Matheus Cunha fez dois gols na vitória do Brasil sobre o Haiti por 3 a 0. Além do ótimo desempenho em campo, o que destacou o camisa 9 da Seleção Brasileira e camisa 10 do Manchester United foi o orgulho pelo próprio povo.
É algo que pode passar batido. Em entrevista à CazéTV após o jogo, ele foi perguntado sobre a sensação de vestir a camisa 9, número que carrega a memória de Ronaldo, Careca, Tostão e tantos outros atacantes históricos da Seleção. A 9 do Brasil tem peso. A resposta de Matheus passou pelo orgulho. Emocionado, ele falou de Baía Formosa, de João Pessoa, da Paraíba e do Brasil. Falou, sobretudo, de “meu povo”.
Nascido em João Pessoa, na Paraíba, Matheus Cunha tem também uma relação especial com Baía Formosa, município no litoral do Rio Grande do Norte e um dos polos do surfe no país. Foi em uma viagem para lá que o atacante teve contato com surfistas profissionais e passou a praticar o esporte com frequência.
Entre as amizades construídas nesse universo está a de Ítalo Ferreira, campeão olímpico e natural de Baía Formosa, com quem mantém contato constante. Isso também ajuda a explicar a comemoração em pose de surfe após balançar as redes.
Cunha, ainda pouco conhecido por parte do público brasileiro, fez carreira fora do país. Ganhou reconhecimento no futebol inglês e hoje veste a camisa do Manchester United, um dos clubes mais tradicionais da Inglaterra, país que codificou o futebol moderno. Ao mesmo tempo, veste a 9 do país que reinventou o jogo e venceu mais Copas do Mundo.
Matheus tem orgulho do reconhecimento conquistado na Inglaterra. Ser valorizado na Europa, sonho de tantos jogadores brasileiros, tem peso. Jogar em um gigante inglês, ser respeitado por seu trabalho e idolatrado por torcedores de fora é uma consagração profissional. Mas a entrevista mostrou outra camada: ao ver, no telão montado em Baía Formosa, torcedores com camisas 9 comemorando seus gols, ele se emocionou de um jeito diferente.
Não era apenas vaidade de atleta.
Era pertencimento.
Matheus disse abertamente que o reconhecimento do “meu povo” é o que o faz vibrar. Ver seu nome nas ruas de Baía Formosa, em João Pessoa, na Paraíba e no Brasil parece tocar nele um lugar que a idolatria inglesa, por maior que seja, não alcança da mesma forma.
Em um Brasil em que Cunha virou sobrenome capaz de causar aversão, Matheus dá outro sentido.
Faz lembrar que ainda é possível acreditar em um Cunha.
Mas, desta vez, em Matheus.
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