A participação nas eleições parlamentares de Israel atingiu um nível recorde em mais de cinco décadas nesta terça-feira (27), em um cenário que pode dificultar a permanência do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu no poder.
Quatro horas antes do encerramento das urnas, dois terços dos eleitores já haviam votado, segundo o site Axios, que apontou o maior índice para esse momento do processo eleitoral desde 1973.
O comparecimento elevado pode alterar a distribuição das cadeiras no Parlamento, o Knesset, e dificultar a formação de uma maioria para o bloco de Netanyahu. O avanço da participação entre os cidadãos árabes de Israel também pode ampliar a representação dessa população no Legislativo.
A eleição é considerada um teste decisivo para a liderança do premiê, que busca continuar no cargo após anos de guerra e questionamentos sobre a atuação do governo. A votação representa a oportunidade de os eleitores responsabilizarem Netanyahu pelas falhas de segurança que antecederam os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 ou reconhecerem os resultados militares que ele atribui à sua gestão.
Oposição disputa formação do governo
Além do resultado nas urnas, a disputa envolve a possibilidade de a oposição, liderada por Gadi Eisenkot, formar uma coalizão capaz de substituir Netanyahu.
Segundo reportagem do Times of Israel, com base em informações do Canal 12, o círculo do primeiro-ministro prepara um pronunciamento para reivindicar o direito de formar o próximo governo caso o Likud, partido de Netanyahu, conquiste o maior número de cadeiras, mesmo que o bloco de Eisenkot termine com uma bancada maior no conjunto.
Eisenkot, por sua vez, deve reivindicar o mandato caso sua aliança reúna mais parlamentares e consiga maior apoio entre os partidos para indicá-lo ao cargo de primeiro-ministro. A disputa evidencia que a vitória de uma legenda isolada não determina, necessariamente, quem comandará o próximo governo israelense.
A decisão cabe ao presidente Isaac Herzog, que deve consultar os representantes dos partidos eleitos e designar o parlamentar que considerar mais apto a reunir apoio suficiente para formar uma coalizão.
Herzog não é obrigado a escolher o líder do partido mais votado nem o representante do maior bloco parlamentar. A avaliação considera as recomendações das legendas e as perspectivas de construção de uma maioria governista.
O Parlamento israelense tem 120 cadeiras, e a formação de uma maioria exige o apoio de pelo menos 61 parlamentares. O sistema proporcional também estabelece uma cláusula de barreira de 3,25% dos votos para que os partidos obtenham representação no Knesset.
Com a participação elevada, partidos menores podem enfrentar dificuldades para ultrapassar esse limite. Caso legendas do bloco de Netanyahu fiquem abaixo da cláusula de barreira, os votos recebidos por elas não se converterão em cadeiras, o que pode reduzir as possibilidades de o premiê reunir a maioria necessária para governar.
A maior participação de eleitores árabes também pode modificar o equilíbrio parlamentar. O impacto, contudo, dependerá da distribuição dos votos entre as legendas e do número de partidos que efetivamente conquistarão cadeiras.
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