O programa Observatório de Geopolítica, da TV GGN, desta segunda-feira (22), debateu a nova doutrina de segurança divulgada pela Casa Branca no início de dezembro. Segundo analistas, o documento de 33 páginas marca uma ruptura histórica: o governo Trump assume abertamente o fim da hegemonia americana nos moldes tradicionais e cria a narrativa de que apenas o seu movimento pode corrigir os rumos da superpotência.
Para a pesquisadora Tatiana Teixeira (OPEU), o texto baseia-se em uma “dupla idealização do passado”. De um lado, busca recuperar os EUA do século 19, livres das responsabilidades sistêmicas de uma liderança global. De outro, tenta restaurar o auge do sonho americano do final dos anos 40. O documento atribui os fracassos do século 20 a pilares como a globalização, o livre comércio e a circulação migratória desordenada.
O Síndico do Mundo
Nesse sentido, o que o documento propõe é que os Estados Unidos continuem a atuar como instrumento de poder global, porém, sem assumir os custos e as responsabilidades sistêmicas da liderança internacional. Teixeira utiliza uma metáfora precisa para ilustrar essa mudança: os EUA deixam de ser o “xerife do mundo”, papel desempenhado desde o pós-guerra, para se tornarem um “síndico”. O objetivo é usufruir dos benefícios do prédio (o sistema internacional) e organizá-lo como bem entender, mas sem pagar “aluguel” ou assumir ônus operacionais.
A retórica do documento
Diferente de textos anteriores voltados para a segurança e defesa, muitas vezes mais técnicos, desta vez há uma linguagem didática e mais simples, de fácil compreensão, analisa Tatiana.
O documento seria estrategicamente montado para conversar diretamente com o público interno do MAGA e apoiadores, um público de classes mais populares e que pretende ascender socialmente, afirma o embaixador aposentado Tadeu Valadares.
Destaca-se a importância dada à economia, que, conforme escrito, é o que vai trazer a mobilidade social de volta. Essa mobilidade social representa a volta do sonho americano, a principal promessa do movimento MAGA para seus apoiadores. Esse seria o golpe de marketing de Trump, analisa Teixeira.
Revolução reacionária
Para Tadeu, todo o documento faz parte da estratégia de uma revolução reacionária do trumpismo. Eles buscam as estratégias do passado americano, como a guerra tarifária e o sonho americano, na tentativa de reproduzir o mesmo feito. E um documento como este é o início de um diálogo com o público interno do MAGA, as diretrizes para a revolução reacionária.
Nesse sentido, eles reconhecem a crise estrutural que os Estados Unidos vivem e se colocam como atores e líderes, como o único movimento e a única força capaz de corrigir os rumos da história, completou.
A doutrina Trump
Por fim, Tatiana analisa o documento como uma forma de distanciamento das estratégias de segurança de governos anteriores. Para a analista, o trumpismo não segue uma doutrina e nem tem interesse em fazê-lo.
O documento apresenta uma política pragmática, mas evita o pragmatismo clássico ou qualquer tradição intelectual. É a oficialização de um governo que toma decisões caso a caso, em que os parceiros não são definidos por doutrinas preestabelecidas, mas apenas pelo interesse do “America First”. Isso garante a Trump total liberdade de ação, sem a necessidade de manter coerência com princípios ou idealismos tradicionais.
Assista o programa:
alfredo machado
24 de dezembro de 2025 4:10 pmEstabelecer-se como o síndico do mundo é uma sacada formidável do Magnífico, que fica livre, leve e solto das amarras pra agir como e com quem quiser. Tudo muito bom, só esqueceu de combinar com os outros. Graças ao MAGA, o maior problema de uodos os enfrentados por USA só aumentará, pois a ele, o MAGA, a crise econômico-financeira não significa coisa alguma, é o reflexo de sua própria história de vida.
Fábio de Oliveira Ribeiro
24 de dezembro de 2025 4:26 pmFaltou dizer o principal. A versão do natal do cristianismo trumpista é um pouco diferente daquela que conhecemos. Nela agentes do ICE invadem a manjedoura antes de Jesus nascer porque Maria e José são imigrantes ilegais. O menino iluminado nasce numa prisão.
Os reis magos são impedidos de entrar nos EUA porque não podem comprar o Golden Visa. Jesus é separado dos pais, que são deportados para morrer em Gaza. E a estrela de Belem?
Bem… ela é provavelmente o brilho dos motores de mísseis nucleares que anunciam o nascimento de cogumelos atômicos ao redor do planeta.
JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO
26 de dezembro de 2025 8:48 amOs fundadores da república dos EUA, perceberam que a sua vocação para a guerra, se tornaria um pilar fundamental para o seu desenvolvimento sócio econômico. Não demorou muito para que eles desenvolvessem um poderoso complexo industrial militar, sendo sua primeira grande vítima, o México que foi obrigado a ceder terras que representam cerca da metade do que hoje compôe o território dos EUA Enquanto o mundo não entender que a lógica de funcionamento dos EUA é uma éspecie de país funerário, que precisa de mortos para realizar seus negócios, vamos continuar acreditando em vão, na grande democracia americana.
JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO
4 de janeiro de 2026 8:18 amJá que o xerife/capataz se arvora o poder de qualificar quem é narco-traficante, terrorista e outras qualificações ilegais, desconfio que os verdadeiros malfeitores deveriam se estabelecer nos EUA , poupando o mundo das constantes agressões americanas. A propósito, desconfio que os criadores da ORDEM MUNDIAL BASEADA EM REGRAS, se inspiraram no ciclo menstrual, pois o ciclo pressupóe derramamento de sangue o que tem ocorrido frequentemente desde o estabelicimento desta famigera ordem.