O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a saída de Susie Wiles no comando da Casa Branca, dando lugar a Stephen Miller, atual vice-chefe de gabinete e um dos principais defensores da agenda linha-dura do governo.
A mudança ocorre após as derrotas republicanas nas eleições de meio de mandato, realizadas na terça-feira (3), e sinaliza uma possível radicalização da estratégia presidencial diante do avanço democrata no Congresso.
Segundo a Axios, Wiles apresentou sua renúncia na noite de quinta-feira (5), depois de Trump demonstrar insatisfação com o resultado eleitoral e com os recursos gastos pela equipe política do governo.
Embora fontes ouvidas pelo veículo descrevam a saída como uma decisão mútua, a avaliação é que o presidente passou a ser responsabilizar Susie Wiles pelo desempenho do partido. Trump aceitou a decisão nesta sexta.
O anúncio foi feito pelo próprio presidente na rede Truth Social. Miller assumirá o posto na segunda-feira. Primeira mulher a ocupar a chefia de gabinete da Casa Branca, Wiles será transferida para a estrutura política de Trump.
Da moderação à linha dura
A mudança representa uma alteração importante no equilíbrio interno do governo. Wiles era considerada uma das figuras mais influentes da administração, com acesso direto ao presidente e capacidade de organizar uma equipe marcada por disputas internas. Sua relação com Trump vinha desde a campanha de 2016 e foi consolidada durante a articulação de seu retorno político após a invasão do Capitólio, em janeiro de 2021.
Sua atuação, porém, não significava oposição aberta às prioridades presidenciais. Wiles costumava apresentar discordâncias em conversas privadas e procurava administrar o comportamento de Trump, em vez de confrontá-lo publicamente. Ainda assim, ela se posicionou contra a guerra no Irã e questionou repetidamente as políticas mais agressivas de imigração defendidas por Miller.
Miller, por sua vez, foi um dos arquitetos da ofensiva do governo para ampliar o poder do Executivo nos primeiros meses do segundo mandato. Conhecedor da estrutura da Casa Branca e dos mecanismos de atuação presidencial, ele já exercia influência comparável à de Wiles em diferentes áreas da administração.
A saída de Wiles expõe as tensões provocadas pelo resultado das eleições de meio de mandato. A derrota levou Trump a questionar a atuação de sua equipe política, mas a substituição da chefe de gabinete por um dos principais defensores de suas políticas mais duras aponta para uma resposta que pode aprofundar, em vez de rever, as escolhas do governo.
A escolha também tem um componente estratégico. Com os democratas fortalecidos no Congresso, Trump deverá enfrentar investigações e maior resistência parlamentar. Um assessor presidencial descreveu Miller como um conselheiro preparado para uma espécie de economia de guerra política contra a oposição.
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