Um dos principais assessores do presidente argentino Javier Milei, Santiago Caputo, teria participado da operação que permitiu a Flávio Bolsonaro deixar a Argentina rumo aos Estados Unidos, dois dias depois de perder a eleição presidencial brasileira.
Segundo três pessoas envolvidas na operação ouvidas pelo jornal The New York Times, Caputo encontrou o senador no aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina, em 27 de outubro. O assessor teria ajudado a organizar a saída da família, inclusive acelerando procedimentos migratórios e a documentação necessária para o embarque em um jato particular com destino a Miami.
Caputo viajou cerca de 1.300 quilômetros desde Buenos Aires até a região da fronteira e chegou a Iguazú na noite de 26 de outubro. No dia seguinte, teria aguardado a chegada de Flávio Bolsonaro em diferentes pontos da cidade, inclusive em uma cafeteria dentro de um posto de combustíveis.
O senador teria atravessado a fronteira com a esposa e as duas filhas na noite de 27 de outubro, entrando no aeroporto em uma van cinza. O avião, fretado por uma empresa argentina, decolou pouco depois da meia-noite. O proprietário da aeronave, Luis Grande, afirmou que o voo havia sido contratado por um intermediário pelo valor de US$ 150 mil.
As testemunhas também relataram que, após a decolagem, Caputo procurou um policial que gravava imagens da movimentação na pista e pediu que ele apagasse os vídeos.
Caputo negou ter desempenhado qualquer papel na viagem e não respondeu às perguntas sobre sua presença no aeroporto. Em entrevista ao NYT, Flávio Bolsonaro também afirmou não conhecer o assessor e disse não saber se ele estava entre os argentinos que o acompanharam no local.
A chancelaria argentina declarou que o governo de Milei não teve “envolvimento algum” na saída do senador do Brasil. O ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno, também negou publicamente que o governo brasileiro tenha solicitado explicações formais sobre o episódio.
As negativas contrastam com manifestações públicas de aliados de Milei, que celebraram a chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e sugeriram que o governo argentino havia contribuído para a operação. O próprio senador agradeceu ao presidente argentino, destacando sua “coragem, senso de justiça e legalidade”.
A reportagem ressalta que Caputo não ocupa um cargo oficial no governo, mas integra o círculo mais próximo de Milei, ao lado da irmã do presidente. Mesmo sem função institucional formal, exerce influência significativa sobre questões de política externa e inteligência.
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