Moro recebe críticas na internet por candidatura à Presidência e novo livro

Jornalistas cravam que o ex-juiz será filiado ao Podemos até novembro. A esposa, Rosangela, também entrará para o partido

Jornal GGN – Está confirmado. Após uma semana de encontros com lideranças políticas, o ex-juiz Sergio Moro, declarado suspeito pelo Supremo Tribunal Federal nos casos que envolvem o ex-presidente Lula, teria decidido se filiar ao Podemos de Álvaro Dias até novembro de 2021, para disputar a eleição de 2022, numa tentativa de romper a polarização entre o petista e o atual presidente e seu ex-chefe, Jair Bolsonaro.

Moro é “candidatíssimo” ao Palácio do Planalto, segundo o jornalista Lauro Jardim. Ele estava sendo cotado para a cabeça de chapa ou para disputar o Senado. A sua esposa, Rosangela Moro [foto], também assinará a ficha de filiação ao Podemos.

A notícia repercutiu nas redes sociais nesta segunda (25). A jornalista Rita Lisauskas ironizou a decisão de Moro de entrar de vez na política através da urna eletrônica. Ela lembrou entrevista concedida pelo ex-juiz ao Estadão – um dos poucos veículos com quem Moro conversava à época da Lava Jato – na qual ele prometeu que jamais disputaria um cargo público.

Processado pela Lava Jato, o advogado Rodrigo Tacla Duran também ressurgiu no Twitter, nesta segunda (25), para rememorar a promessa vazia de Moro. A cantora Zélia Duncan respondeu à mensagem de Lisauskas: “Eles mentem todo dia, há muito tempo.”

Nas redes sociais, Moro anunciou que viajará nas próximas semanas para o lançamento de seu novo livro sobre os bastidores da vida de juiz e combate à corrupção. O advogado criminalista Augusto de Arruda Botelho criticou a empreitada do ex-juiz: “Moro negociou um cargo com Bolsonaro enquanto julgava um candidato na eleição que Bolsonaro venceu. Por causa da decisão de Moro esse candidato não concorreu. Agora Moro lança um livro sobre corrupção. É cara de pau que chama? Ou é falta de vergonha na cara?”

O tema da corrupção estará, sem dúvida, na pauta do candidato virtual à presidência em 2022. De acordo com colunistas da grande mídia, Moro é o favorito dos militares que ainda não desembarcaram do bolsonarismo.

Em sua coluna em um blog de direita, Moro já ensaiou um discurso sobre como o combate à corrupção e a responsabilidade fiscal devem ser prioridade de um governo federal que visa a redução das desigualdades sociais – uma tarefa que ele chama de “nobre”.

“Controlar a inflação, como se fez com o Plano Real, assim como prevenir e combater a corrupção, como se fez durante a Lava Jato, são conquistas civilizatórias. Essas ações não pertencem a governos ou a autoridades públicas específicas, pois só foram possíveis com amplo apoio da sociedade civil organizada e da população. Já os responsáveis pelo descontrole da inflação e pelo desmantelamento dos controles sobre a corrupção são mais facilmente identificados, já que a responsabilidade não é aqui coletiva, mas localizada em políticas públicas equivocadas cujos autores são nomináveis”, escreveu Moro, sem citar os nomes.

Moro abandonou a toga no final de 2018, logo após a vitória de Bolsonaro, para embarcar no governo que ajudou a eleger tirando o ex-presidente Lula da disputa presidencial, usando as acusações da Lava Jato para prendê-lo após a condenação em segunda instância.

Somente em junho de 2021 é que houve um reviravolta na história, com o STF admitindo que Moro não era um juiz imparcial nos casos contra Lula. A Corte também retirou todas as ações penais criadas contra o petista pelos procuradores de Curitiba e transferiu para outras varas. A maioria dos processos foi arquivada por falta de provas.

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1 comentário

  1. Sérgio Moro protagonizando atualmente parte da politica, só corrobora e solidifica a ideia que o Brasil das elites não presta, não é justo e nem em justiça! A concepção dos coronelismo e do poderio econômico só se faz gigante e totalizam todas as ações da nação, cada vêz mais requintada de uma crueldade, insanidade e sem precedentes! A humilhação de cada cidadão desfavorecido, ex assalariado, ex tudo, forma uma massa de cidadão “sequestrado”, qual adquiriu a síndrome de e “estocomo” coletiva! Desalentador, triste e fim!!!

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