magna prevê a subordinação inderrogável ao Poder Político. Tanto é que o comandante supremo das Forças Armadas é o Presidente da República.

    Dito isso, fica claro que o ministro do Exército não só exorbita das suas atribuições, como incide em indisciplina ao emitir juízos políticos valorativos sem a devida anuência do seu superior hierárquico. Pior: avaliações que deixam entrever, mesmo que de forma subliminar, uma entativa de tutela do processo político pelo estamento militar. Sem falar da pressão velada sobre o Judiciário – outro absurdo – a quem caberá dar a última palavra acerca da viabilidade da candidatura do ex-presidente Lula. 

    Não vem ao caso se o general se pronuncia “com a melhor das intenções”. Como diz o adágio popular: “o inferno está recheado de boas intenções”. 

     

     

    • Verborragia do general VB

      Quem disse que o “comandante em chefe das forças armadas”, o drácula do Jaburu, do fundo do poço adonde se instalou desde os idos de 2016, não assentiu prontamente aos “arroubos néo-golpistas” daquele que o tolera ao proferir ameaças não veladas, posto que explícitas, aos candidatos ao pleito eleitoral de 07/10 p.f., implicitamente ressalvado que os avisos nada nebulosos não se aplicam “ao postulante in pecttore” das insubmissas (à ordem jurídica e à Constituição Cidadã de 1988).

      Nada nos impede de ver surgir no horizonte político-militar-jurídico, além da imposta substituição do “preso político do Moro” por Fernando Haddad enquanto não se ajustam detalhes para extinção da mesma por esperada ação barrosística, digo, impedimentos não existem para que Antonio Hamilton Mourão, empijamado general estrelado, venha substituir nosso “Bolsonaro di Tróia”.  

  5. It is economy, Stupid
    Comocao nao tem titulo eleitoral.
    As pessoas esquecem mais fscilmente a perda de um ente querido do que um prejuizo. As escoriacoes do Bolhossauro,que nao eh querido, mas altamente rejeitado, serao esquecidas em poucos dias

    • lembrei da blogueira cubana…

      lembra dela?

      a que esteve por aqui e encantou toda a direita, dizendo-se perseguida e silenciada pela esquerda de lá

      vai vendo o que vai acontecer com a gente agora, com todos de esquerda

      e a direita canalha vai concordar e defender

  6. Mete-se no que não lhe diz

    Mete-se no que não lhe diz respeito – eleições – e num assunto crucial, que envolve segurança nacional, que é o caso da venda da embraer para a boeing, não dão um pio sequer. enfim, país cujos militares são entreguistas (sic) não tem como ter futuro decente. 

  7. o pior cenário mesmo…

    é cada um à frente do seu exército

    e todos contra o Lula/Haddad; todos contra o Brasil

    no que depender do exército de cada um, o Brasil podrá ser entregue a qualquer um

    e vai

  8. Como diria Enfil: ora direis

    Como diria Enfil: ora direis ouvir estrelas? Cada vez mais a institucionalidade distancia-se do povo. Esse general não faz outra coisa que desproteger a nação a que ele deveria servir, e não oprimir. Isso pode custar caro ao país. Toda tentativa de usurpar a soberania é inconstitucional. Onde estão os demais partidos, a OAB, CNBB, intelectuais, sindicatos, etc? A resposta a esse senhor precisa ser contundente, democrática, constitucional.

  9. General

    Um homem – militar – não fala assim , por falar . Está dando algum recado ao povo. Se bem que , atualmente os atores de cada papel, falam o que lhes dá na telha. A obediência acabou.

    Que nossas Forças Armadas sempre foram cooptadas pelos brothers,assim como os PSDBistas não  resta a menor dúvida. Não me refiro aos soldados e cabos, mas a alta cúpula, que sempre aceitam treinamentos em conjunto com as do Norte, principalmente na Amazônia.

  10. + comentários

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