16 de outubro de 2026

Déficit dos EUA se aproxima de US$ 2 trilhões sob Trump

Gastos militares, juros da dívida e cortes de impostos ampliam rombo fiscal, enquanto reembolsos de tarifas reduzem a arrecadação do governo
Foto de Jp Valery na Unsplash

Déficit dos EUA alcançou US$ 1,99 tri em 2026, maior desde 2021, pressionando contas no governo Trump.
Despesas subiram 6% para US$ 7,4 tri, receitas 3% para US$ 5,4 tri; juros da dívida atingiram US$ 1,36 tri.
Cortes fiscais e reembolsos de tarifas reduziram receita; déficit chegou a 6,2% do PIB, segundo o Tesouro.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O déficit orçamentário dos Estados Unidos chegou a US$ 1,99 trilhão no ano fiscal de 2026, ante US$ 1,78 trilhão em 2025, ampliando a pressão sobre as contas públicas durante o governo de Donald Trump. O resultado é o maior desde 2021 e evidencia os limites da promessa presidencial de reduzir os gastos federais.

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O rombo aumentou mesmo com a economia americana mantendo um ritmo consistente de crescimento. Segundo o Departamento do Tesouro norte-americano, as despesas do governo avançaram 6%, para US$ 7,4 trilhões, enquanto a arrecadação cresceu 3%, alcançando US$ 5,4 trilhões. A diferença entre a evolução dos gastos e das receitas ampliou o déficit em cerca de US$ 217 bilhões em um ano.

O resultado também é o terceiro maior déficit anual da história dos Estados Unidos, segundo dados divulgados pelo Tesouro e repercutidos pela imprensa americana. Em 2021, durante a pandemia de Covid-19, o rombo chegou a US$ 2,77 trilhões, em meio aos programas extraordinários de apoio à economia.

Desta vez, o aumento ocorre sem uma emergência econômica comparável à crise sanitária. Entre os fatores que pressionaram as contas estão os gastos militares, os benefícios da Previdência Social, os custos crescentes do serviço da dívida e a redução da receita líquida com tarifas comerciais.

Juros e guerra ampliam pressão sobre as contas

Um dos principais componentes da deterioração fiscal é o custo do endividamento. Os pagamentos de juros da dívida pública atingiram o recorde de US$ 1,36 trilhão no ano fiscal de 2026, alta de 12% em relação ao período anterior. O valor coloca o serviço da dívida entre as maiores despesas federais, atrás apenas da Previdência Social e dos gastos combinados com os programas Medicare e Medicaid.

O encarecimento do financiamento ocorre em um momento de preocupação dos investidores com o volume da dívida americana, que ultrapassou US$ 40 trilhões em agosto. A elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro aumenta o custo de novas emissões e pode se refletir nas taxas de crédito para famílias e empresas, incluindo financiamentos imobiliários, cartões e empréstimos para veículos.

A guerra envolvendo os Estados Unidos, Israel e Irã também contribui para a pressão sobre as despesas militares. Os gastos com defesa aumentaram cerca de US$ 48 bilhões, ou 6%, no ano fiscal, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pela Reuters.

O mecanismo cria um círculo de pressão sobre o orçamento: o endividamento elevado e as taxas de juros maiores encarecem o serviço da dívida, que por sua vez absorve recursos que poderiam ser destinados a outras políticas públicas. A persistência desse quadro pode reduzir a capacidade de resposta do governo diante de futuras crises econômicas ou emergências nacionais.

Cortes de impostos e reembolsos de tarifas reduzem receita

Segundo o The New York Times, a política econômica de Trump também contribuiu para o resultado. O pacote tributário aprovado pelos republicanos em 2025 ampliou as deduções fiscais para empresas e reduziu a arrecadação corporativa. Embora a receita total tenha aumentado com a expansão dos impostos sobre a renda das pessoas físicas, impulsionada por salários mais altos, os tributos pagos pelas empresas recuaram.

Outro fator foi a decisão da Suprema Corte americana que invalidou parte das tarifas impostas pelo presidente sob justificativas de segurança nacional. A decisão obrigou o governo a devolver valores arrecadados, em um processo de reembolsos que ultrapassou US$ 100 bilhões durante o ano fiscal.

A redução da receita líquida com tarifas enfraqueceu uma das apostas da administração Trump para ampliar a arrecadação e pressionou ainda mais o orçamento. A combinação de cortes tributários e despesas crescentes contradiz o compromisso presidencial de conter os gastos públicos e reduzir o déficit.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, havia estabelecido como meta reduzir o déficit para o equivalente a 3% do Produto Interno Bruto (PIB). Depois de recuar de 6,3% do PIB em 2024 para 5,9% em 2025, a proporção voltou a superar 6% em 2026. A estimativa divulgada pelo Tesouro aponta déficit equivalente a 6,2% do PIB.

Bessent prometeu apresentar um plano de consolidação fiscal, mas ainda não detalhou as medidas. O secretário também defende que a aceleração do crescimento econômico ajude a enfrentar o problema da dívida.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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