4 de junho de 2026

O Diabo está em festa com o Brasil do PT

Trabalhar de sol a sol ou marolar sem pensar no amanhã, ambas as vaidades. Não é de hoje que sabemos o quanto o anjo renegado adora a nossa mesquinharia. O nosso pequeno gesto de olhar com desprezo aos moldes alheios  faz o Diabo regojizar como a criança realizando o seu desejo.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Muitas análises dos 12 anos de Governo do PT vêm batendo na tecla comum de que está havendo um choque de classes promovido pela ascensão de uma camada à patamares de consumo mais próximo da tradicional classe média (médicos, advogados, professores universitários, engenheiros, funcionários públicos de alto escalão, etc). Ah! Aí é que o Diabo gosta!

O Sem Sombra sem dúvida adorou a obra do Sapo Barbudo. Com a ascensão promovida ao longo desses anos expressões, como “gente diferenciada”, “aeroporto igual a rodoviária”, “só no Brasil”, e porque não, “bolivarianismo”, “comunismo”, etc, fazem jus ao fato de que esse choque que estamos vivendo tem como mecanismo principal a perda do sentimento de exclusividade, ou seja , afeta diretamente a vaidade.

A vaidade não seria de todo o ruim se esta não causasse tanto estrago. Mas também, se ela não causasse estrago não serias a menina dos olhas do Rasga em Baixo, não é mesmo? Curioso é ver situações que mostram como a vaidade governa nossas ações, e a sua ameaça, ou seja, a ameaça da diluição da capacidade de concretizar desejos de consumo é o motor para tanto ódio transbordando em todos os noticiários.

Um singelo exemplo. Há no Rio de Janeiro, mais precisamente em um Shopping da Baixada Fluminense, dois estabelecimentos que vendem produtos relacionados à cama, mesa e banho. Esse Shopping vive lotado, e as lojas referidas ficam a menos de 30 metros de distância uma da outra. As coisas vendidas são da mesma qualidade, da mesma marca. Mas há um “diferencial”; enquanto em uma das lojas o ambiente é intencionado a dar o ar de exclusividade, o outro não deixa a desejar as lojas do Saara no centro da cidade.

Pouquíssimo movimento na loja requintada em comparação à loja “popular”, mesmo assim, havia gente comprando na requintada. Qual seria motivo da escolha? Mesmo com a mesma marca, as mesmas coisas e ainda por cima muito mais baratas na loja “popular? Pausa para a risada do Pai de Mamon, pois ele adora. Tudo vaidade.

Apesar de ter sido um exemplo para lá de genérico, não há como negar que a vaidade tem força nas nossas vidas; lembre-se, não querer ser vaiodoso é também ter vaidade. É impossível não passar um dia sem ver comercias  oferecendo o sentimento de exclusividade. Isso é natural até certo ponto, pois o sistema capitalista tem no consumo a sua base.

O cenário brasileiro pintado pelo PT, que muitos vaidosos chamam de caos, nada mais é do que a ameaça da perda da exclusividade pela própria homogenização da exclusividade. O povo que não podia comprar tem suas vaidades, e muitas, sendo a maioria incutida pelo “amaerican way life“. No entanto, boa parte desses caprichos não entra em colisão aos caprichos do estrato médio. Por exemplo, mães e pais de família (ou não), que hoje podem, querem coisas simples, como tênis da moda para os filhos, uma casinha reformada, um carrinho 1.0 na garagem, etc. Isso ainda está na linha de exigências referentes ao passado dos que hoje se arvoram contra qualquer sensação de perda de exclusividade.

Basta olharmos a histeria contra as ciclovias, a ideia de que o PT “deu carro” para pobres tomaram o espaço público antes destinado a apenas uma parcela da sociedade. Começasse a vestir o preconceitocontra a moblidade social com vestes da defesa da sustentabilidade, e o tal do “é preciso abandonar os carros para melhorar em qualidade de vida” ganha força na boca quem não abandona o seu quadrupide motorizado, mas quer que a massa deixa de comprar ou que o Governo deixa de baratear o crédito. De fato as cidades estão lotadas de carro, mas essa preocupação com a sustenabilidade depois da ascensção social soa muitas vezes hipócrita. 

Ora, se sabemos que muitos caprichos da tradicional e da chamada nova classe média não são mutuamente exclusivos, então o que está gerando o atrito? Uma hipótese para o que de fato está gerando a diluição do sentimento de exclusividade, e por consequência, toda a tensão atual, é a força das políticas públicas de inclusão.

Cotas raciais, Enem, Mais Médicos, Bolsa-Família, Ciências sem Fronteiras. Cincoexemplos de politicas públicas que não tem a ver com o consumo, pelo menos diretamente, mas que vieram para mexer na estrutura de perpetuação de vaidades do andar médio da sociedade brasileira. Não é por acaso que são esses os programas onde há a maior carga de ódio destinado aos Governos do PT, e aos beneficiários, com exceção do Csf, por óbvias razões.

Mal e porcamente comparando, é como se Harvard tivesse abrido as portas para o gueto norte-americano. Não é de admirar que o Diabo sinta tanto orgulho de Lula e Dilma. É nas melhores escolas, Universidades, que a vaidade encontra sua base, pois é de conhecimento do mundo mineral que o acesso a Universidade, mesmo sendo pública, sempre foi para poucos. A partir desse pouco é que surgem os “doutores”, os “senhores”, os “patrões”, ou seja, a base da vaidade, o que faz olhar de cima para baixo.É nesse toada que Brasil de hoje acha estar passando por uma crise. Sim, uma crise provocada pelo Sapo Barbudo e pela Búlgara Escarlate ao promoveram a alegria do Diabo em tornar disseminado o pecado capital da vaidade, outrora tão exclusivo em setores da classe média.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados